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'Ele é uma pessoa maluca, um agressor', diz ex de Jairinho que o denunciou

O vereador Jairinho, do Solidariedade, é padrasto de Henry, de 4 anos, que morreu no último dia 8 de março - Divulgação/Câmara Municipal do Rio
O vereador Jairinho, do Solidariedade, é padrasto de Henry, de 4 anos, que morreu no último dia 8 de março Imagem: Divulgação/Câmara Municipal do Rio

Do UOL, em São Paulo*

05/04/2021 10h04Atualizada em 08/04/2021 16h36

Uma das ex-namoradas do médico e vereador Dr. Jairinho (Solidariedade), padrasto do menino Henry Borel, de 4 anos, que morreu no dia 8 de março, no Rio de Janeiro, afirmou que considera o parlamentar "uma pessoa maluca". A mulher, que é mãe de uma menina de 13 anos, também denunciou as agressões de Jairinho contra ela e a filha enquanto esteve em um relacionamento com o médico.

"Eu tenho medo porque ele [Jairinho] demonstra ser uma pessoa completamente diferente do que ele realmente é. Na verdade, para mim, ele é uma pessoa maluca, um agressor. Uma pessoa completamente desequilibrada e diferente de tudo que ele estava mostrando anteriormente. Ao ponto de, por exemplo, eu chegar da rua, ele está escondido do lado da rua atrás da árvore", relatou a mulher ao jornalista Roberto Cabrini no programa Domingo Espetacular, da TV Record.

A cabeleireira de 31 anos teve um relacionamento de dois anos com Jairinho depois de conhecê-lo enquanto ela trabalhava em uma campanha política do pai do médico, o ex-PM e ex-deputado estadual Jairo de Souza Santos. Segundo ela, no começo da relação dos dois, a ex-mulher do parlamentar chegou a procurá-la para dizer que ainda era casada com o vereador.

A partir disso, a cabeleireira começou a ficar atenta sobre outras mentiras que o homem poderia estar dizendo e conta que, neste momento, o parlamentar "começou a mostrar o lado dele que eu não conhecia. O lado de perseguição, o lado de ciúme". A mulher relatou episódios de ciúmes do vereador que chegou até a pegá-la pelo pescoço e rasgar sua roupa no meio da rua.

De acordo com a mulher, o parlamentar também agredia a filha dela, com 4 anos à época, com cascudos e afundava a menina embaixo da água "até ela perder a respiração e subia de novo ela [à superfície]".

A polícia abriu uma nova investigação paralela ao caso Henry após o depoimento da menina, hoje com 13 anos, que teria sido agredida pelo ex-padrasto. No relato à DCAV (Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima), que durou cerca de 5 horas, a garota, que não teve o nome divulgado, na presença de um psicólogo, contou que era agredida frequentemente por Jairinho há 8 anos.

A ex-namorada também afirmou que acha que Jairinho seria capaz de agredir Henry depois de ouvir os relatos das agressões que a filha teria sofrido do médico. Segundo ela, alguns deles coincidem com as vivências do menino, como vomitar de nervosismo e preferir ficar com outras pessoas em vez do padrasto.

"Eu acho que sim [Jairinho seria capaz de agredir Henry] porque se ele agrediu a minha filha que tinha praticamente a mesma idade, por que não poderia ter feito com outras pessoas?."

Para a denunciante, o ex-namorado "tem o poder de persuasão incrível" e explica que foi enganada pelo parlamentar de diferentes formas. Anteriormente, ela chegou a dizer que passou "os piores dias da minha vida" ao lado do vereador.

"Ele [Jairinho] assim, ele conseguiu me enganar de várias maneiras. Não sei como ele consegue mostrar ser uma pessoa delicada, gentil, atenciosa... e, ao mesmo tempo, ser um cara que bate em criança", falou a mulher que crê que a razão da morte de Henry será descoberta. "Uma hora a verdade vai aparecer, com toda certeza, eu não tenho dúvida disso."

Advogado de Leniel aponta 'traços de tortura' em supostas agressões

Leonardo Barreto, advogado de Leniel Borel, pai de Henry, disse que o depoimento da adolescente indica um comportamento agressivo de Jairinho com os filhos de ex-namoradas. O advogado denomina as agressões que a menina teria sofrido como uma violência "com traços de tortura e de uma conduta que beira o sadismo".

Ficou muito claro na minha cabeça que se trata de um comportamento agressivo ao extremo e de uma conduta que beira ao sadismo. Porque ele [Jairinho] tem traços de tortura. O tipo penal registrado na DCAV foi de tortura. O que ele praticou, a princípio, com a menininha foi uma tortura. Foram causadas grandes lesões, de grandes sofrimentos físicos e mentais nessa criança sem que deixasse marca alguma ou resquícios probatórios", diz Leonardo Barreto

Leniel ainda questionou a versão de Monique Medeiros, mãe de Henry, de acreditar que as lesões encontradas no corpo possam ter sido causadas pela própria criança ao se desequilibrar ou tropeçar no encosto da poltrona do quarto, fazendo com que ele caísse no chão.

"Como eu vou falar para todos os pais que estão aí no Brasil que uma criança cai da cama hoje e pode ser laceração hepática, hemorragia interna. E depois quando eu olho o laudo final do IML [Instituto Médico Legal] tem baço envolvido, a cabeça do meu filho com vários galos. Como é que a gente vai falar para todo o povo brasileiro, pais, que uma queda simples de cama possa acontecer isso?."

Defesa de Jairinho nega acusações

A defesa de Jairinho e Monique, André Barreto, informou que o parlamentar está "seguro da verdade" e nega as acusações de agressões. Inclusive, a defesa possui relatos de testemunhas que presenciaram o relacionamento do médico com a cabeleireira e questionam a veracidade dos depoimentos da mulher.

"Estamos a todo tempo municiando as autoridades diante dos questionamentos que vêm [ao nosso conhecimento] através da mídia sobre contradições, supostas namoradas, agressões, apontando testemunhas, trazendo provas documentais, tudo para municiar as autoridades com a tranquilidade da inocência."

E continua: "Não procede, absurda, descabida [a denúncia de agressão da ex-namorada e da filha dela]. E mais do que a palavra do Jairinho, a gente trouxe muito além do que isso. Nós trouxemos testemunhas que revelam que isso é extremamente incabível. Ele segue muito confiante, muito seguro da verdade".

Procurada pelo UOL na última semana, a defesa de Jairinho informou que a mulher decidiu "caluniar" o político "por se tratar de uma ex-namorada abandonada no altar, após tatuar o seu nome [Jairinho] no braço".

"Na visão dela [da cabeleireira], tratou-se de uma situação extremamente humilhante, causando ódio e a promessa de vingança. O momento atual, no qual o Requerente [Jairinho] está em evidência, em decorrência do falecimento do menino Henry, mostrou-se oportuno para [nome da mulher] desferir as mentiras sobre a relação, frise-se, de aproximadamente 10 anos atrás", concluíram os advogados.

De acordo com a ex-namorada, ela nunca casou com o parlamentar, mas se fosse verdade, isso não justificaria as agressões que a filha dela teria sofrido.

"Não é surpresa para mim ele [Jairinho] querer mentir para livrar ele, para tentar amenizar a situação dele. Ele vai inventar alguma coisa porque a verdade é contra ele. Não, eu nunca nem casei com ele para ser abandonada no altar. A gente nem teve cerimônia de casamento, não teve nada disso, a gente nunca casou. Nem que fosse verdade, nada justifica o que ele fez com a minha filha", finaliza.

*Com informações de Tatiana Campbell em Colaboração para o UOL, no Rio