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Bebê indígena morre de covid após viajar por 3 dias de barco até o hospital

O Hospital Geral de Feijo é o mais próximo da Aldeia Nova Floresta  - Reprodução/Google Street View
O Hospital Geral de Feijo é o mais próximo da Aldeia Nova Floresta Imagem: Reprodução/Google Street View

Jean Sfakianakis

Colaboração para o UOL em São Paulo

23/04/2021 15h54Atualizada em 23/04/2021 15h54

Uma bebê indígena de 2 meses morreu por complicações da covid-19 há pouco mais de uma semana, na quinta-feira (15), após passar três dias em um barco rumo ao Hospital Geral de Feijó, a cerca de 350 km de Rio Branco (AC).

Segundo uma funcionária do hospital, a criança, identificada como Bianca Kampa, do povo Ashaninka, chegou ao local com a saúde já bastante debilitada.

A viagem de três dias de barco pelo Rio Envira liga a Aldeia Nova Floresta ao hospital em Feijó, que é o mais próximo da comunidade indígena. Segundo uma funcionária da gerência da unidade de saúde, a menina chegou ao local com a saturação de oxigênio baixa.

"A paciente deu entrada com dispneia, com Spo2 [saturação] 76%, foram realizados todos os procedimentos possíveis e cabíveis, infelizmente no mesmo dia que deu entrada veio a óbito, devido ao estado de saúde crítico que a criança se encontrava", lamentou ela, ao UOL.

A CPI-Acre (Comissão Pró-Índio do Acre) informou o falecimento por meio de boletim epidemiológico, divulgado no dia 21 de abril.

"Foram confirmados 4 novos casos de covid-19, sendo dois indígenas infectados do povo Yawanawa, na TI Gregório, e um do povo Ashaninka, em Marechal Thaumaturgo. Também foi registrado óbito de um bebê de 2 meses, do povo Ashaninka, em Feijó", mencionou.

Desde o início da pandemia, o Acre contabilizou 2.575 casos de indígenas contaminados com coronavírus, dentre os quais 31 morreram. Ao todo, 14 povos foram afetados.

Já os dados de imunização divulgados pelo DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena) revelam que, até o momento, 7.003 indígenas foram vacinados com a 1ª dose e 4.578 receberam 2ª dose no estado.

A reportagem entrou em contato com a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) por meio do Ministério da Saúde para obter mais detalhes sobre o óbito da bebê, mas não obteve resposta até a publicação da matéria.

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