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PF prende suspeito de participar de assassinato de líderes do PCC

Jefte Ferreira dos Santos, suspeito de participar das mortes de Gegê do Mangue e Paca - 16.jan.2019 - Divulgação/Polícia Federal
Jefte Ferreira dos Santos, suspeito de participar das mortes de Gegê do Mangue e Paca Imagem: 16.jan.2019 - Divulgação/Polícia Federal

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

16/01/2019 11h15Atualizada em 16/01/2019 11h46

A PF (Polícia Federal) prendeu na manhã desta quarta-feira (16), em Itanhaém, na Baixada Santista, em São Paulo, um suspeito de integrar o PCC (Primeiro Comando na Capital) e que teria ligação com ações realizadas pelo grupo criminoso após o assassinato de dois líderes da facção, em fevereiro do ano passado, no Ceará. 

Jefte Ferreira dos Santos era considerado foragido e foi denunciado pelo MP (Ministério Público) à Justiça por participação no crime. Em fevereiro do ano passado, Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, foram assassinados em uma zona de mata na região metropolitana de Fortaleza.

Segundo a reportagem apurou, Jefte Ferreira dos Santos não atuou de forma direta nos assassinatos de Gegê do Mangue e Paca. Ele teria recepcionado, junto com sua mãe, parte da quadrilha que matou os dois criminosos, em um hotel de Fortaleza. A recepção teria ocorrido antes e depois do crime. Ele e a mãe teriam saído de Guarulhos para Fortaleza apenas isso. Na sequência, voltaram a São Paulo.

De acordo com a PF, Santos estava em uma casa de praia com a namorada. Depois da prisão, ele foi levado para a Superintendência da PF, na capital. Com ele, foram apreendidos telefones celulares. O suspeito deve ser levado ao Ceará, onde estão concentradas as investigações do caso.

Números 1 e 2 do PCC

Gegê do Mangue e Paca eram considerados, até serem assassinados, os respectivos número 1 e 2 na liderança da facção. Segundo investigação do MP paulista, eles foram assassinados por roubarem a própria facção, em ações de exportações de drogas, principalmente de remessas geradas a partir do porto de Santos.

Gegê do Mangue era apontado como o número 1 do PCC em liberdade até ser assassinado, em fevereiro de 2018, no Ceará - Divulgação/SAP
Gegê do Mangue era apontado como o número 1 do PCC em liberdade até ser assassinado, em fevereiro de 2018, no Ceará
Imagem: Divulgação/SAP

Os corpos foram encontrados perto de uma lagoa em Aquiraz, na região metropolitana de Fortaleza, por um rapaz que estava colhendo frutas. O local é de mata fechada, sem acesso via estrada. O homem chamou a polícia, que recolheu os cadáveres e iniciou trabalho de perícia. Próximo aos corpos, havia várias cápsulas de pistolas 9 mm.

Até então, a principal suspeita era de que os dois criminosos estivessem atuando pelo PCC no Paraguai e na Bolívia, coordenando importações e exportações de drogas e armas para o Brasil, além de participar de assaltos a bancos. Atualmente, a Polícia Civil e o MP suspeitam de que a ordem dos assassinatos, com aval da cúpula do PCC (presa na penitenciária 2 de Presidente Venceslau-SP), tenha partido de Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho

Fuminho, braço direito de Marcola, seria, atualmente, a principal liderança do PCC em liberdade. Ele estaria morando na Bolívia, mas viajando constantemente para Paraguai e Brasil. Segundo investigações de polícias europeias, Fuminho seria o homem com quem integrantes de uma máfia italiana negociam, pessoalmente, a exportação de drogas, do PCC, a partir do Brasil, para a 'Ndrangheta, na Itália.

Após os assassinatos de Gegê do Mangue e de Paca, outros três integrantes do PCC, que teriam participação na morte dos dois, foram assassinados - todos no bairro do Tatuapé, zona leste da capital paulista. Segundo o MP, as mortes podem ter servido como "queima de arquivo", para que as autoridades de investigação tivessem dificuldade em elucidar o crime. 

No mesmo mês de fevereiro de 2018, Wagner Ferreira da Silva, o Cabelo Duro, e Eduardo Ferreira da Silva, o Borel, foram assassinados a tiros. Em julho do ano passado, foi a vez de Cláudio Roberto Ferreira, o Galo, ser assassinado. O carro que ele dirigia foi atingido por ao menos 70 tiros de fuzil.

Veja o momento em que Galo é fuzilado, no Tatuapé

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