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4 meses

Paciente se solta em ala psiquiátrica, agride jovem e o deixa paralisado

 Thiago Barduco deu entrada no hospital no dia 30 de setembro após uma crise depressiva - Reprodução/Instagram
Thiago Barduco deu entrada no hospital no dia 30 de setembro após uma crise depressiva Imagem: Reprodução/Instagram

Felipe Munhoz

Colaboração para o UOL, em Lençóis (BA)

14/10/2020 12h53Atualizada em 15/10/2020 09h23

Um jovem de 19 anos foi agredido por um colega de quarto na ala psiquiátrica do Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande (SP), e está internado em estado grave, sem conseguir se mover. Thiago Barduco deu entrada no hospital no dia 30 de setembro após uma crise depressiva e seria liberado no dia seguinte.

Por conta do novo coronavírus, nenhum integrante da família pôde acompanhar o rapaz. No dia seguinte, segundo o hospital informou à família, outro rapaz da mesma ala se soltou da maca e agrediu Thiago na cabeça, onde sofreu cortes, teve diversas lesões no cérebro e também fraturas na face.

A tia do rapaz pediu ajuda nas redes sociais e disse que a família está desesperada para que o jovem volte para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), pois no quarto, onde ele se encontra atualmente, o quadro clínico não está tendo melhora. O hospital afirmou em nota que o paciente saiu da UTI por apresentar melhora no quadro.

thiago - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Thiago Barduco ao lado da tia
Imagem: Reprodução/Instagram

De acordo com a tia de Thiago, Michele Barduco, o jovem ficou em estado irreconhecível e o hospital transferiu ele para a emergência e não para UTI. "Brigamos para ele ser levado para a UTI porque ele estava convulsionando, aí conseguiram uma vaga na UTI. Ficou alguns dias, porém na segunda-feira (12) colocaram ele em um quarto fora da UTI e o quadro está se agravando", disse ela.

"Ele já não faz sinais com os olhos e nem com a cabeça. O lado direito do rosto paralisou. Um descaso, preciso de uma vaga para UTI urgente. Ele precisa de cuidados para se recuperar. Todos estamos desesperados. Por favor, me ajudem a salvar a vida dele, não permitam que mais uma vida se vá por descaso na saúde dessa cidade", desabafou a tia nas redes sociais.

Ela também afirma que o rapaz que agrediu o sobrinho recebeu alta e pediu Justiça.

"Eu quero que o hospital esclareça. Quero que o hospital mostre documentos que comprovem que este rapaz tem, realmente, problemas psicológicos. Se ele não tiver problemas psicológicos, ele tem que ser preso. Foi uma tentativa de homicídio. Ele tentou matar o meu sobrinho. Isso não pode ficar impune", disse Michele, emocionada no vídeo.

Hospital diz que o jovem teve melhora

O UOL entrou em contato com a assessoria de imprensa do hospital e solicitou informações sobre o ocorrido, sobre o quadro clínico de Thiago e também pediu para entrevistar o responsável pelo setor. O hospital respondeu às solicitações através de nota.

"A direção do Hospital Municipal Irmã Dulce esclarece que o paciente em questão segue recebendo toda a assistência necessária ao seu caso, tendo alta da UTI em 8/10, após apresentar melhora em seu quadro de saúde. Ele segue internado na unidade, acompanhado pela equipe de neurocirurgia. A conduta médica adotada previa sedação ao paciente, que já está sendo retirada gradativamente, para avaliação de seu estado geral e continuidade de seu tratamento", diz o comunicado.

O Hospital afirmou lamentar o ocorrido e se tratar de "um caso isolado, decorrente da ação individual de um paciente, apesar das medidas de segurança rotineiramente adotadas no local. Inclusive, um Boletim de Ocorrência foi registrado sobre o caso."

O UOL entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo em busca de informações sobre o boletim de ocorrência registrado pela família e sobre as investigações do caso.

No entanto, a SSP informou apenas que o caso foi registrado no 1º DP de Praia Grande, que apura os fatos, e que "o autor agrediu a vítima e funcionários da ala psiquiátrica do Hospital Irmã Dulce e foi contido no local".

Errata: o texto foi atualizado
A versão inicial do texto indicava que o paciente deu entrada em 30 de outubro, porém, foi em setembro. A informação foi corrigida.

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