Topo

A vida dele era ajudar as pessoas, diz pai de professor esfaqueado no Rio

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

29/07/2019 13h41

O pai do professor Marcelo Henrique Corrêa Cisneiros Reis, 39, morto durante um ataque a faca na tarde de ontem no bairro da Lagoa, na zona sul do Rio, disse que o filho vivia para ajudar as pessoas. A família esteve na manhã de hoje no IML (Instituto Médico Legal) para liberar o corpo da vítima.

"Era um cara muito tranquilo. Professor de Educação Física. A vida dele era essa. O negócio dele era ajudar as pessoas", afirmou Carlos Henrique, pai do professor.

A madrasta de Marcelo contou que ele estava saindo da casa da namorada em Botafogo, na zona sul, e indo para o bairro da Penha, na zona norte, onde mora a mãe dele, quando parou para ajudar o casal vítima de um morador de rua, quando também foi ferido.

Marcelo Henrique Corrêa Cisneiros Reis, não resistiu aos ferimentos - Reprodução/Facebook/Marcelo Cisneiros
Marcelo Henrique Corrêa Cisneiros Reis, não resistiu aos ferimentos
Imagem: Reprodução/Facebook/Marcelo Cisneiros

"Ele sempre fez trabalho voluntário. Ele estava passando no local e tentou ajudar o casal esfaqueado. Ele ajudou na elaboração da Vila Olímpica da Rocinha. Era muito questionado sobre ter uma vida mais confortável, mas não ligava para isso", disse a madrasta que se identificou como Josi.

Marcelo é uma das vítimas do ataque que deixou dois mortos e cinco feridos. Ele foi esfaqueado ao tentar impedir que o morador de rua Placido Correa de Moura, 44, voltasse a atacar, sua primeira vítima, João Feliz Napoli, 35.

João estava com o carro parado no acesso ao túnel Rebouças, que liga as zonas sul e norte do Rio, quando o morador o esfaqueou pela janela.

A namorada do motorista, Caroline Moutinho, que estava no banco do carona, saiu do carro para ajudar e também foi atingida.

Já o professor parou para prestar socorro ao casal e acabou ferido. João e Marcelo foram socorridos, mas não resistiram aos ferimentos.

Caroline foi encaminhada para o hospital Miguel Couto, na Gávea, com ferimentos na mão e na barriga. Não há informações sobre o estado de saúde dela.

Ela e João namoravam há seis anos. Na última postagem feita no Instagram, João se declarou para ela.

"Seis anos me aturando não é qualquer coisa não... Vivemos, curtimos e evoluímos juntos, mantendo ao longo desses 6 anos uma relação de parceria e respeito. Olha que sorte a nossa, nesse mundão gigante nossos caminhos se cruzaram e a mágica aconteceu. Sou muito grato ao universo!! A esses e a tantos outros anos que ainda viveremos juntos!"

Polícia investiga problemas psiquiátricos de agressor

O morador responsável pela agressão aparentava, segundo a polícia, problemas psiquiátricos. Ele foi baleado por policiais militares após atacar quem passava na região. Ele está preso sob custódia no hospital Miguel Couto, no bairro da Gávea, também na zona sul.

Durante o ataque, a PM foi acionada e, segundo a corporação, o morador foi baleado após se recusar a abandonar a faca.

Uma arma de choque foi utilizada pelos agentes na tentativa de neutralizar o agressor, mas sem efeito, ele acabou sendo baleado nas duas pernas.

Na ação, uma ambulância do Corpo de Bombeiros, acionada para a ocorrência, acabou sendo atingida pelos disparos quando chegava ao local.

A cabo enfermeira Girlane Sena foi baleada na perna e o capitão médico Fábio Raia, atingido por estilhaços. Ambos foram levados para o hospital dos Bombeiros e passam bem.

Um policial militar de 33 anos também deu entrada no hospital ferido por um tiro. Não está claro como ele se feriu na ação.

Procurada, a PM informou que "foi aberto procedimento apuratório para esclarecer a conduta dos policiais militares" na ação.

"Vale ressaltar que a rápida chegada dos policiais militares evitou uma tragédia maior, pois o agressor armado com uma faca, e visivelmente transtornado, certamente atacaria outras pessoas", disse a corporação através de nota.

Mais Cotidiano