PUBLICIDADE
Topo

Cotidiano

Mulher achada morta em porta-malas queria abrir salão e "crescer na vida"

O corpo de Lourdes Clenir Oliveira Melo, 48 anos, foi encontrado dentro de um porta-malas - Reprodução/Redes Sociais
O corpo de Lourdes Clenir Oliveira Melo, 48 anos, foi encontrado dentro de um porta-malas Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Giorgio Guedin

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

14/01/2022 10h40

Lourdes Clenir Oliveira Melo, 48, estava juntando dinheiro e - pouco a pouco - estava próxima de realizar o sonho de ter o próprio salão de beleza. O que ela comprava, batia uma foto e mandava para a filha, que mora a mais de 600 km de distância. O desejo, contudo, foi interrompido. Ela foi encontrada morta dentro do porta-malas de um carro na noite de quarta-feira (12) em Içara, sul de Santa Catarina.

O ex-companheiro é considerado o principal suspeito pelo crime pela Polícia Civil e segue foragido. Ele não aceitava a separação, ocorrida em 20 de dezembro após sete anos de relacionamento. "Ela separou pelas atitudes dele, pelos ciúmes. E o ápice de tudo foi quando ela descobriu uma traição", contou Camila Mélo, filha de Lourdes, ao UOL.

Além de ser funcionária de limpeza em uma escola do município, Lourdes já fazia trabalhos pontuais como cabeleireira. "Ela queria crescer na vida, estava trabalhando, conquistando as coisas. Estava reformando a casa, pois queria deixar tudo arrumado para receber a gente. E ele [o suspeito] não aceitava essa independência dela", comentou.

Lourdes Clenir Oliveira Melo com a filha Camila Mélo - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Lourdes Clenir Oliveira Melo com a filha Camila Mélo
Imagem: Arquivo Pessoal

Os três filhos de Lourdes moram em Joinville, norte de Santa Catarina. Mas a mãe desejava que Camila, a filha do meio, voltasse ao Rio Grande do Sul para que trabalhassem juntas - ela reside há 14 anos no município catarinense. "Ela estava fazendo o curso de cabeleireira e sempre falava para mim que, assim que terminasse de montar o salão, nós íamos trabalhar juntas", recordou.

A última vez que Camila viu a mãe presencialmente foi durante uma visita em Santa Catarina há cerca de cinco meses, mas o contato pela internet era permanente. "A gente conversou uns dias antes do desaparecimento e ela falou assim: 'Filha eu vou dar um jeito e quero abrir meu salão logo e a gente vai trabalhar juntas, logo eu vou sair daqui.' Isso não sai da minha cabeça", afirmou.

Descrita como vaidosa pela filha, Lourdes era apegada com as netas e a cada visita brincava com elas. "Eram o amor da vida dela. Minha mãe sempre brincava comigo e falava que eu ia fazê-la ser avó de um menino, pois meus irmãos só deram netas para ela", contou.

Vítima tinha medida protetiva contra ex

Depois de se separar, Lourdes conseguiu uma medida protetiva contra o ex, que acabou preso em flagrante por descumpri-la, mas foi solto.

Entre o último domingo (9) e segunda-feira (10) vizinhos afirmaram que ouviram gritos e uma movimentação atípica na residência de Lourdes. Marcas de sangue foram encontradas na área externa e interna da residência, que foi isolada para a perícia. Oficialmente ela era considerada desaparecida desde o final da tarde de segunda-feira.

Uma câmera de monitoramento flagrou o momento em que o suspeito abandona o carro em Içara, sul de Santa Catarina. Na noite de quarta-feira (12), vizinhos suspeitaram do veículo e chamaram a Polícia Militar, que constatou que Lourdes estava morta no porta-malas do próprio veículo. Lourdes foi sepultada no início da noite de ontem em Estância Velha.

A família de Camila quer justiça. "Estou com um sentimento de revolta, pois eu não consigo entender como alguém consegue ser tão doente ao ponto de tirar a vida de outra pessoa, alguém que está ali com você na sua casa. E ainda dizer que amava", afirmou.

Cotidiano