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15 dias

ES: Mãe e filha esperam cerca de uma semana por UTI e morrem com covid-19

Dilzete Machado Bitti (à esq.) e Arlete Rangel (à dir.) morreram com covid-19 após aguardarem vagas na UTI de Vitória (ES) - Arquivo Pessoal
Dilzete Machado Bitti (à esq.) e Arlete Rangel (à dir.) morreram com covid-19 após aguardarem vagas na UTI de Vitória (ES) Imagem: Arquivo Pessoal

Vinícius Rangel

Colaboração para o UOL, em Vitória (ES)

15/04/2021 08h17

Com covid-19, Arlete Rangel e Dilzete Machado Bitti, mãe e filha, morreram após esperarem por vagas em uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no Espírito Santo.

As idosas, de 87 e 64 anos, moravam juntas em Vitória e foram internadas no pronto-socorro de São Pedro, no dia 2 de abril. Dilzete chegou a esperar cinco dias para ser transferida a um leito de UTI. Quando aconteceu a transferência, o quadro, segundo a família, já havia se agravado muito, e ela morreu no dia seguinte.

"Elas chegaram mal ao hospital, no mesmo dia. Quando minha tia foi levada na ambulância, a intubaram. Ela tinha tido uma melhora no quadro, mas piorou muito e morreu no dia seguinte", contou Francielly Machado, sobrinha de Dilzete, ao UOL.

Cinco dias depois, Arlete conseguiu vaga na rede estadual. Ela ficou dez dias aguardando a liberação de um leito de UTI, que, segundo a família, havia sido solicitado pelo médico no segundo dia de internação. Ela foi transferida na segunda-feira (12) e morreu na terça (13).

"É angustiante a gente ver como está toda essa situação. Eu tive que sair implorando ajuda de muitas pessoas pra conseguir que alguém me ouvisse e nos ajudasse. Perdi duas pessoas que eu amava muito. Está sendo muito difícil", desabafou Francielly.

De acordo com a família das vítimas, Arlete, a filha mais velha, já tinha problema cardíaco, estava em estado grave e corria risco de morte. Ela foi enterrada ontem à tarde, no cemitério Jardim da Paz, na Serra.

Após as duas mortes na família, outros cinco parentes foram submetidos a exames, tiveram resultado positivo para a covid-19 e estão em isolamento social.

Secretaria de Saúde negou demora na liberação de leito

Por meio de nota enviada ao UOL, a Secretaria Estadual de Saúde lamentou o falecimento de Dilzete, mas afirmou que em nenhum momento a paciente ficou desassistida e que não houve demora por parte do órgão.

"Na primeira solicitação de leito feita pelo Pronto Atendimento, em 2 de abril, o quadro clínico descrito no Sistema de Regulação não apresentava critérios para internação em Unidade de Terapia Intensiva. Após piora clínica, o Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência] fez a transferência da paciente, em 7 de abril, de acordo com a disponibilidade de leito", informou.

Sobre Arlete, a pasta comunicou que ela recebeu todos os cuidados disponíveis.

"Não está sendo utilizado o critério de idade como norteador de leito, mas sim a gravidade clínica dos pacientes que estão sem recurso de assistência. Todos os pacientes são transferidos de acordo com a prioridade clínica relatada pelo serviço de saúde", explicou o órgão.

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