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Idosa fica 50 anos em trabalho análogo à escravidão e sem ver família em SP

Viviane, à esquerda, achava que a avó Yolanda estava morta - Reprodução/TV Globo
Viviane, à esquerda, achava que a avó Yolanda estava morta Imagem: Reprodução/TV Globo

Do UOL, em São Paulo

24/04/2022 23h22Atualizada em 25/04/2022 09h37

Yolanda, hoje com 89 anos, passou cinco décadas de sua vida em situação de trabalho análogo à escravidão em Santos (SP). Nesses 50 anos, a mulher não pode ter contato com a família, sofreu abusos físicos e psicológicos, não recebeu salário ou dias de folga. As informações são do programa "Fantástico", da Rede Globo.

Uma vizinha, Zilmara de Souza Dantas, notou algo estranho e denunciou à polícia. "Ela estava trabalhando ainda com uma idade tão avançada. A roupa dela era muito gasta, muito puída, sempre de chinelo, muito humilde e um machucado na perna que não sarava nunca", falou.

"Dava bom dia para ela, boa noite, mas ela não me respondia. Olhava sempre para baixo. Parecia coagida a não se comunicar", contou a vizinha, que fez a denúncia em 2020. O caso, no entanto, só veio a público agora.

Recentemente, Ministério Público do Trabalho pediu que a Justiça reconheça Yolanda como vítima de situação de trabalho análogo à escravidão e que a família da patroa, Nirce, arque com R$ 1 milhão por danos morais coletivos, já que Nirce e duas de suas filhas morreram durante as investigações.

"Limpava, fazia faxina... serviço familiar; lavar, passar, cozinhar. Ela não me pagava ordenado. A filha dela, Rosana, queria me bater toda hora, berrava muito comigo", falou Yolanda sobre sua situação.

Por ter passado 50 anos reclusa, os parentes da idosa achavam que ela já tinha morrido, até que uma de suas netas, Viviane, recebeu uma ligação da polícia contando que a avó estava viva.

"Só conseguia lembrar da minha mãe. Porque até o último dia da vida dela, ela acreditava que a mãe dela [Yoland] estava viva. Só que ela não teve a oportunidade de poder reencontrá-la", contou Viviane.