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Polícia passa a tratar Jairinho e mãe de Henry como investigados por morte

Em reconstituição, polícia tentou averiguar hipóteses sobre ferimentos sofridos por Henry  - Reprodução/TV Record
Em reconstituição, polícia tentou averiguar hipóteses sobre ferimentos sofridos por Henry Imagem: Reprodução/TV Record

Tatiana Campbell

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

05/04/2021 16h35Atualizada em 08/04/2021 16h35

A Polícia Civil do Rio de Janeiro passou a tratar o vereador e médico Dr. Jairinho (Solidariedade) e sua namorada Monique Medeiros, como investigados pela morte de Henry Borel, de 4 anos, que deu entrada sem vida em um hospital da cidade no dia 8 de março.

Padrasto e mãe do menino, os dois não compareceram à reconstituição da morte de Henry, realizada na semana passada no apartamento do parlamentar na Barra da Tijuca, zona oeste da capital carioca.

A defesa alegou que ambos estão abalados emocionalmente - com Monique apresentando um quadro de depressão - e que os dois não tinham tempo hábil para se programar.

Segundo a polícia, o laudo da reconstituição deve ficar pronto até este final de semana. Apesar de investigados, até o momento, a possibilidade de prisão do casal não é algo comentado pelas autoridades.

O advogado de Jairinho e Monique conversou com o UOL e disse que aguarda uma resposta da polícia ao seu pedido de uma nova reprodução simulada, desta vez com a presença da mãe e padrasto.

"Na melhor data para as autoridades. Só pedimos que seja avisado com 96 horas de antecedência. Ainda estamos aguardando. Eles são testemunhas de um episódio", falou André França ao ser questionado sobre o dia em que aconteceria a nova reconstituição, que tentou averiguar versões plausíveis para os inúmeros machucados encontrados no corpo do menino.

Na simulação realizada no último dia 1º, a Polícia Civil levou em consideração as versões apresentadas por Jairinho e Monique - de que o menino teria caído da cama.

Os agentes analisaram algumas possíveis quedas sofridas por Henry: a partir da escrivaninha que fica ao lado da cama do casal, da poltrona, um salto da cama para o chão ou uma queda da própria altura.

O laudo de necropsia de Henry aponta que a criança sofreu "múltiplos hematomas no abdômen e nos membros superiores", "infiltração hemorrágica" na parte frontal, lateral e posterior da cabeça, "grande quantidade de sangue no abdômen", "contusão no rim" e "trauma com contusão pulmonar".

A Polícia Civil do Rio criou uma força-tarefa com diferentes áreas e especialidades de investigadores para tentar esclarecer a morte. Os agentes aguardam a conclusão da perícia nos telefones da mãe e do padrasto do menino. Algumas mensagens foram apagadas, obrigando a utilização de uma tecnologia capaz de recuperar esses dados excluídos.

O pai do menino, Leniel Borel, chegou a organizar uma carreata para a tarde de hoje com o objetivo de pedir justiça pela morte do filho, porém o evento foi adiado. Ao UOL, o engenheiro falou que momentos após a morte de Henry, Jairinho teria dito: "Vida que segue. Faz outro filho".

Leniel disse ainda que seus advogados irão entrar com uma petição solicitando que ele seja ouvido novamente pelos policiais já que quer colaborar com novas informações. "Vamos deixar a polícia fazer o trabalho dela sem pressão. Esperamos uma resposta em breve", disse.

Até o momento o delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), já ouviu 17 pessoas. A polícia aposta nas provas periciais para conseguir concluir o inquérito.

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