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3 meses

Prédio que desabou em Rio das Pedras era irregular, diz Prefeitura do Rio

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

03/06/2021 11h27Atualizada em 04/06/2021 13h49

A Prefeitura do Rio de Janeiro informou que o prédio que desabou em Rio das Pedras, na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, era irregular. Uma menina de 2 anos e seu pai, de 30, morreram soterrados e quatro adultos foram resgatados com vida —incluindo a mãe da criança. Segundo a Secretaria Municipal de Habitação, uma equipe está no local para prestar o atendimento necessário às famílias.

Os bombeiros localizaram o pai da criança sob os escombros no começo da tarde. A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do desabamento. Não há informações sobre o que causou o colapso da estrutura.

Técnicos da Defesa Civil Municipal avaliam os danos que foram causados na vizinhança. Seis imóveis, além do que desabou, já foram interditados, até a tarde desta quinta.

A Secretaria Municipal de Assistência Social acolheu 20 pessoas de sete diferentes imóveis, todas desalojadas. No prédio que desabou, moravam sete pessoas —uma não estava em casa.

O governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PSC), esteve no local e defendeu que "a fiscalização deve ser integrada entre a Prefeitura e o Estado. É um ponto que precisa melhorar e, por isso, eu e o prefeito vamos sentar para entender como isso pode ser feito por meio dos projetos de infraestrutura".

A região de Rio das Pedras fica próxima aos bairros de Jacarepaguá, Anil e Itanhangá, na zona oeste. Cerca de 60 mil pessoas moram na área, que é controlada pela milícia. O grupo age na região por meio da construção e venda de imóveis sem licença, extorsão de moradores e de comerciantes, além da cobrança de serviços essenciais como transportes públicos.

Grande parte dos moradores é formada por trabalhadores de fora do Rio, que foram para a capital fluminense atrás de oportunidades no mercado de trabalho.

Em 2019, um edifício irregular desabou em Muzema, perto dali, e 24 pessoas morreram.

De acordo com a Secretaria de Conservação, desde janeiro, somente nas áreas de AP 4 e AP 5, que englobam a zona oeste, já foram demolidas mais de 180 construções irregulares e emitidas mais de 150 notificações, que geram processos administrativos visando a demolição.

O Ministério Público afirmou, em nota, que o desabamento ocorreu na construção de um imóvel familiar cujo proprietário não tem, a princípio, relação com a milícia. "É um problema habitacional e social. As informações iniciais obtidas pelo GAECO/MPRJ não vinculam o caso de hoje à exploração imobiliária da milícia, mas isso será objeto de aprofundamento", diz o texto.

"Acabou essa história de construção irregular", diz Paes

Em entrevista à GloboNews, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM), disse que não vai permitir mais construções irregulares na cidade. Segundo ele, dada a "realidade da cidade", seria impossível tirar todas as construções irregulares, mas afirmou que não permitirá novos edifícios.

"A gente está deixando uma bem clara para a população nos últimos meses, que acabou essa história de tanta construção irregular. A gente não tem permitido. Diariamente, a imprensa tem mostrado ações da prefeitura", declarou Paes.

"Agora, é uma realidade da cidade. Não vamos retirar todas as casas de todas as favelas do Rio. O que se tem que fazer é olhar essas áreas com mais riscos, olhar essas construções e tentar fazer e produzir melhorias habitacionais", ponderou o prefeito próximo ao local do acidente.

Região teve interdições

O prédio que desabou fica na Rua das Uvas, perto da Avenida Areinhas. Embaixo dele funcionava uma lan house, que estava fechada durante a madrugada. A região foi interditada e moradores de prédios próximos precisaram deixar suas casas.

O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 3h20 e atua na região com quatro quartéis na região: do Alto da Boa Vista, da Barra da Tijuca, de Magé e também de São Cristóvão. Ambulâncias, aeronave e cães farejadores são usados nas buscas. Houve um incêndio no local —o fogo já foi controlado.

Um centro de triagem foi montado na região para atender os vizinhos. De acordo com Talita Galhardo, da subprefeitura de Jacarepaguá, a maioria das construções na região "não tem legalidade". "Eu tenho feito vistorias de ocupação de prédios condenados pela Defesa Civil. Tem muita ocupação irregular, mas é difícil tirar o morador, colocar em outros lugares", afirmou.

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