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AP: Ativista diz ter sido preso por filmar abordagem policial; PM nega

Abinoan Santiago

Colaboração para o UOL, em Florianópolis (SC)

11/01/2021 16h11

O empreendedor e ativista do movimento negro Carliomar Silva, de 26 anos, foi preso anteontem enquanto filmava uma abordagem da PM (Polícia Militar) contra um morador durante uma manifestação na Rua Leopoldo Machado, no bairro Jesus de Nazaré, em Macapá, no Amapá.

O ato cobrava da prefeitura uma faixa de pedestre na via após o atropelamento de uma criança de seis anos na noite de sexta-feira (8). Em nota, a PM disse que houve "obstrução" por parte dele.

O ativista diz que participava do protesto quando foi preso por pegar o celular para filmar a detenção do morador. Nas imagens, Silva repudia a abordagem da PM enquanto registra a ação em um vídeo selfie. Em determinado momento, um dos militares exige que o manifestante se afaste. Em seguida, outro policial aparece tentando tomar o celular. O aparelho cai ao chão e continua registrando a ação por outros manifestantes até o jovem entrar algemado na viatura.

"A PM chegou rápido na manifestação. Negociamos que iríamos liberar a via depois que algum representante da prefeitura chegasse para dar uma resposta ao nosso pedido. Nisso, a polícia pegou um dos manifestantes, um morador que estava no ato. Eu precisava gravar. A minha intenção era a libertação dele porque já se encontrava algemado e a polícia veio para cima pegar as filmagens", contou Silva.

O ativista diz ter sido jogado ao chão por mais de um policial e levado para a delegacia em uma viatura. Ele recebeu apoio jurídico de entidades de movimentos negro, sendo liberado por volta de 20h para responder o boletim de ocorrências em liberdade. Silva adianta que pretende reunir os registros e testemunhas para denunciar os militares à Corregedoria-Geral da PM.

"Fui agredido e as filmagens mostram isso. Eles queriam me intimar e fui preso porque estava simplesmente filmando a abordagem. Agora estou vendo com os advogados para fazer a denúncia na corregedoria o quanto antes", aponta o ativista de movimento negro e de favelas, em Macapá.

PM cita obstrução

Ao UOL, a PM nega que a prisão que gerou a revolta do ativista tenha sido por causa da manifestação. O homem estaria com porções de drogas e se infiltrou no meio do protesto para escapar do flagrante. Já em relação ao ativista, a PM informou que a detenção aconteceu por obstrução de serviço policial.

"Ele tentou impedir a prisão do outro indivíduo que estava com as drogas, inclusive tentando pegar a arma de um dos militares. Por isso foi apresentado por obstrução junto com o outro suspeito na delegacia", explicou o tenente Josiagab Oliveira, da PM do Amapá.

A Polícia Militar ainda frisa que o ativista também estava com drogas após a revista. O manifestante nega. "Foi um forjamento porque estava na delegacia com essa outra pessoa", se defende.

PM diz que cidadão pode filmar ações e nega racismo

A Polícia Militar orienta que não existe restrição sobre registros de ações policiais, mas alerta que o cidadão deve obedecer ao perímetro imposto pela equipe.

"Nenhum cidadão é proibido de fazer filmagens. O que acontece é que em uma ocorrência existe um perímetro de segurança. Qualquer pessoa pode registrar, mas desde que não ultrapasse esse limite e nem tente obstruir a abordagem. Não sabemos se a pessoa está com celular ou arma de fogo", recomendou o tenente.

O oficial ainda frisou que não existiu na ocorrência qualquer prática de eventual racismo contra os manifestantes. "Essa ocorrência não tem nada a ver com questão racial nem pela manifestação em si. Foram situações a parte disso", garante.

Prefeitura não dá prazo para faixa em rua

O menino de seis anos que sofreu o atropelamento na Rua Leopoldo Machado, em Macapá, encontra-se internado no Hospital de Emergências (HE). O quadro clínico do garoto é estável.

Questionada pelo UOL, a prefeitura informou que "estuda a possibilidade da inclusão de faixa de pedestre elevada ou semáforo" na rua, mas ainda sem prazo para ocorrer.

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