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Soldado achado morto dentro do Exército no AM não sofreu tortura, diz laudo

O 7° Batalhão de Polícia do Exército (7°BPE), em Manaus - Divulgação
O 7° Batalhão de Polícia do Exército (7°BPE), em Manaus Imagem: Divulgação

Abinoan Santiago

Colaboração para o UOL, em Ponta Grossa (PR)

08/09/2020 16h17

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) do Amazonas sobre a causa da morte do soldado Jhonatha Corrêa Pantoja, de 18 anos, em uma unidade do Exército, em Manaus, não conseguiu identificar marcas de agressão física no corpo do militar. Ele foi achado morto com um tiro no peito em 3 de agosto. A família contesta a perícia e ainda acredita que o soldado tenha sido vítima de tortura.

O UOL teve acesso ao laudo do IML. O documento de quatro páginas conclui que Jhonatha morreu por "anemia aguda hemorrágica, consequente a ferida cardíaca e pulmonar grave, decorrente de lesão de arma de fogo". O laudo foi solicitado pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) de Manaus e pelo 7º Batalhão da Polícia do Exército, que apura internamente o fato.

Em uma das perguntas, as investigações questionam se houve uso de "veneno, fogo, asfixia, tortura ou meio cruel" como causa da morte. O IML respondeu que "não".

A suposta tortura surgiu após familiares terem identificado hematomas no corpo de Jhonatha. As marcas estariam no nos dedos, braços, costas e cabeça. Eles chegaram a fazer dois protestos pedindo esclarecimentos em relação à causa da morte. Um ocorreu em Manaus, em frente ao Comando Militar da Amazônia (CMA), e outro em Borba, cidade natal do soldado, a 143 quilômetros de Manaus.

Família quer laudo mais detalhado

Os parentes de Jhonatha também receberam o laudo. Eles não se conformam com o resultado da necropsia em razão das marcas no corpo do jovem.

A família contratou um advogado para acompanhar o caso. A defesa prepara uma petição para requerer outro laudo mais detalhado sobre a causa da morte e explicações em relação aos supostos hematomas no corpo do soldado.

"Nós não aceitamos o laudo como foi produzido, de qualquer jeito. Temos fotos de machucados e hematomas que não mentem. Não precisa nem ser perito para ver isso. Tem perfurações nas costas e na cabeça. Queremos um esclarecimento mais detalhado porque esse documento não condiz com o que, de fato, aconteceu naquele dia", contesta o tio Valdionor Marciel.

IML ratifica necropsia; apuração é sigilosa

Em nota ao UOL, o IML reforça que "ao receber o corpo da vítima para a necropsia, não foram identificadas lesões de suposta agressão física. A forma como o corpo foi recebida está documentada em fotografias".

Em relação a supostas fotos "que circulam na internet" que aparentam apontar hematomas em Jhonatha, o órgão diz que elas "são diferentes das imagens do corpo no Instituto Médico Legal e que foram retiradas quando o corpo já tinha deixado as dependências do IML para o processo de preparação para ser velado".

O CMA informou, também em nota, que o responsável por coordenar o Inquérito Policial Militar (IPM) já recebeu o laudo do IML, que é "uma das peças que compõem" a investigação. A apuração é sigilosa e está dentro do prazo de 40 dias, podendo ser prorrogado por mais 20.

Morte de soldado

Jhonatha foi encontrado morto na madrugada de 3 de agosto no 7º Batalhão da Polícia do Exército, em Manaus. Ele estava com marca de disparo de fuzil no peito e chegou ao Hospital 28 de Agosto já sem vida.

O soldado estava no primeiro ano no Exército. Ele mudou de Borba para Manaus para realizar o sonho de seguir a carreira militar. Jhonatha também foi aprovado em um teste para goleiro em um time da capital amazonense, mas decidiu continuar servindo ao Exército.

A despesa do traslado do corpo de Jhonatha para Borba foi custeada pela prefeitura da cidade. O enterro dele mobilizou a população e muitos acompanharam o cortejo até o cemitério.

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