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Falso médico é descoberto após amputar perna de vítima de acidente em SP

Gerson Lavísio prestava serviço como médico, mas não possui diploma - Reprodução/ TV Vanguarda
Gerson Lavísio prestava serviço como médico, mas não possui diploma Imagem: Reprodução/ TV Vanguarda

Simone Machado

Colaboração para UOL, em São José do Rio Preto (SP)

16/03/2022 17h29Atualizada em 18/03/2022 12h28

Um homem de 32 anos foi detido depois de ser flagrado atuando como médico para a concessionária que administra a rodovia Presidente Dutra. Em um acidente no último domingo (13), ele ordenou a amputação da perna de um homem preso às ferragens e o procedimento despertou suspeitas por parte de outros profissionais de saúde no local.

Gerson Lavísio usava um diploma falso e confessou que exercia a profissão ilegalmente. Ele foi denunciado ao Ministério Público Federal (MPF) e foi detido ontem, em Pindamonhangaba (SP).

Segundo a polícia, o acidente que levou à suspeita foi registrado no domingo, em um engavetamento envolvendo três caminhões em Lavrinhas, a 230 km da capital paulista. Um motorista de 36 anos ficou com uma perna presa às ferragens e o homem ordenou que o membro fosse amputado — o procedimento, realizado ainda na rodovia com técnica considerada duvidosa, chamou a atenção de outros médicos da equipe, que, logo em seguida, acionaram a Polícia Rodoviária Federal.

Ao consultarem os documentos do suspeito, os policiais descobriram que ele usava um CRM que estava em nome de outro profissional, já falecido. O falso médico então foi levado à delegacia da Polícia Civil onde prestou depoimento e teria confessado não ser médico.

"Policiais rodoviários federais receberam denúncia sobre um indivíduo que estaria trabalhando como médico ilegalmente e foram até o local citado, onde detiveram o suspeito. Ele confessou que não é médico, apenas fez curso de socorrista. O suspeito foi liberado após assinatura de um termo circunstanciado", explicou a SSP (Secretaria de Segurança Pública), em nota.

A reportagem do UOL procurou a concessionária CCR RioSP, que administra a rodovia e é responsável pelo serviço de socorro na via, que explicou que Gerson atuava como funcionário terceirizado e foi desligado logo após a ocorrência.

"A Concessionária RioSP lamenta muito o ocorrido e se solidariza com a vítima e seus familiares. O falso médico foi desligado imediatamente e não presta mais serviços à terceirizada Enseg, empresa contratada pela concessionária. Infelizmente também fomos vítimas desta fraude que se consumou com o exercício ilegal da profissão, atingindo a todos", disse a empresa no texto.

"Desde o dia do acidente, realizamos diversas apurações técnicas e estamos prestando apoio às autoridades competentes na investigação do acidente e vamos procurar os familiares em seguida para prestar toda a assistência necessária para minimizar os danos causados", conclui o comunicado. Na sexta-feira, em nova nota, a CCR passou a negar amputação na rodovia.

A empresa Enseg, terceirizada contratada pela CCR RioSP responsável pela contratação do falso médico também foi procurada, mas, até a publicação dessa reportagem não se manifestou sobre a situação.

A reportagem do UOL tentou contato com Gerson por meio de mensagens, porém ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

Sem registro

Em nota, o Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo) informou que Gerson Lavisio protocolou no mês passado o pedido de inscrição junto ao Conselho utilizando um diploma falso. Ele alegava ter se formado em 2021 em uma universidade em São Paulo.

"O falso médico apresentou o protocolo de solicitação de inscrição no Cremesp, o que foi considerado suficiente para sua contratação pela Enseg. Vale ressaltar que Gerson não possuía número de CRM e, portanto, não estava habilitado para atuar. O Cremesp esclarece, ainda, que vai investigar a contratação do falso médico por parte da Enseg e de outras instituições aonde o mesmo atuou, e que adotará as providências cabíveis", explicou o Conselho.

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