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PF vai apurar organização criminosa que estaria atrapalhando investigações sobre Marielle

Mil placas em homenagem a Marielle Franco - Fábio Motta/Estadão Conteúdo
Mil placas em homenagem a Marielle Franco Imagem: Fábio Motta/Estadão Conteúdo

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

01/11/2018 15h39

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, informou nesta quinta-feira (1º) que a Polícia Federal vai investigar suspeitas de que uma organização criminosa estaria atuando com o objetivo de atrapalhar as investigações do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL).

A investigação foi um pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, com base em dois novos depoimentos de testemunhas do caso. Os depoimentos foram tomados há cerca de um mês, segundo Jungmann.

"Ela determinou que a Polícia Federal abrisse inquérito para investigar essa organização criminosa, que envolve agentes públicos, milicianos, organizações criminosas e a contravenção, para impedir que se chegue aos mandantes e executores reais do duplo homicídio", afirmou o ministro.

Segundo o ministro, a atuação da PF foi justificada por estarem em investigações suspeitas de crimes federais, no caso da organização criminosa que tentou atrapalhar as investigações.

A apuração para encontrar os responsáveis pelo crime continua a cargo do Ministério Público e da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Mas, segundo o ministro, o novo inquérito deverá levar a uma cooperação entre a PF e as autoridades locais do Rio. "A cooperação deve ajudar mutuamente a elucidação tanto de um caso quanto de outro", disse Jungmann.

O ministro afirmou que as suspeitas levantadas pelos depoimentos indicam a participação de agentes públicos envolvidos na investigação do assassinato.

"As denúncias incidem sobre agentes públicos de diversos órgãos, agora não cabe aqui fazer essa identificação, é prematuro", disse.

"Você tinha uma articulação criminosa entre agentes públicos dentro de órgãos públicos, envolvidos com o processo de investigação, e ao mesmo tempo você tinha agentes externos, sejam organizações criminosas, milicianos, contravenção e interesses outros envolvidos nessa questão", afirmou Jungmann.

Marielle foi assassinada no Rio de Janeiro, quando voltava de uma reunião política na noite de 14 de março, acompanhada de uma assessora -- que sobreviveu -- e do motorista Anderson Gomes.

Na rua Joaquim Palhares, um carro emparelhou com o veículo onde estava a vereadora e, de dentro dele, foram efetuados disparos. Ao menos 13 tiros foram disparados.

Marielle e o motorista foram baleados e morreram. Ela foi atingida por quatro tiros na cabeça, e Anderson, por três tiros nas costas.

O ponto escolhido para a emboscada, no bairro do Estácio, na região central do Rio, não possuía com câmeras de segurança ligadas naquele momento.

Marielle foi a quinta vereadora mais votada do Rio nas eleições de 2016, com 46.502 votos. Na Câmara, ela presidia a Comissão da Mulher e tinha sido nomeada relatora da comissão que acompanharia a intervenção federal na segurança pública do Rio.

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