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Caso Backer: Polícia Civil indicia 11 pessoas por contaminação em cerveja

Polícia Civil indicia 11 pessoas por contaminação em cerveja no caso Backer - Divulgação/Backer
Polícia Civil indicia 11 pessoas por contaminação em cerveja no caso Backer Imagem: Divulgação/Backer

Bruno Torquato

Colaboração para o UOL, em Betim (MG)

09/06/2020 14h32

A investigação da Polícia Civil de Minas Gerais sobre os casos de intoxicação por monoetilenoglicol e dietilenoglicol presentes nos produtos da cervejaria Backer resultou no indiciamento de 11 envolvidos. A conclusão do inquérito foi divulgada manhã de hoje pela corporação mineira.

Ao todo, o inquérito lista 29 vítimas da síndrome nefroneural, doença causada pela contaminação por produtos tóxicos, sendo sete fatais. Há ainda outras 30 pessoas que reclamam terem sido intoxicadas, mas que estão em análises.

O inquérito apontou técnicos da empresa como os principais responsáveis pela contaminação. Foram indiciados por homicídio culposo, lesão corporal culposa e contaminação de produto alimentar o chefe de manutenção e seis técnicos do setor de produção.

Três integrantes do comando da Backer foram indiciados por contaminação de produto alimentício e, dentro da legislação de Defesa do Consumidor, não dar publicidade a produto alimentar contaminado. Foi indiciado ainda testemunha que mentiu durante depoimento. Os nomes não foram revelados e nenhum pedido de prisão foi realizado.

A contaminação da cerveja Belorizontina aconteceu devido a uma falha na solda do tanque em que a bebida era armazenada no processo de fabricação, porém o principal fator foi o uso dos anticongelantes tóxicos.

"A questão principal não é nem qual dos dois produtos eles usavam, porque ambos são tóxicos. Há o manual do fabricante do tanque dizendo que, para produção de alimentícios, é preciso usar apenas produtos não-tóxicos", disse o delegado responsável pela investigação, Flávio Grossi.

"Os produtos literalmente jorraram dentro do tanque. Se fossem produtos não-tóxicos não estaríamos aqui, o que poderia ter acontecido era uma alteração no sabor ou no teor alcoólico da cerveja", completou.

Flávio ainda destacou que, em uma das vendas para a black friday, um lote foi entregue diretamente a uma rede de supermercados no bairro Buritis, em Belo Horizonte, e por isso um terço das vítimas são moradores da região.

"O supermercado não recebeu as cervejas em seu centro de distribuição e redistribuiu, mas [comercializou] diretamente em uma unidade e por isso dez pessoas foram contaminadas no bairro", disse.

Procurada pela reportagem do UOL, a Backcer diz que "irá honrar com todas as suas responsabilidades junto à justiça, às vítimas e aos consumidores. Sobre o inquérito policial, tão logo os advogados analisarem o relatório, a empresa se posicionará publicamente."

Familiares negam apoio da Backer

Do outro lado da cervejaria estão as vítimas. A reportagem do UOL conversou com Christiani Assis, representante do grupo de famílias afetadas pelo caso. Ela perdeu sua mãe, Maria Augusta, de 59 anos, que bebeu a cerveja e 38 horas depois morreu intoxicada. Ela alega que não recebeu nenhum contato da empresa.

"Não me ligaram, não me falaram nada. Ficaram na promessa", conta Christiani, que espera que a conclusão da investigação traga justiça.

"Esperamos que eles cumpram com urgência o custeio das despesas médicas dos tratamentos para aqueles que sobreviveram. Minha mãe não volta mais, mas quero que eles respondam criminalmente por a terem matado e outras seis pessoas. Eles precisam responder pelo que fizeram".

Já sobre a falta de contato e apoio, Christiani acusa a Backer de "descaso".

"É uma total negligência, foi dentro da fábrica a contaminação, é também uma falta de respeito e cuidado com as pessoas. Estávamos em um momento de alegria. Hoje estamos chocados e tristes", concluiu.

*Com informações da Agência Estado

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