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Policiais voltam às ruas em Fortaleza; parte das viaturas ainda está parada

Viaturas que tiveram os pneus esvaziados durante o motim ainda estavam paradas perto do 18° BPM na manhã de hoje - Cristiane Bonfim/UOL
Viaturas que tiveram os pneus esvaziados durante o motim ainda estavam paradas perto do 18° BPM na manhã de hoje Imagem: Cristiane Bonfim/UOL

Cristiane Bonfim

Colaboração para o UOL, em Fortaleza

02/03/2020 12h43Atualizada em 02/03/2020 18h09

Fortaleza começou a voltar à normalidade hoje após o fim do motim de policiais militares no Ceará, que durou 13 dias. Nos arredores do 18° Batalhão de Polícia Militar, o movimento era intenso ao longo da manhã.

No centro da cidade, a reportagem do UOL constatou a presença de policiais militares em pelo menos cinco pontos. Viaturas da Força Nacional, enviadas pelo governo federal, também continuam nas ruas da cidade.

No bairro Antônio Bezerra, cerca de metade das 107 viaturas que obstruíam o acesso ao 18° BPM, onde os militares estiveram amotinados ao longo de quase duas semanas, foram retiradas.

Na rua Anário Braga, onde fica o batalhão, e na travessa Seleta, via perpendicular ao batalhão, ainda havia cerca de 50 viaturas paradas até as 10h30 da manhã de hoje.

O trabalho de encher os pneus que estavam vazios e de dar carga nas baterias dos veículos começou por volta das 5h, segundo apurou o UOL.

Uma das vias marginais da avenida Mister Hull, que dá acesso à saída da cidade pela BR-020, foi interditada para facilitar a retirada das viaturas que haviam sido recolhidas pelos militares amotinados desde a noite de 18 de fevereiro.

Faixa da avenida Mister Hull foi interditada para facilitar a retirada das viaturas que haviam sido recolhidas pelos militares amotinados - Cristiane Bonfim/UOL
Faixa da avenida Mister Hull foi interditada para facilitar a retirada das viaturas que haviam sido recolhidas pelos militares amotinados
Imagem: Cristiane Bonfim/UOL

Uma das vizinhas do local, que mora na travessa Seleta e aceitou dar entrevista desde que não fosse identificada, disse que os últimos dias foram "horríveis" para ela e para a família.

"Achei bom voltar à vida normal. Não teve aula para as crianças [na escola vizinha ao batalhão]. Não sei analisar se eles [policiais militares] têm razão, mas incomodou muito a gente aqui", declarou a aposentada de 60 anos.

A Escola de Ensino Fundamental e Médio José Bezerra de Menezes ainda não teve o funcionamento normalizado na manhã de hoje. O prédio vizinho ao batalhão também havia sido ocupado pelos amotinados.

A funcionária de um ponto comercial nas redondezas, que também preferiu não informar o nome, diz considerar que a paralisação não a afetou muito.

"Não me senti insegura. Pelo contrário, estava cheio de policiais aqui", disse balconista de 31 anos.

Ela disse considerar que o acordo fechado ontem foi prejudicial para os militares. "De certa forma sofreram e não conseguiram o que queriam. Por mim, tinham continuado aí ".

O UOL tentou contato com o deputado estadual Soldado Noelio (Pros), um dos representantes dos militares na negociação, mas a assessoria dele informou que ele não tinha disponibilidade para dar entrevista.

Exército

Em frente ao Batalhão de Choque da Polícia Militar, no centro de Fortaleza, havia movimentação de policiais e de militares do Exército por volta das 9h da manhã. Questionados sobre o período em que continuarão nas ruas da capital cearense, os integrantes do Exército disseram que não poderiam dar entrevista.

Cotidiano