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2 meses

Após ameaças de ex-padrasto, jovem desabafa sobre riscos de ficar em casa

Eduarda Martins Melo fez desabafo sobre a Lei Maria da Penha após agressões do ex-padrasto - Arquivo Pessoal
Eduarda Martins Melo fez desabafo sobre a Lei Maria da Penha após agressões do ex-padrasto Imagem: Arquivo Pessoal

Franceli Stefani

Colaboração para o Uol, de Porto Alegre

22/07/2021 19h15

Aos 22 anos, Eduarda Martins Melo coleciona boletins de ocorrência e teme todos os dias pela vida da mãe, Cristiane Martins, 40. Ao todo, já são sete denúncias na polícia e três medidas protetivas contra o ex-padrasto da jovem, que, segundo ela, não aceita o término do relacionamento do casal. O pesadelo motivou o desabafo a jovem nas redes sociais, em que questiona a serventia da Lei Maria da Penha.

Moradoras do bairro Santana, na Zona Leste de Porto Alegre, elas buscam por proteção. Ela diz que a rotina de ameaças e agressões tiram o sossego da família. No último sábado (17), o pior registro até então, conforme relatam.

O homem, de 37 anos, foi até a casa delas e destruiu o portão a chutes. Quebrou vasos de plantas e desferiu inúmeros xingamentos. As duas tentaram acionar a Polícia Militar antes do fato, porque o homem mandou mensagem avisando que iria até o local.

Eduarda Melo - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Eduarda Martins Melo fez desabafo sobre a Lei Maria da Penha após agressões do ex-padrasto
Imagem: Arquivo Pessoal

"Ligamos para a polícia, mas eles falaram que não podiam fazer nada, não podiam dedicar uma viatura só para nós, que a gente chamasse quando ele estivesse lá", lembrou Eduarda. O pedido foi refeito durante o ataque, entretanto, quando a viatura chegou, ele já havia fugido.

A falta de assistência policial gera insegurança, especialmente porque mãe e filha já fizeram denúncias de ameaças e lesão corporal. "Minha mãe procurou a polícia esse ano, antes ela tinha muito medo. Eu procurei antes. Ela ainda tem medida protetiva (vigente), eu, não mais. Não consegui renovar porque alegam que ele não está me ameaçando diretamente."

Eduarda diz que a mãe já foi agredida com socos, puxões de cabelo e socos ao longo dos dois anos que moraram juntos, até que decidiu pôr um fim na relação. "Desde então, ele não aceita o término e tem feito coisas horríveis. Nos persegue, faz ameaça de morte, sabe onde minha mãe trabalha e a persegue de carro. Estamos desesperadas, tudo o que nos mandam fazer na esfera legal, a gente faz. Registramos boletim de ocorrência, fomos no Ministério Público, só que ele está prometendo voltar e nos matar."

No relato que fez nas redes sociais, Eduarda lamenta a falta de acompanhamento e ações para evitar um crime que vem sendo anunciado em vários atos.

"Estamos segurando o portão da garagem (que ele quebrou todo) com móveis da casa para tentar ter o mínimo de segurança. Chamamos a polícia e TUDO o que recebemos foi um 'não podemos fazer nada, não chegamos na hora do flagrante.' MAIS um B.O, mais um relato, mais um dia sendo tratadas com pouco caso"

O que dizem as autoridades

O Ministério Público do Rio Grande do Sul informou que já se manifestou no processo. "Não podemos dar nenhuma informação porque está em segredo de Justiça".

Devido ao descumprimento da ordem judicial de não aproximação, a delegada Jeiselaure Rocha de Souza, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), diz que já representou pela prisão preventiva do acusado. "Já houve manifestação do Ministério Público no sentido que ele seja intimado para esclarecer os fatos. O procedimento que fazemos neste caso de descumprimento da medida protetiva é o mesmo para os outros 20 mil procedimentos que temos na delegacia, ou seja, a representação pela cautelar."

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