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Policial admite ter matado mulher na porta de casa por suspeita de traição

A recepcionista Isadora Calheiros (foto), de 25 anos, foi morta por uma policial civil  - Redes Sociais / Facebook
A recepcionista Isadora Calheiros (foto), de 25 anos, foi morta por uma policial civil Imagem: Redes Sociais / Facebook

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

30/11/2021 12h22

Uma policial civil, mãe de um bebê de 6 meses, admitiu em depoimento à Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense ser a responsável pelo disparo que matou a recepcionista Isadora Calheiros, 25, na última sexta-feira (26), em Queimados (RJ).

Carla Patrício afirmou em depoimento, segundo a Polícia Civil, que o crime foi motivado por traição e que descobriu que o marido mantinha uma relação extraconjugal com a vítima.

Ainda segundo a polícia, "a autora se apresentou espontaneamente na unidade, prestou depoimento e foi liberada". A arma utilizada no crime foi entregue na delegacia.

A policial é mãe de um bebê de seis meses e está de licença-maternidade e em período de amamentação. Patrícia responderá por homicídio doloso.

A policial é lotada na Delegacia de Queimados, na Baixada Fluminense, e, até o momento, não foi expedido mandado de prisão contra ela. "As investigações continuam", disse a Polícia Civil do Rio.

Crime ocorreu na porta da casa da policial

Isadora foi baleada com um tiro na cabeça na porta da casa da policial civil, em Queimados. Segundo o advogado de Patrícia, Igor de Carvalho, a cliente amamentava o filho quando foi surpreendida com batidas fortes no portão.

De acordo com ele, a mulher desceu armada "sem saber quem estava na porta da casa" e, durante a discussão, Patrícia disparou contra Isadora e, em seguida, a vítima foi socorrida em um veículo de parentes da policial para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Queimados, mas a jovem não resistiu ao ferimento e morreu.

O advogado disse ao UOL que sua cliente está muito abalada com o ocorrido. Ele relatou que a policial já havia sofrido ameaças após descobrir traições do marido, do qual já havia se separado.

"Tinham situações pretéritas de ameaças, a situação foi se desenrolando até que a menina foi até a casa da policial, houve agressão e teve esse disparo, mas a policial nem sabia que era a menina que estava batendo forte no portão. Ela foi agressiva. A policial desceu armada porque morava em um bairro perigoso e ouviu esse barulho", alegou a defesa.

Parentes e amigos da recepcionista fizeram uma campanha nas redes sociais. Com a hashtag "Justiça por Isadora", o grupo cita que a mulher foi cruelmente assassinada à luz do dia por uma policial civil por motivo de ciúmes. No Facebook, Isadora se apresentava como estudante de direito. No Instagram, ela costumava compartilhar o dia a dia com a filha, que tem uma deficiência física.

O UOL tenta contato com a família de Isadora.

Supermãe

Uma amiga, que preferiu não se identificar, lamentou a morte: "Nada justifica a morte da Isadora. Nunca viajou, nunca ficou longe da filha. Ela era supermãe e superfilha."

A descrição de Isadora, segundo amigos, era de mãe dedicada. A filha foi diagnosticada com encefalocele gigante e demandava mais atenção.

"Ela foi mãe aos 17 anos. Morou dois anos e dois meses no IFF (Instituto Fernandes Figueira) [durante tratamento da filha] . Não tinha nenhuma condição financeira. Passou esses dois anos dormindo em uma poltrona ao lado da maca da filha. Suas roupas ficavam em uma mala. Tomava banho em banheiro comunitário", disse uma amiga que pediu para não ter o nome divulgado.

Segundo ela, os médicos chegaram a afirmar que a menina não chegaria a 1 ano de idade. No entanto, a criança completará 7 anos em fevereiro. "Quando finalmente foi para casa [tiveram alta], as dificuldades financeiras só pioraram, mas ela nunca desistiu. Sempre viveu em função da filha. Prestava contas de toda ajuda financeira que recebia", concluiu.

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