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Ninho de vespas "assustador" em Itaoca vai virar atração turística

Maurício Businari

Colaboração para o UOL, em Santos (SP)

27/02/2020 19h19Atualizada em 28/02/2020 12h38

Moradores de Itaoca, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo, encontraram no último final de semana o maior ninho de vespas já avistado na região. O tamanho da estrutura, que pesa 15 quilos e tem dois metros de largura e 90 centímetros de altura, assustou a população da cidade e agora deve integrar o acervo de um museu de arqueologia e etnologia no município.

O jornalista Ivan Edson, 60 anos, morador de Itaoca, conta que a descoberta chamou a atenção dos moradores da cidade, que se reuniram em mutirão para retirar o ninho do local em que estava: uma casa abandonada no bairro do Guarda Mão, zona rural a 3 km do centro da cidade.

Edson relata que moradores do bairro estavam iniciando o trabalho de limpeza de uma residência abandonada quando avistaram a estrutura gigante, fixada na parede da cozinha do imóvel. Para sorte dos moradores, o ninho estava vazio, sem a presença dos insetos.

"Quando eles viram o ninho, se assustaram e na hora me chamaram para acompanhar a remoção. Quando eu cheguei ao local, me deparei com a maior casa de vespas que eu já tinha visto na vida. Assustador. Tudo mundo estava assustado. Não é comum esse tipo de colmeia aqui em Itaoca", comenta o jornalista, que também é presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur) da cidade.

Com a ajuda dos moradores, Edson removeu a colmeia abandonada e a colocou sobre um veículo, levando-a para sua casa, uma pousada na área rural do município. Ele garante que se manterá responsável pela estrutura até que o Museu de Itaoca, projeto iniciado pelo Comtur em parceria com a prefeitura e que conta com a ajuda de empresários locais, esteja pronto para recebê-la.

As vespas

As vespas que construíram o ninho na residência abandonada em Itaoca são popularmente conhecidas como vespas do papel. Segundo Ronaldo Bastos Francini, professor doutor em Ecologia do curso de Ciências Biológicas da Universidade Católica de Santos (Unisantos), elas também são conhecidas como "vespas sociais", da família Vespidae.

"Os espécimes desse tipo de vespa usam fibras vegetais, que misturam com secreções de suas glândulas salivares (mastigação), para produzir um material parecido com papel cartão que endurece rapidamente após a evaporação da água. É provável que a casa onde esse ninho foi localizado já estivesse abandonada há muitos anos. Realmente, é uma estrutura ímpar", afirma o professor.

A picada dessas vespas pode causar reações e dores intensas. Caso a vítima seja alérgica à toxina injetada pelos insetos, o quadro pode evoluir para envenenamento e, em casos mais graves, levar à morte.

Ninhos grandes como o encontrado em Itaoca não são considerados comuns. A recomendação para quem encontrar uma colônia é nunca atirar objetos ou qualquer tipo de substância nem mesmo se aproximar da colmeia se ela estiver habitada.

"Certamente um ninho desse tamanho não vai aparecer da noite para o dia! Quem mora perto de matas ou tem um grande jardim ou quintal deve ficar atento para os pequenos ninhos que começam a ser construídos pelos marimbondos. Geralmente eles são presos por um único "fio", ligado ao substrato (parede ou galho). Esses ninhos podem ser retirados com certa facilidade quando a quantidade de vespas ainda é pequena. Ninhos maiores precisam ser removidos por algum serviço profissional ou pelos bombeiros", avisa Francini.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que informou o penúltimo paragrafo, a recomendação é não se aproximar de ninhos de vespas. A informação foi corrigida.

Cotidiano