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Boate Kiss: Banda usou fogos de artifício em outro show, diz testemunha

Ex-funcionário da Kiss Stenio Rodrigues Fernandes trabalhava como promoter - Reprodução/TJ-RS
Ex-funcionário da Kiss Stenio Rodrigues Fernandes trabalhava como promoter Imagem: Reprodução/TJ-RS

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

06/12/2021 11h04

Em depoimento no julgamento dos réus do incêndio da boate Kiss, o empresário e ex-funcionário do local Stenio Rodrigues Fernandes, 30, disse hoje que presenciou uma apresentação da banda Gurizada Fandangueira com uso de fogos de artifício em outro local.

O caso ocorreu em uma festa no Centro de Eventos da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) cerca de uma semana antes da tragédia, que matou 242 pessoas e deixou outras 636 feridas.

"Afastei os promoters da frente do palco porque eles estavam utilizando os fogos, não me recordo se chegou a machucar, pegar em alguém. Estava chuviscando onde a gente estava, afastei o pessoal do palco, pedi para o pessoal ficar afastado. Essa foi a única oportunidade que eu vi de fogos da Gurizada [Fandangueira] antes", contou no sexto dia de julgamento.

"Na realidade, não vi ninguém acendendo [os fogos de artifício]. Só prestei atenção no momento que estava aceso, estava em cima das caixas de som. É um centro de eventos grande, colocava em torno de 3.000 a 5.000 pessoas dentro desse centro de eventos. Estava lotada a festa", continuou.

O ex-funcionário disse que lembra dos problemas acústicos na Kiss e se recorda que apenas uma moradora da vizinhança reclamava mais do barulho.

Segundo Fernandes, o sócio da casa noturna Elissandro Spohr, conhecido por Kiko e que é um dos réus, queria alugar um outro apartamento para a mulher morar, o que não foi aceito. Por isso, foi feita uma reforma na moradia dela com a colocação de "gesso", porém, ele não soube detalhar a obra. "Não foram revestimentos nas paredes."

Além disso, Fernandes reconheceu que foram realizadas festas na casa noturna com mais de 1.000 pessoas. Porém, percebeu-se que "não valia a pena", nas palavras dele. "As pessoas não conseguiam chegar à copa [para comprar bebidas]. Se percebeu que estar lotado não significava rentabilidade", observou.

O julgamento

Quase nove anos após a tragédia, quatro réus são julgados por 242 homicídios simples e por 636 tentativas de assassinato — os números levam em conta, respectivamente, os mortos e feridos no incêndio. Devido ao tempo de duração e estrutura envolvida, o júri é considerado o maior da história do judiciário gaúcho.

Fernandes é a 17ª pessoa a prestar depoimento do Tribunal do Júri, que já está no sexto dia.

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