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Carreata em Curitiba pede fim da quarentena e web reage a carros de luxo

Carreata em Curitiba (PR) hoje em apoio ao presidente Jair Bolsonaro - EDUARDO MATYSIAK/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Carreata em Curitiba (PR) hoje em apoio ao presidente Jair Bolsonaro Imagem: EDUARDO MATYSIAK/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Abinoan Santiago

Colaboração para o UOL, em Curitiba

27/03/2020 20h02Atualizada em 27/03/2020 20h42

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) realizaram uma carreata ao longo da tarde de hoje em Curitiba pela retomada do funcionamento do comércio na cidade e adesão ao isolamento apenas das pessoas do grupo de risco da covid-19, novo tipo de coronavírus. O Ministério Público (MP) do Estado emitiu portaria horas antes solicitando que agentes da Polícia Civil identificassem as pessoas que descumpriram normas de prevenção no ato.

Mesmo sendo um evento contrário às recomendações de isolamento pelas autoridades de saúde para conter o avanço do novo coronavírus, os organizadores estimam cerca de cinco mil carros ao longo do percurso no Centro Cívico. A Polícia Militar (PM) não contabilizou participantes. Imagens da manifestação na capital paranaense rapidamente circularam nas redes sociais. O que chamou atenção, segundo os internautas, foi a quantidade de carros de luxo.

Curitiba, segundo o balanço divulgado hoje pela prefeitura, tem 71 casos confirmados de covid-19. Por causa do novo coronavírus, parte do comércio está fechado desde 19 de março por determinação do prefeito Rafael Greca (DEM) para forçar o isolamento da população. Ao todo, no estado são 125 casos.

"Carreata em Curitiba. Prestem atenção nos carros do povo trabalhador que exige voltar ao trabalho", disse um internauta. "Patrões dentro dos seus luxuosos carros fazendo carreata para seus empregados voltarem ao trabalho", comentou outro nas redes sociais.


O protesto, em Curitiba, foi organizado pelo Acampamento Lava Jato - que reúne apoiadores do ministro Sérgio Moro e do presidente Jair Bolsonaro. O movimento ganhou fama depois de acamparem diariamente em frente ao prédio da Justiça Federal, sendo desmontado em 2017.

De acordo com Paula Milani, líder do movimento, o protesto não teve apenas carros de luxo, pois o dela é um de modelo 2004.

"Não acho que seja uma verdade porque o meu é um celta 2004. Teve gente de todo o tipo", argumentou. Ela acrescentou que a população "precisa voltar a trabalhar, caso contrário vai morrer de fome".

"Queremos um isolamento vertical para as pessoas que realmente precisam, que são os idosos e com outras doenças. Agora, o resto da população precisa voltar a trabalhar, caso contrário vai morrer de fome, como o vendedor de água nos parques e trabalhadores dos bares e restaurantes que precisam se sustentar".

MP pede nome de quem descumpriu prevenção

Em portaria publicada hoje, o Ministério Público recomendou que os agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Decrisa) acompanhassem o evento para investigar se os participantes da carreata "agendada para ocorrer hoje, quer na concentração, quer durante seu prosseguimento pelas ruas de Curitiba, praticaram ou não atos capazes de ensejarem a caracterização de infrações penais".

Segundo o promotor de Justiça Marcelo Paulo Maggio, a lista de eventuais infratores às normas sanitárias deverá ser enviada em até 24 horas após o evento para adoção de medidas que visem responsabilizá-los criminalmente pelos eventuais atos.
Os organizadores, por outro lado, acreditam que cumpriram todas regras de prevenção, como uso de máscaras e álcool em gel.
"Nós sempre fazemos tudo muito organizado e cumprimos as normas. Ninguém compartilhava microfone e orientamos as pessoas a não saírem do carro. Vimos muito álcool em gel sendo compartilhado", garantiu Paula Milani.
Além de Curitiba, também houve o registro de manifestações em Cascavel, Foz do Iguaçú, Londrina e Ponta Grossa.

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