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Paulo Preto cobra na Justiça manutenção de lancha apreendida na Lava Jato

Lancha que seria de Paulo Preto e está sob custódia da Lava Jato - UOL
Lancha que seria de Paulo Preto e está sob custódia da Lava Jato Imagem: UOL

Vinicius Konchinski

Colaboração para o UOL, de Curitiba

11/06/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Homem apontado como operador do PSDB teve lancha de R$ 529 mil apreendida
  • Seus advogados reclamam que o barco não está tendo a manutenção adequada
  • Sócio de marina afirma não estar sendo remunerado para cuidar da embarcação

Paulo Vieira de Souza, ex-diretor do Dersa, a estatal paulista responsável por obras viárias, está preso preventivamente em Curitiba desde fevereiro. Ele já foi condenado duas vezes pela Justiça Federal de São Paulo a cumprir um total de 172 anos de prisão. A defesa do engenheiro, mais conhecido como Paulo Preto, tem uma outra questão, além de recorrer das sentenças: a manutenção de sua lancha, que foi avaliada em R$ 529 mil em janeiro de 2015.

A lancha Giprita III, modelo Offshore, fabricada em 2010, tem 14 metros de comprimento e capacidade para transportar 11 passageiros e um tripulante. Conta com um quarto e um banheiro. É equipada com dois motores Volvo de 775 cavalos de potência e foi projetada para navegar em alta velocidade em mar aberto: "para dar pau", segundo um marinheiro ouvido pelo UOL.

A embarcação foi revistada e apreendida por policiais federais durante a 60ª fase da Operação Lava Jato, a mesma que levou Paulo Preto à prisão.

Naquela ocasião, a lancha estava atracada na Marinas Nacionais, em Guarujá (SP). Como os policiais não conseguiam levá-la dali, acabaram determinando que um dos sócios da marina, o argentino Juan Alfredo Rodriguez, ficasse responsável pela guarda do bem. Juridicamente, Rodriguez virou o fiel depositário da lancha.

Paulo Preto reclama da manutenção

No dia 30 de abril, contudo, os advogados de Paulo Preto protocolaram uma petição na Justiça Federal reclamando da situação em que se encontrava o barco.

"A embarcação encontra-se sem a realização de quaisquer dos procedimentos de manutenção necessários, dentre eles, a manutenção do motor por meio da colocação da embarcação na água para seu funcionamento", afirmou a defesa de Paulo Preto.

Por conta disso, os advogados pediam a revogação do termo de fiel depositário firmado por Rodriguez. Solicitavam ainda que a Justiça autorizasse que funcionários da Marinas Nacionais colocassem a lancha no mar uma vez por mês, "a fim de verificar o funcionamento do motor, bem como realizar os procedimentos de manutenção necessários à conservação do bem".

Depositário pede pagamento

Quase um mês depois, em 23 de maio, foi a vez de o próprio Rodriguez se manifestar na Justiça. Por meio de seus advogados, ele disse que acabou assumindo a responsabilidade de zelar pela lancha Giprita III contra sua vontade. Informou que a guarda do bem é um custo para ele, já que ninguém estaria pagando pelo aluguel da vaga do barco em sua marina.

Rodriguez solicitou à Justiça, então, que o isentasse da responsabilidade de guardar o barco. Ressaltou que, caso isso não seja possível, que ele seja remunerado pela manutenção do barco. Valor? R$ 10.720 por mês.

O custo total cobriria os R$ 5.720 mensais pela vaga do barco na Marina, mais R$ 3.500 para o pagamento do marinheiro e outros R$ 1.500 para a compra de combustível, lubrificantes e iluminação.

Juiz da Lava Jato ordena manutenção e cobra Paulo Preto

O caso, então, foi parar nas mãos do juiz Luiz Antonio Bonat, que substitui o hoje ministro Sergio Moro na vara federal responsável pelo julgamento dos processos da Lava Jato em Curitiba. No dia 27 de maio, Bonat analisou o pedido das defesas de Paulo Preto e de Juan Rodriguez.

Bonat determinou que, por ora, fizesse "as manutenções mínimas na embarcação, tão somente para permitir a sua navegabilidade e adequado funcionamento do motor". Determinou também que Paulo Preto se manifestasse sobre o pagamento das despesas referentes ao barco listadas pelo sócio da Marinas Nacionais.

Na terça-feira (4), a defesa de Paulo Preto se manifestou. Apesar de os advogados do ex-diretor do Dersa terem reclamado na Justiça sobre a manutenção da lancha Giprita III, eles informaram que ela, na verdade, pertence à empresa P3T Empreendimentos e Participações Ltda, que tem entre seus sócios o próprio Paulo Preto.

Segundo os advogados, como a lancha está em nome da empresa, é ela quem deve custear sua manutenção. Até agora, ninguém da empresa se manifestou no processo.

Procurados pelo UOL, os advogados de Paulo Preto e de Juan Rodriguez não quiseram conceder entrevistas. A Marinas Nacionais informou que "respeitará a privacidade de seus clientes e não se manifestará sobre o assunto".

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