PM é preso suspeito de matar mulheres no MA: 'Pode haver muito mais casos'

Um policial militar foi preso e está sendo apontado como o responsável pelo assassinato de duas mulheres e por assaltos em série em várias cidades do Maranhão nos últimos meses.

De acordo com as investigações da Polícia Civil do Maranhão, o suspeito é Ricardo Braz Oliveira, 42, que é lotado no 29º Batalhão da PM no município de Zé Doca. No entanto, Ricardo mora em Caxias, que fica a quase 315 km de distância.

As duas cidades são ligadas pela BR-316 e, segundo a polícia, era nesse trajeto, e em vias próximas, que ele abordava suas vítimas.

Fizemos uma longa investigação, com vários delegados, e já temos muitas provas contra ele, de crimes em várias regiões. Esse cara só pode ser um psicopata. Só de mortes foram duas, além de vários assaltos. Porém, ainda investigamos porque pode ter muito mais [casos].
Jair Paiva, delegado-geral da Polícia Civil do MA

Os crimes aconteciam sempre da mesma forma, de acordo com a investigação: o suspeito escolhia mulheres desacompanhadas em estradas, as atraía com ofertas de transporte, mas acabava roubando-as dentro do carro. Algumas delas, que resistiram, acabaram morrendo.

Primeiros assaltos

Um dos primeiros casos já confirmados aconteceu no dia 6 de setembro, no município de Peritoró. A vítima, Maria Luzineta, 43, informou à Polícia Civil que estava na BR-316 e pegou um transporte com Ricardo para chegar até um povoado próximo.

No relato na delegacia, Maria disse que o motorista puxou uma faca. Ela tentou reagir, mas Ricardo sacou uma pistola. Com medo, Maria entregou um brinco de ouro e R$ 520, sendo deixada nas margens da rodovia.

Outras vítimas e denúncia aceita pela Justiça. No mesmo período, Francilene de Jesus, Edivania Fernandes e Anaide Sousa também denunciaram Ricardo por roubos em Caxias com as mesmas características. Sobre esses casos, a Polícia Civil finalizou o inquérito e a Justiça já aceitou a denúncia contra Ricardo, que agora responde como réu pelo crime de roubo majorado — quando é cometido com violência ou grave ameaça.

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Veículo usado por policial militar preso
Veículo usado por policial militar preso Imagem: Divulgação / Polícia Civil

Prisão e confissão

Outro caso que a polícia trata como confirmado, teve como vítima a autônoma Maria Lindinalva Carvalho, 35, em Matões do Norte. No dia 14 de setembro, ela desapareceu após sair de casa para ir a um hospital em busca de informações do estado de saúde de um primo.

Lindinalva estava sozinha às margens da BR-135, por volta das 9h da manhã, aguardando um meio de transporte, quando um veículo de passeio, de cor branca, parou e a levou. Depois disso, ela desapareceu.

Maria Lindinalva tinha 35 anos
Maria Lindinalva tinha 35 anos Imagem: Arquivo pessoal

O corpo de Lindinalva só foi encontrado cinco dias depois, já em avançado estado de decomposição. Com base no relato de testemunhas, a polícia conseguiu identificar que a placa do carro que levou a vítima era de Caxias.

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Duas semanas de investigações até novas descobertas. Por meio de informações do veículo, os investigadores descobriram o endereço de Ricardo e concluíram que havia outras mulheres vítimas de assaltos com o mesmo método usado pelo PM.

Ricardo acabou preso dentro do Batalhão em Zé Doca, no dia 5 de outubro. Segundo a Polícia Civil, ele confessou em depoimento o assassinato de Lindinalva e afirmou que se passava por carro de lotação para abordar mulheres e "ganhar uma renda extra".

Versão desmentida pela polícia. No caso de Lindinalva, o PM disse, também em depoimento, que a matou com uma facada nas costas, mas alegou legítima defesa — porque "ela é quem teria tentado assaltar ele". A polícia desmentiu a versão pelos testemunhos das vítimas em outras cidades e provas coletadas no veículo.

Armas usadas pelo policial militar preso
Armas usadas pelo policial militar preso Imagem: Divulgação / Polícia Civil

Mistério resolvido em Codó

Desaparecimento misterioso. O último caso descoberto — mas o primeiro na ordem cronológica — foi o sumiço de Taís Lopes Santos, 28, mãe de uma criança de seis anos. Uma força-tarefa com delegados de várias cidades precisou de cerca de quatro meses para ligar o desaparecimento ao PM.

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Taís saiu de casa para ir ao trabalho no dia 8 de agosto, em Codó. Ela estava sozinha e acabou se atrasando. Funcionários e familiares a procuraram, mas só encontraram o corpo de Taís em uma estrada vicinal, com ferimentos na cabeça e tórax. Desde então, a polícia começou a investigar o crime, mas esbarrou em vários problemas, como a falta de testemunhas.

Taís Lopes tinha 28 anos
Taís Lopes tinha 28 anos Imagem: Arquivo pessoal

Celular da vítima foi achado. "Fizemos uma longa investigação, com vários delegados, até que o celular de Taís foi localizado. Descobrimos o receptor do celular, que confirmou que comprou o aparelho das mãos de Ricardo", contou ao UOL o delegado de Codó, Rômulo Vasconcelos.

Mesmo carro usado em outros crimes. Além disso, a polícia descobriu que o mesmo veículo usado por Ricardo nos outros crimes esteve próximo do local onde ela teria passado no dia do desaparecimento.

O que diz a PM

Abertura de procedimento administrativo. Em relação aos crimes apontados contra Ricardo, a Polícia Militar do Maranhão disse em nota que "não compactua com nenhum tipo de desvio de conduta dos seus agentes" e que determinou a abertura de procedimento administrativo para apuração dos fatos no âmbito da corporação.

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A reportagem tentou localizar a defesa de Ricardo, que atualmente está preso preventivamente no presídio militar dentro do Comando Geral da PM, em São Luís. No entanto, no processo consta que ele ainda não tem defesa constituída. A reportagem será atualizada caso haja um posicionamento.

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