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'Ele estava indo comprar pão', denuncia esposa de morto no Jacarezinho

Esposa aguarda para reconhecer corpo do marido no Instituto Médico Legal; homem foi morto na operação policial no Jacarezinho - Lola Ferreira/UOL
Esposa aguarda para reconhecer corpo do marido no Instituto Médico Legal; homem foi morto na operação policial no Jacarezinho Imagem: Lola Ferreira/UOL

Lola Ferreira

Do UOL, no Rio

07/05/2021 09h45Atualizada em 07/05/2021 10h03

A esposa de Jonas do Carmo dos Santos, 32 anos, denuncia que ele foi morto durante a operação no Jacarezinho, zona norte do Rio de Janeiro, enquanto estava indo comprar pão. De acordo com a mulher, que não quis se identificar, Jonas saiu de casa para ir à padaria a pedido dela, e depois trabalharia numa obra.

A operação coordenada pela Polícia Civil na comunidade foi a mais letal da história do Rio de Janeiro. Foram 25 mortos, incluindo o policial André Leonardo de Mello Frias, que atuava na Dcod (Delegacia de Combate às Drogas). Jonas é um dos mortos considerados pela polícia como criminosos.

Em entrevista coletiva após a operação, o delegado Felipe Cury afirmou que não morreram "suspeitos, mas sim homicidas, traficantes e criminosos". Mas a família de Jonas afirma que ele não "estava devendo nada à Justiça" e que, depois de ter envolvimento com o tráfico, agora trabalhava como pedreiro e pizzaiolo. O UOL pediu mais informações sobre o assassinato de Jonas à Polícia Civil, mas até o fechamento desta matéria não teve resposta.

A esposa do homem de 32 anos descobriu que estava viúva após receber fotos no WhatsApp. "Me contaram que na hora que os policiais chegaram, o beco estava cheio e todo mundo saiu correndo. Um tinha sido baleado na cabeça e meu marido tomou um tiro na perna. Depois do tiro na perna, chegaram perto e terminaram de executar [o Jonas]. Foi uma execução, vieram para matar. Se depois do tiro tivessem prendido ele, levado para averiguação, seria melhor."

Jonas deixa um filho recém-nascido, fruto do seu relacionamento de 7 anos com a esposa, e um enteado da mesma idade, que "ele criava desde bebêzinho".

ONU pede respostas

Após a operação mais letal da história, a Organização das Nações Unidas pediu que investigações imparciais sejam abertas. Em coletiva de imprensa em Genebra, Ruppert Colville, porta-voz da ONU, afirmou que a entidade está "profundamente perturbada" pelas 25 mortes.

A ONU admite a existência de ações criminosas nas favelas, mas destaca que as autoridades precisam lidar com responsabilidade com o problema, "para garantir que a população civil, mulheres e crianças não sejam afetados".

Já o governo do Rio de Janeiro afirmou que a operação foi orientada por "inteligência e investigação". O governador Cláudio Castro (PSC) lamentou as vidas perdidas e disse que todos os locais de confrontos foram periciados para garantir "transparência".

De acordo com a Polícia Civil, havia mandados de prisão contra 21 pessoas. Destas, apenas seis foram localizadas: três foram mortas e três, presas. Também foram apreendidas 16 pistolas, 12 granadas, seis fuzis, uma escopeta calibre 12 e uma submetralhadora.

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