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Mulher relata perda de toda família na Bahia: 'Só sobrou o chão da casa'

Mulher perde casa e família após chuvas na Bahia - Edson Andrade / Prefeitura de Amargosa
Mulher perde casa e família após chuvas na Bahia Imagem: Edson Andrade / Prefeitura de Amargosa

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, no Recife

31/12/2021 04h00Atualizada em 31/12/2021 10h14

Moradora de Amargosa (BA), um dos 141 municípios afetados pelas chuvas que vem atingindo a Bahia, Gildete Pereira Santos Alves, 40 anos, enfrenta o pesadelo de perder a mãe, de 81 anos, e a irmã, de 53 anos. Seu pai, de 89 anos, está desaparecido há 19 dias.

A casa que a família morava há 50 anos, localizada no povoado do Ribeirão do Caldeirão, foi soterrada por um deslizamento de terra e arrastada pela força da enchente do rio Ribeirão. Não restou nada do imóvel, apenas o chão coberto de lama e árvores caídas.

Depois que a água do rio baixou, Gildete e outros familiares conseguiram, na manhã seguinte, chegar a pé ao local para ver a situação da casa e saber o que tinha acontecido com os familiares. "Só restou o chão. Fiquei em choque vendo aquela cena, queria morrer! Estou vivendo um pesadelo que nunca vou sair dele. Fico pensando no momento do desabamento como estavam meus pais e minha irmã. Está sendo muito difícil, não consigo dormir só pensando neles", contou a mulher emocionada.

Os corpos de Elita Pereira dos Santos, 81, e Eliene dos Santos Borges, 53, mãe e filha, foram encontrados a 2 quilômetros e 3 quilômetros do local em que residiam. Gildásio Ribeiro Alves, 89, continua desaparecido. As buscas do Corpo de Bombeiros foram encerradas depois que a equipe percorreu o leito e a margem do rio Ribeirão por duas semanas. Agora, a equipe do Corpo de Bombeiros mantém o alerta para que moradores fiquem atentos a qualquer sinal sobre o paradeiro do idoso.

Para chegar a sua casa, Gildete precisou percorrer vários quilômetros a pé porque as estradas ficaram destruídas. "Quando vi que só tinha a lama e as árvores da mata do elevado caídas, sem nada de parede, só o chão, como se não tivesse vivido uma vida ali, me deu um desespero. Como pode, meus pais e minha irmã foram vitimados daquela forma. Estou sem dormir pensando no que eles passaram ao ter a casa atingida pela terra e depois arrastados pela enchente, sem poderem fazer nada", destacou.

A mulher contou que a pequena propriedade era moradia da família há 50 anos e nunca tinha ocorrido algo semelhante durante todo esse tempo. Os pais dela eram aposentados, mas tinha uma pequena criação de gado de corte.

"Meus pais moravam lá desde que se casaram. Eu nasci e me criei naquela casa. Todos os sábados eu ia para lá, levava meus pais para a feira e passava o fim de semana com eles. Reuníamos no Natal, Ano Novo, e esse ano não temos mais ninguém. Minha angústia é não saber onde está meu pai. É muito doloroso tudo isso, mas eu tenho fé e esperança, mesmo passados todos esses dias, de o encontrarem vivo", disse.

As chuvas ocorrem na Bahia desde o início do mês e causaram muitas inundações. A previsão do tempo é de mais chuvas na região para os próximos dias. A Bahia registra a pior enchente nos últimos 35 anos. O temporal foi causado por um ciclone extratropical que se formou no oceano Atlântico.

Com base em informações recebidas das prefeituras, a Superintendência de Proteção e Defesa Civil da Bahia (Sudec) atualizou, na tarde desta quinta-feira (30), os números referentes à população atingida pelas enchentes que ocorrem em diversas regiões do estado. São 37.035 desabrigados, 54.771 desalojados, 25 mortos e 517 feridos. O número total de atingidos é de 643.068 pessoas.

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