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Após 7 meses, polícia começa a ouvir 31 PMs por mortes em baile funk de SP

Familiares das vítimas se reúnem em ato ecumênico em Paraisópolis, uma semana depois do massacre no Baile da DZ7 - 7.dez.2019 - Marlene Bergamo/Folhapress
Familiares das vítimas se reúnem em ato ecumênico em Paraisópolis, uma semana depois do massacre no Baile da DZ7 Imagem: 7.dez.2019 - Marlene Bergamo/Folhapress

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

06/07/2020 17h24

Só depois de sete meses, a Polícia Civil de São Paulo começou a ouvir, na tarde de hoje, policiais militares suspeitos de terem participado de forma direta ou indireta na morte de nove jovens, entre 14 e 23 anos, em um baile funk na favela de Paraisópolis, zona sul de São Paulo.

Ao todo, 31 PMs serão ouvidos no decorrer da semana. Estão agendados cinco depoimentos por dia no DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa). A ideia da Polícia Civil é que todos deponham até o final de semana.

Ao todo, além dos nove jovens mortos em 1º de dezembro de 2019, no baile da Dz7, outras 12 pessoas ficaram feridas. As famílias das vítimas acusam PMs de terem causado correria dos jovens sem dar espaço para fuga, o que ocasionou pisoteamento.

De acordo com o delegado Fábio Pinheiro Lopes, diretor do DHPP, a demora nos depoimentos ocorreu por causa da epidemia do novo coronavírus e por uma lei feita pelo então ministro Sergio Moro que determina que todo PM só pode ser ouvido depois de ter advogado nomeado.

"O PM tem que estar com a presença de um advogado. O que aconteceu: por causa da covid, vários demoraram para ser citados e a maioria não estava conseguindo constituir advogado", afirmou o delegado ao UOL.

"Como muitos dos PMs não tinham dinheiro para pagar advogado, tinha que pegar advogados da PM, da Caixa Beneficente, do convênio deles. Esses advogados tinham que ter datas disponíveis e alegavam que não podiam comparecer aqui por causa do covid", explicou.

De acordo com o delegado, isso tem adiado os trabalhos no DHPP. "Fiz uma consulta na assessoria jurídica da pasta para dispensar os PMs dessa citação. Na minha opinião, acho que ela só é válida quando eles são indiciados", afirmou.

"Quando são indiciados, têm que comparecer com advogado e ser citados antes. Agora, às vezes nem como vítima a gente pode ouvir o PM, do jeito que a lei está sendo interpretada. Isso está fazendo o trabalho ficar demorado", complementou.

Relatório interno da PM, presidido pela Corregedoria da corporação, inocenta os policiais. Segundo a PM, os policiais foram recebidos a pedradas e garrafadas. A Corregedoria citou laudo que apontou que os jovens ingeriram entorpecentes.

Para familiares das vítimas, além de matar os jovens, a PM foi responsável por tentar manchar a imagem dos que morreram e ficaram feridos.

Segundo a Polícia Técnico-Científica, a causa das mortes foi asfixia mecânica provocada por sufocação indireta, provavelmente em decorrência do pisoteamento. O jovem Mateus dos Santos Costa, de 23 anos, foi o único que teve outra causa: lesão na coluna.

Os nove jovens mortos em Paraisópolis:

  • Marcos Paulo Oliveira dos Santos, 16 anos;
  • Bruno Gabriel dos Santos, 22 anos;
  • Eduardo Silva, 21 anos;
  • Denys Henrique Quirino da Silva, 16 anos;
  • Mateus dos Santos Costa, 23 anos;
  • Dennys Guilherme dos Santos Franca, 16 anos;
  • Gustavo Cruz Xavier, 14 anos;
  • Gabriel Rogério de Moraes, 20 anos;
  • Luara Victoria de Oliveira, 18 anos.

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