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Pais encontram corpo de filha durante buscas em creche atacada em SC

Fachada da CEI Pró-Infância Aquarela, em Saudades (SC), local onde ocorreu ataque com facão - Jessica Edel/Colaboração para o UOL
Fachada da CEI Pró-Infância Aquarela, em Saudades (SC), local onde ocorreu ataque com facão Imagem: Jessica Edel/Colaboração para o UOL

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Saudades (SC)

04/05/2021 17h06Atualizada em 05/05/2021 10h10

Em poucos segundos a notícia do ataque ao CEI (Centro de Educação Infantil) Pró-Infância Aquarela se alastrou pelos moradores de Saudades (SC) na manhã de hoje. Sem informações oficiais, muitos decidiram ir por conta própria para a instituição de ensino. Foi o caso da família de uma menina de um ano e oito meses, que pediu ao UOL não identificá-la, e foi uma das cinco pessoas mortas no ataque.

Inicialmente não a acharam, procuraram em tudo na creche e nada. Até que o pai dela deu a volta pelo lado de fora da escola e encontrou a menina caída no chão em uma sala trancada."
Nilsa, 56, avó da menina

A avó explica que só soube do ocorrido por volta das 11h, quando ligaram do hospital onde estava a mãe da menina internada. No local, Nilsa encontrou a filha desolada com a morte da criança.

A menina era a alegria da família e, aos finais de semana, encontrava-se com a prima V., de dois anos, que vinha do interior da cidade para brincar com ela. Pai de V. e tio da aluna morta na creche, o agricultor Ederson, 38, estava incrédulo horas após o crime.

Ainda não estou acreditando no que aconteceu. Foi uma perda bem drástica
Ederson, tio de aluna morta em creche

Para ele, o ataque é um reflexo do discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em defesa ao uso de armas pela população. "Em uma família, a gente ouve os pais, e o presidente é o nosso pai, que não está dando o exemplo", lamenta.

Além da criança de um ano e oito meses, a professora Keli Adriane Aniecevski, 30, a auxiliar de educação Mirla Renner, 20, e mais duas crianças, que também não tiveram as identidades divulgadas, foram mortas no ataque. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o suspeito do crime é um jovem de 18 anos, que tentou suicídio e está hospitalizado.

Mapa Saudades (SC) - Arte/UOL - Arte/UOL
Mapa Saudades (SC)
Imagem: Arte/UOL

"Cena extremamente violenta", diz comandante dos Bombeiros

O ataque mobilizou duas equipes do Corpo de Bombeiros de Saudades e do município vizinho de Pinhalzinho. "Quando eles chegaram, se depararam com uma cena extremamente violenta, já com uma servidora e duas crianças em óbito no local, e ainda mais outros ocupantes da edificação que estavam feridos e o agressor, que já estava mobilizado pela Polícia Militar, já estava bastante machucado", explica o comandante dos Bombeiros, capitão Leonardo Ecco.

O oficial explica que o suspeito tentou agredir os socorristas enquanto era retirado do local. Seis bombeiros atenderam a ocorrência e, segundo Ecco, foram retirados da escala à tarde em virtude do que viram na creche.

Foi uma cena muito chocante para a equipe, muitos são pais e a equipe está abalada psicologicamente. Nossas equipes se preparam e treinam para atender da melhor maneira os piores cenários. Mas uma situação como essa, com brutalidade, vítimas inocentes e indefesas, isso mexe muito com o emocional deles. Então, eu conversei com todos, já substituímos na escala de serviço para rodar, para dar continuidade e vamos tratar eles agora, buscar todo o amparo psicológico para os profissionais que também sofrem um impacto muito significativo
Leonardo Ecco, comandante dos Bombeiros

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