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McDonald's: Polícia apura se atirador usava carro incompatível com salário

Mateus Domingues Carvalho, 21, foi atingido na barriga e socorrido por policiais militares - Reprodução/TV Globo e Arquivo Pessoal
Mateus Domingues Carvalho, 21, foi atingido na barriga e socorrido por policiais militares Imagem: Reprodução/TV Globo e Arquivo Pessoal

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

12/05/2022 14h36Atualizada em 12/05/2022 14h36

A Polícia Civil do Rio investiga se há incompatibilidade entre a renda e os bens do bombeiro Paulo César de Souza de Albuquerque, acusado de atirar em um atendente do MCDonald's na madrugada da última segunda-feira (9), na Taquara, na zona oeste do Rio.

O militar acessou o drive-thru do restaurante com uma Mercedes-Benz. O veículo, que estava sem placa, foi flagrado por câmeras de segurança do restaurante. Desde janeiro deste ano, o bombeiro tem rendimento de R$ 8.534 líquidos, segundo consulta ao sistema da Secretaria de Planejamento e Gestão do Governo do Estado.

À polícia, Paulo César alegou que o carro foi comprado em um leilão e que a placa havia se "desprendido do veículo em um dia de vento forte".

Outros crimes e depoimento

Ainda segundo a delegacia da Taquara, que apura o caso, o bombeiro tem anotações como lesão corporal, ameaça, invasão a um terreno e esbulho possessório, ou seja, violação de um bem.

Após ter o pedido de prisão temporária negado pela Justiça, o bombeiro se apresentou à delegacia, prestou depoimento e foi liberado. Aos investigadores, Paulo César afirmou que o disparo foi acidental. No entanto, uma testemunha que o acompanhava no fast-food negou a informação.

Em depoimento à polícia, um amigo do militar disse que tentou impedir que Paulo deixasse o carro armado e entrasse no restaurante, mas não conseguiu. Ele confirmou que a briga entre o motorista e Mateus Domingues Carvalho, 21, começou devido a cupom de desconto.

O bombeiro é investigado por tentativa de homicídio. O UOL tenta contato com a defesa e atualizará a reportagem caso haja um posicionamento.

Câmeras flagram a ação

As imagens das câmeras de segurança do restaurante mostram toda a ação que terminou com o funcionário caído no chão baleado. Na primeira gravação, Mateus aparece sendo agredido com um tapa pela janela do drive thru e revidando o ataque do cliente.

Posteriormente, é possível ver nas imagens o cliente entrando na loja com a arma na mão e caminhando até o funcionário. Um segurança do estabelecimento tenta impedi-lo, mas não consegue. Em seguida, Mateus cai ferido e é ajudado por uma terceira pessoa. Paulo César deixa o restaurante.

A vítima foi levada pela PM para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, também na zona oeste, onde passou por cirurgia. Segundo a família, o jovem precisou remover o rim esquerdo e parte do intestino que foi afetado pelo disparo à queima-roupa.

O desentendimento entre Mateus e Paulo começou após o cliente fazer um pedido no drive-thru e informar no final do atendimento que teria um cupom de desconto. Segundo testemunhas, o funcionário teria informado que, neste caso, seria necessário comunicar o uso do benefício antes de iniciar o pedido - o que motivou a agressão.

Procurado, o McDonald's disse que está prestando apoio ao funcionário. Já o Corpo de Bombeiros disse que informou que Paulo César responderá civilmente pelos seus atos na justiça comum e que foi determinada a suspensão imediata do porte e posse de armas do militar, além a instauração de um inquérito policial militar para apurar a conduta do profissional e a abertura de um conselho disciplinar.

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