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Vídeo: Praia do ES enfrenta infestação de caramujos gigantes africanos

Matheus Brum

Colaboração para o UOL, em Vitória (ES)

11/01/2022 14h29

Parte da praia de Jacaraípe, no município da Serra, na Região Metropolitana de Vitória, está tomada por caramujos gigantes africanos (Achatina fulica). Os animais foram vistos em grande quantidade em uma área de cobertura vegetal de um dos pontos turísticos mais visitados do estado e representam perigo porque podem transmitir doenças, como a meningite.

Um vídeo gravado por representantes do IBRAFF (Instituto Brasileiro de Fauna e Flora) e compartilhado nas redes sociais da instituição mostra a dimensão da colônia formada no local. A publicação das imagens nas redes sociais destaca o impacto à saúde pública que a espécie representa. "O caramujo africano pode transmitir duas doenças: a meningite eosinofílica e a estrongiloidíase", escreveu o instituto.

De acordo com a professora Luceli de Souza, do Departamento de Biologia do Campus de Alegre da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo), ao avistar um caramujo não se deve tocar nele. No caso de precisar passar por um local em que há a presença do animal, como no caso da praia, é recomendado o uso de um calçado — a contaminação pode se dar pelo contato com o muco deixado no rastro de deslocamento do animal.

"Evitar andar descalço e preste atenção. Se é uma área com vegetação, antes de chegar no mar, usar chinelo. Caso uma criança pegue um animal, lavar bem as mãos dela", explicou.

A professora explicou que outra forma de manejar o animal é com uma luva ou um saco plástico. E, caso for eliminar o caramujo, usar sal e esperar até o caramujo morrer, para então descartar. Além de não ter predador natural, a espécie Achatina fulica, se reproduz com muita facilidade.

São mais de 200 ovos por postura. E a fêmea faz várias ao longo da vida. É bem diferente das espécies nativas. Por isso, erradicar a população do caramujo africano é uma tarefa difícil para as prefeituras. Eles não têm predador natural no Brasil. Em período de chuva, é comum encontrar relatos da presença do caramujo em vários pontos do país. Quanto mais úmido, mais fácil para deslocar.
Luceli de Souza, professora de biologia da UFES

Em nota, a prefeitura da Serra informou que "à medida em que é observada a presença de caramujos africanos, eles são recolhidos de acordo com o cronograma de serviços já programado semanalmente". A prefeitura destacou que, caso a população veja uma infestação de caramujos, deve ligar para o telefone (27) 3251-5879, das 07 às 12h e de 13 às 17h.

Doenças para humanos e pets

O ser humano passa a ter alguma dessas doenças ao ter contato com o muco que o caramujo deixa para traz ao deslizar pelo chão. A meningite é causada pelo verme Angiostrongylus cantonensis e pode trazer os seguintes sintomas: distúrbios visuais, dor de cabeça forte e persistente, febre alta, e sensação de formigamento, queimação e pressão na pele.

Já a estrongiloidíase é causada pelo verme Strongyloides stercoralis, e pode atingir os pulmões, traqueia e epiglote — e ainda migrar para o sistema digestivo, tornando-se parasita do intestino. Os sintomas mais comuns são tosse seca, dispneia ou broncoespasmo, edema pulmonar, diarreia, dor abdominal; podendo ser acompanhada por anorexia, náusea, vômitos e dor epigástrica. Em casos mais graves, a doença pode levar à morte.

O caramujo africano veio para o Brasil para substituir o escargot, usado na culinária, mas se tornou uma praga em todo o território devido a erros de manejo. O muco do Achatina fulica também pode adoecer animais de estimação.

Segundo a professora Luceli de Souza, os pets estão vulneráveis a vermes que podem atingir o pulmão deles. Por isso, é necessário observar se o pet apresenta algum problema respiratório. Caso tenha, deve levar imediatamente para o veterinário. "Chegando lá, explica que esteve em algum lugar com infestação de caramujo para que o veterinário faça o procedimento adequado", finalizou.

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