Violência em São Paulo

Polícia investiga se assassinato de homem em Mercedes foi provocado por racha no PCC

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

  • Luís Adorno/UOL

    Carro em que foi encontrado morto com 26 tiros Eduardo Ferreira da Silva, o Borel

    Carro em que foi encontrado morto com 26 tiros Eduardo Ferreira da Silva, o Borel

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo investigam se o assassinato no último dia 10 de um homem com 26 tiros dentro de uma Mercedes-Benz, no Tatuapé, na zona leste de São Paulo, foi a primeira das quatro mortes de integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) neste mês.

Eduardo Ferreira da Silva, 40, foi alvejado dentro do carro de luxo na rua Serra do Japi. Ele chegou a ser socorrido para o hospital Carmino Caricchio, mas não resistiu aos ferimentos. Segundo a polícia, ele tinha funções estratégicas na facção criminosa, responsável por realizar o pagamento em dinheiro a integrantes do grupo.

Um procurador de Justiça afirmou ao UOL, sob anonimato, que Silva era investigado há anos por ligação com o PCC e era conhecido como "Borel". De acordo com o procurador, há elementos que indicam que ele foi morto a mando de Gilberto Aparecido dos Santos, o "Fuminho", braço direito do líder máximo da facção, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Luís Adorno/UOL
Carro bateu em poste após o crime

"Ele era o responsável pelos pagamentos na rua. É provável que esteja ligado a Gegê do Mangue, que desviava o dinheiro da facção", disse. Com a morte dele, Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, 41, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, 38, mortos no Ceará em 15 de fevereiro, foram o segundo e o terceiro integrantes da facção assassinados a mando do braço direito de Marcola, segundo as investigações.

Borel tinha várias passagens pela polícia, sendo a maioria por tráfico de drogas. De acordo com a perícia, ele foi atingido cinco vezes no tórax esquerdo, 11 no membro superior esquerdo, duas no trapézio esquerdo e oito no membro superior direito.

Além dos três, na última quinta-feira (22), Wagner Ferreira da Silva, 32, o Cabelo Duro, foi assassinado a tiros de fuzil em frente a um hotel do Tatuapé. Apesar de os sobrenomes de Borel e Cabelo Duro serem os mesmos e eles terem sido assassinados no mesmo bairro, com 12 dias de diferença, a polícia não confirma se havia grau de parentesco entre ambos.

De acordo com a Polícia Civil, Borel foi alvo de uma emboscada, assim como os demais integrantes da facção criminosa. Um carro prata, da marca GM, parou atrás da Mercedes dele, por volta das 18h10 do dia 10, sábado. Três homens armados desceram, atiraram e fugiram sem levar nada. O caso foi registrado inicialmente no 31º DP (Distrito Policial), na Vila Carrão.

Remetido ao 30º DP, no Tatuapé, o caso deve ser investigado no DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa). Na carteira de Borel foi encontrada uma carteira de habilitação falsificada, com o nome de Eduardo Rodrigues Medeiros Filho. Com a chegada dos familiares, a identidade verdadeira da vítima foi revelada.

Um outro integrante do PCC, José Adinaldo Moura, o Nado, 39, está desaparecido desde a última sexta-feira (23). Ele seria ligado diretamente a Cabelo Duro, morto em frente ao hotel. Ambos atuavam na Baixada Santista e teriam participação nas mortes de Gegê do Mangue e Paca, no Ceará. O Ministério Público acredita que a facção esteja efetuando uma queima de arquivo àqueles que participaram do assassinato no Nordeste.

PCC manda matar aqueles que geram discórdia

Não é a primeira vez que é registrada uma série de mortes de importantes nomes dentro do PCC. A última vez relevante foi em novembro de 2005, quando o número 2, Sandro Henrique da Silva Santos, o Gulu, e outras seis pessoas foram mortas em dois dias.

Eduardo Knapp/Folhapress
Para especialistas de segurança pública e sistema prisional, o conflito atual pode ser pontual. Caso a facção venha a se dividir, a segurança do Estado ficaria em xeque

Gulu e seus aliados foram assassinados sob a suposição de que poderiam tentar tomar a frente do chamado partido do crime, no momento em que a facção iniciava seu processo de expansão de São Paulo para outros Estados.

"Em novembro de 2002, quando o Marcola assumiu a liderança do PCC, junto a ele tinha o Gulu --o grande traficante da Baixada. Os dois eram as duas lideranças iminentes. Depois dos sete mortos, o irmão de Gulu foi assassinado, a mãe teve de fugir e Marcola saiu fortalecido como o principal nome do PCC", relembra o pesquisador Bruno Paes Manso, do NEV-USP (Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo).

"Quando houve um desacerto de contas, ao que tudo indica, ele [Marcola] fez uma limpa estratégica para continuar fortalecido na liderança. É um capítulo importante na história de segurança e crime organizado. Com isso, o Marcola virou o cara do PCC", afirmou o pesquisador.

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