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Anestesista está preso com Jairinho e em cela que foi de Roberto Jeferson

Giovanni Quintella Bezerra ficou surpreso com voz de prisão - Divulgação/Polícia Civil
Giovanni Quintella Bezerra ficou surpreso com voz de prisão Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Franceli Stefani

Colaboração para o UOL

14/07/2022 11h09

De crimes de homofobia, passando por homicídio a crime sexual. Esses são alguns dos crimes praticados por aqueles que passaram ou estão na Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio. É nessa casa de detenção que está preso preventivamente, desde a noite de terça-feira (12), o anestesista Giovanni Quintella Bezerra.

Ele foi transferido para o Bangu 8, como é conhecido o local em que são enviados os custodiados que possuem nível superior no Estado.

De acordo com a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária, o acusado de estupro de vulnerável está sozinho em cela

A medida de estar em uma cela sozinho não é um benefício de Bangu 8. Segundo a assessoria do complexo, não há diferenciais, benefícios ou tratamento especiais na prisão para quem tem ensino superior em relação a outras cadeias.

A administração do local optou por deixar o anestesista sozinho como medida de segurança. Segundo apurou a TV Globo, o médico foi recebido com vaias e xingamentos quando chegou ao local para cumprir prisão preventiva.

A cela ocupada pelo anestesista, inclusive, já foi do ex-presidente do PTB, ex-deputado e, agora, pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, Roberto Jefferson. Formado em Direito pela Universidade Estácio de Sá, Jefferson é réu pelos crimes de homofobia, calúnia e incitação ao crime de dano contra patrimônio público.

Roberto Jefferson - Valter Campanato/Agência Brasil - Valter Campanato/Agência Brasil
Roberto Jefferson
Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

Desde janeiro, o aliado do presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpre pena em regime domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica.

O médico, formado pelo Centro Universitário de Volta Redonda (uniFOA), passou as duas primeiras noites quieto e introspectivo, na sala que tem seis metros de largura por seis de profundidade.

Na galeria que o anestesista foi encarcerado há outros 88 homens. Entre eles, o médico e ex-vereador carioca, Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, formado pela Universidade do Grande Rio (Unigranrio). Réu pela morte do menino Henry Borel, 4 anos, ele está atrás das grades desde o dia 8 de abril do ano passado. O crime ocorreu no dia 8 de março de 2021, na Barra da Tijuca, Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro.

O ex-vereador Jairinho teve o mandato cassado há quase um ano. Foi a primeira vez que isso aconteceu com um vereador na história da cidade do Rio de Janeiro. Ele e a mãe do garoto, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, foram denunciados por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação de testemunha, fraude processual e falsidade ideológica.

O ex-vereador, Dr. Jairinho - Brunno Dantas/TJ-RJ - Brunno Dantas/TJ-RJ
13.jun.2022 - O ex-vereador Dr. Jairinho em interrogatório no Tribunal de Justiça do RJ
Imagem: Brunno Dantas/TJ-RJ

Quem também está na cadeia é o assassino da juíza Viviane Vieira do Amaral Arronenzi, o engenheiro Paulo José Arronenzi, formado em Engenharia Civil. Ele matou a ex-mulher a facadas na frente das três filhas do casal, na véspera do Natal de 2020, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

As meninas, uma de 10 anos e duas gêmeas de 7, passariam a data com o pai. Ele foi detido no mesmo dia do feminicídio pela Guarda Municipal. Viviane exerceu a magistratura do Estado do Rio de Janeiro por 15 anos. Ela atuava na 24ª Vara Cível da Capital.

RJ tem mais de 40 mil encarcerados

Diferente da realidade do Bangu 8, em que apenas custodiados com nível superior são recebidos, o sistema penitenciário do Rio de Janeiro é superlotado, assim como em boa parte do país. Ao todo, conforme dados do governo estadual, são 43 mil detentos em 50 unidades prisionais (contando os hospitais). Destas, 23 estão no Complexo de Gericinó.

O Código de Processo Penal, no artigo 295, prevê prisão especial quando o cidadão é detido (preventivamente ou provisoriamente). Isto é, antes de condenação definitiva. A lei vale para aqueles diplomados por qualquer faculdade.

A ala diferenciada é a única vantagem. Não há nenhum tratamento diferente ou benefícios nas celas, que são todas padronizadas — com exceção daquelas em que são colocados os detentos que correm algum tipo de risco, como o caso do anestesista. Ele foi recebido com vaias, xingamentos e batidas nas grades dos demais aprisionados.

Vale lembrar que a previsão legal que ampara o tratamento "especial" é somente antes da condenação definitiva (sentença). Em caso de condenação, o indivíduo é acomodado em celas comuns.