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Presidente da Fundação Palmares diz que Lobato fez dele um "negro melhor"

Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares, em entrevista à imprensa após encontro com o presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto em Brasília - Renato Costa/FramePhoto/Folhapress
Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares, em entrevista à imprensa após encontro com o presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto em Brasília Imagem: Renato Costa/FramePhoto/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

23/12/2020 10h11

O presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, fez críticas ao movimento negro nas redes sociais hoje ao dizer que deveriam priorizar a leitura de Monteiro Lobato ao invés de ouvir artistas como Emicida e Mano Brown.

Camargo afirmou que a leitura do autor fez dele "um preto melhor que os vitimistas rancorosos e ignorantes que militam contra a união do povo brasileiro", afirmando que o racismo é um "eterno ressentimento do passado".

No Dia da Consciência Negra deste ano, Sérgio Camargo negou que exista racismo estrutural no Brasil. Na perspectiva dele, essa seria uma ideia de "esquerda" que não tem fundamento.

"Não existe racismo estrutural no Brasil; o nosso racismo é circunstancial - ou seja, há alguns imbecis que cometem o crime. A "estrutura onipresente" que dia e noite oprime e marginaliza todos os negros, como defende a esquerda, não faz sentido nem tem fundamento", escreveu nas redes sociais.

Racismo nas obras de Monteiro Lobato

O clássico infantil brasileiro O Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato, tem trechos com conotação racista e que passaram a ser contestadas. Um dos exemplos é a representação da Tia Nastácia, personagem descrita como "negra beiçuda".

Ao longo da obra, outros termos pejorativos são usados para inferiorizar a personagem em função da sua cor. Nastácia foi a única que não passou por mudanças visuais desde o primeiro momento em que apareceu nos livros, na obra A menina do narizinho arrebitado, que completou 100 anos em 2020.

Como uma forma de reparação histórica, a bisneta do escritor, Cleo Monteiro Lobato, suprimiu termos racistas nas reedições de livros.

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