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3 meses

Criminosos atacam em Guarapuava (PR) em ação de 'novo cangaço'

Heloísa Barrense

Do UOL, em São Paulo*

18/04/2022 02h20Atualizada em 18/04/2022 16h01

Criminosos atacaram durante a noite de ontem a cidade de Guarapuava (PR), a cerca de 250 km de Curitiba, num tipo de ação que ficou conhecido como 'novo cangaço'. A quadrilha tinha como alvo uma transportadora de valores na cidade, que não chegou a ter dinheiro levado, segundo a PM (Polícia Militar), que teve um batalhão atingido por disparos. O ataque começou por volta das 22h30 e seguiu durante a madrugada de hoje. Ninguém foi preso.

Ao menos três pessoas ficaram feridas em decorrência dos ataques: dois militares e um morador. Conforme a PM, os oficiais tiveram ferimentos nas pernas e cabeça. Já o civil teve um ferimento no braço, segundo a prefeitura de Guarapuava. Eles não correm risco de morrer.

De acordo com a PRF, houve um confronto entre agentes e criminosos, que estavam utilizando carros blindados durante a ação. Ainda não há confirmação de roubo de valores.

Por volta da 1h55, a BR-277 estava com o trânsito interditado no km 353 e no km 330 por dois caminhões, um em cada local, que foram incendiados. A Polícia Rodoviária Federal confirmou que a ocorrência estava atrelada aos ataques. A PRF informou ao UOL que a via já foi liberada.

"A cena era de guerra. Os bandidos apagaram as luzes e estavam em toda a cidade. Estávamos com muito medo. Nunca tinha visto isso antes. Meus filhos são pequenos e estão desesperados. Ouvimos muitos tiros e ficamos embaixo da cama, quietos e no escuro", relatou um morador ao UOL, que prefere não ter o nome divulgado.

De acordo com a Protege, empresa de segurança que atua no município, a ação visava o cofre da empresa de sua base operacional, mas não teve sucesso. "Nos últimos anos, robustos investimentos e aplicação de novas tecnologias ampliaram ainda mais os rígidos padrões de segurança adotados pela empresa o que, certamente, contribuiu para o insucesso da ação criminosa". A empresa disse ainda colaborar com as autoridades e que "reconhece o relevante trabalho das forças de segurança no enfrentamento ao bando de criminosos que atacou a cidade".

Quadrilha usou sete veículos, diz PM

De acordo com a PM, a sede do 16º Batalhão foi alvejada com disparos. A corporação informou que decidiu não entrar em conflito para não causar perigo à população. Apesar do cerco, a quadrilha conseguiu escapar em sete veículos, que depois foram encontrados abandonados.

"Houve uma situação de ataque ao 16º Batalhão e optamos por fazer um cerco, não colocando a sociedade em risco por conta do forte armamento que esses marginais estavam em posse. Tivemos êxito e frustramos a ação deles. Eles acabaram saindo da cidade e aí sim, nos bloqueios que fizemos tivemos confrontos na área rural. Os setes veículos que estavam na ação foram alvejados e acabaram abandonados. Uma farta munição foi apreendida e estamos em busca desses elementos", diz o tenente-coronel Joas Lins, do 16º batalhão da Polícia Militar.

Família diz que policial está na UTI

Em uma publicação no Facebook, uma moradora da cidade afirmou que o pai dela, um policial militar, seria um dos baleados.

"Venho através deste informar que, infelizmente, durante a ação desses criminosos em nossa cidade, meu pai foi alvejado e está na UTI. Peço a oração de todos nesse momento", escreveu ela. Ainda, de acordo com o relato, um outro policial, que estava na mesma viatura, também foi atingido. No entanto, a bala teria causado dano maior apenas no celular dele. "Mesmo sem um dos pneus da viatura ele conseguiu fugir e dirigir até um hospital para levar o meu pai", disse ela.

Os relatos são de que houve o disparo de armas de grosso calibre. Batalhões da PM teriam sido bloqueados com veículos queimados, que impediram a saída dos policiais.

Vídeos também registraram blindados do Exército circulando por Guarapuava, após a fuga dos criminosos por estradas rurais em pelo menos cinco veículos.

O UOL entrou em contato com a Delegacia de Polícia Civil de Guarapuava, que informou que os policiais ainda estão em diligências e, por isso, a corporação não deve se manifestar no momento. A reportagem tenta contato com a SESP-PR (Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná) para obter mais informações.

Repercussão

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, comentou que enviou reforços da PRF e da PF (Polícia Federal) para acompanhar o caso.

A atriz Larissa Manoela, 21, se manifestou sobre o caso nas redes sociais. A artista é natural de Guarapuava. "Meu Deus, meu coração apertado pela minha cidade Guarapuava. Eu tô com vocês. Família, amigos. Se protejam!", escreveu ela durante a madrugada.

*Colaborou Lorena Pelanda, de Curitiba

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