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Conteúdo publicado há
11 meses

Ciclista de 28 anos morre atropelada em SP; motorista fugiu

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

08/11/2020 14h39Atualizada em 08/11/2020 21h04

A pesquisadora e cicloativista Marina Harkot, 28, morreu no início da madrugada de hoje após ser atropelada enquanto andava de bicicleta em uma via do bairro de Pinheiros, em São Paulo. Ela não resistiu e morreu no local. O motorista fugiu sem prestar socorros.

O episódio ocorreu pouco depois da meia-noite deste domingo (8), na avenida Paulo VI, próximo à rua João Moura. Mariana Braga, enfermeira e policial militar que estava de folga, passava pelo local quando percebeu uma movimentação. Ela conta que não chegou a presenciar o atropelamento, mas decidiu parar para prestar assistência ao ver a ciclista caída no chão.

"Estava passando de carro com um amigo e vi ela já caída na via. Dois médicos também pararam para tentar socorrer", conta. Mariana acionou o Samu e a Polícia Militar, mas, segundo ela, a ciclista já estava sem vida.

Pouco depois, de acordo com Mariana, um motoqueiro que disse ter seguido um Hyundai Tucson após ver o carro atingir a ciclista e, em seguida, fugir, apareceu no local. Ele informou o que seria a placa do veículo.

O caso foi registrado no 14º DP, em Pinheiros. A identificação do carro consta do documento, mas não há a confirmação de quem estava dirigindo. Em nota enviada ao UOL, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) informou que a Polícia Civil tenta identificar o condutor (veja mais abaixo).

Cicloativista há pelo menos oito anos, Marina era cientista social pela USP (Universidade de São Paulo), ativista feminista e pesquisadora de mobilidade urbana. Em 2018, concluiu um mestrado pela FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP) com a dissertação de título "A bicicleta e as mulheres: mobilidade ativa, gênero e desigualdades socioterritoriais em São Paulo".

Marina era pesquisadora colaboradora do LabCidade (Laboratórios do Espaço Público e Direito à Cidade), ligado à FAU. Ela tinha em curso uma pesquisa de doutorado, também pela FAU, em que estudava a segregação socioterritorial a partir de abordagens de gênero, raça e sexualidade.

Marina Harkot - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Marina era pesquisadora e ativista de pautas ligadas à mobilidade urbana
Imagem: Arquivo pessoal

Brilhante, querida e carismática

A arquiteta Carol La Terza, amiga de Marina, diz que a ciclista estava voltando para casa, na noite de ontem, após ter visitado uma outra conhecida. "Ela costumava fazer esse caminho, era o preferido dela", diz.

Carol, que também é cicloativista, conta que conheceu Marina pedalando. "Oito anos atrás eram poucas mulheres que pedalavam em São Paulo. Ficamos muito amigas de cara e meio que viramos unha e carne uma da outra", diz.

Ela descreve Marina como uma pessoa "brilhante, querida e carismática". "Só machuca mais o fato de a gente perder uma das melhores pessoas dessa pauta da mobilidade, e desse jeito, ainda por cima".

A arquiteta diz que a perda da amiga será sentida por toda a rede de cicloativistas de São Paulo e afirma que vai tirar forças para continuar batalhando pela pauta.

"Como mulher e como ciclista, vou continuar pedalando. Não vou sair da rua de jeito nenhum. Acho que é o que a Marina faria", diz.

Um ato de homenagem a Marina e de protesto contra as mortes no trânsito deve acontecer a partir das 17h de hoje na Praça do Ciclista, na região da avenida Paulista.

Polícia tenta identificar condutor, diz secretaria

Procurada pelo UOL, a SSP informou, em nota, que policiais do 14º DP "realizam diligências em busca de elementos que auxiliem na identificação e localização do condutor do veículo". "A autoridade policial está à disposição para prestar esclarecimentos aos familiares da vítima", diz o texto.

De acordo com a secretaria, "uma policial militar de folga estava pelo local e presenciou o atropelamento. Ela conseguiu anotar a placa do carro, um Hyundai Tucson, e prestou os primeiros atendimentos à vítima. Os PMs constaram pelo sistema Detecta que o automóvel passou por diversas vias próximas ao acidente momentos antes". A policial militar, no entanto, nega que tenha visto o atropelamento e diz que quem informou a placa do carro foi um motoqueiro.

A SSP afirma que o delegado conseguiu contato com o homem que consta como proprietário do veículo, mas que ele disse ter vendido o carro em 2017. Segundo a secretaria, o homem se comprometeu a apresentar o documento de transferência de propriedade do automóvel à polícia.

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