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Mãe de Isis Helena é indiciada por homicídio doloso; polícia vê negligência

Jennifer Natália Pedro, mãe de menina de um ano desaparecida em Itapira - Felipe de Souza/UOL
Jennifer Natália Pedro, mãe de menina de um ano desaparecida em Itapira Imagem: Felipe de Souza/UOL

Felipe de Souza

Colaboração para o UOL, em Campinas

24/04/2020 17h04

A Polícia Civil de Mogi Guaçu (SP) indiciou por homicídio doloso (quando há a intenção de matar) a mãe de Isis Helena, que tinha um ano e 10 meses de idade quando desapareceu em Itapira (SP) no dia 2 de março. Segundo a investigação, Jennifer Natália Pedro foi negligente nos cuidados com a garota, que morreu durante a madrugada, segundo depoimento, e depois teve o corpo jogado no Rio do Peixe.

Os esclarecimentos foram prestados hoje pelo delegado seccional José Antônio Carlos de Souza. A reação "apática" quando a criança desapareceu e as contradições nos depoimentos dados pela mãe de Isis durante o andamento das investigações foram "colocados em um quadro" e analisados cuidadosamente.

"Em todos os depoimentos ela mostrou frieza. Chorou apenas uma vez. Extremamente fria e calculista", afirmou.

O depoimento da testemunha que disse ter visto Jennifer indo de moto ao Rio do Peixe foi determinante para a polícia. Com a informação, a imagem de uma câmera de segurança foi analisada. Segundo o delegado, foi possível ver Jennifer com uma mochila nas costas. Nela, estava a criança.

Jennifer disse que, na noite anterior ao desaparecimento, Isis Helena estava com febre. Após dar oito gotas de ibuprofeno, deu a mamadeira e colocou a criança para dormir. No dia seguinte, quando acordou, a menina estava fria e com espuma na boca. A mãe disse que ficou desesperada e resolveu sumir com o corpo da criança para evitar "comentários pela vizinhança".

"Ela já tinha algumas denúncias de maus tratos dos outros filhos, e confessou para nós que era usuária de drogas e de álcool, por isso tinha medo do que os vizinhos poderiam falar. Quando percebeu que a criança estava morta, a decisão de jogá-la no rio e falar do desaparecimento parecia a mais sensata para ela", afirmou o delegado.

Painel de investigação da polícia civil no caso de Isis Helena - Polícia Civil/Divulgação - Polícia Civil/Divulgação
Imagem: Polícia Civil/Divulgação

A mulher será indiciada por ocultação de cadáver e homicídio doloso, quando há a intenção de matar. Na avaliação da equipe de investigação, ela foi negligente no trato com a criança. O Ministério Público também aceitou a denúncia. A prisão temporária vence no domingo, mas um pedido para conversão em preventiva já foi feito - a Justiça deve analisar o caso com urgência.

Onde está o corpo da bebê?

Apesar da confissão do sumiço e do indiciamento, o corpo de Isis Helena não foi encontrado até agora, 54 dias após o sumiço. Até por isso não é possível dizer se a menina realmente morreu engasgada, como sustenta a mãe.

Novas buscas foram realizadas no Rio do Peixe hoje, mas sem sucesso. O manancial, que corta Itapira, deságua no Rio Mogi Guaçu, tem um volume de água muito grande e uma correnteza muito forte. Segundo o coordenador da Defesa Civil da cidade, o nível estava ainda mais alto em março, por causa das chuvas.

"Estamos verificando tudo detalhe a detalhe, trecho por trecho. Até para ajudar, contamos com a ajuda dos pescadores e ribeirinhos, que conhecem bem essa área", detalha Ronaldo Ramos.

Jennifer contou que escolheu o ponto por ser mais próximo de casa. Em uma das contradições no depoimento, disse que ia para uma igreja histórica que fica nas redondezas. A versão foi desmentida pela Polícia Civil, já que no dia do desaparecimento da menina, a área de acesso ao templo estava inundada, e a moto dela não estava suja.

Desde a renúncia do advogado João Pellisser, que deixou o caso após quebra de confiança, Jennifer está sem equipe de defesa. O procedimento padrão é que a promotoria indique um nome, mas isso ainda não aconteceu.

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