Suspeito de matar argentina seguirá preso: 'Extrema gravidade', diz juíza

O suspeito de matar a argentina Florencia Aranguren, 31, a facadas teve a prisão em flagrante convertida em preventiva (por tempo indeterminado) pela Justiça do Rio de Janeiro.

O que aconteceu:

A conduta do suspeito, Carlos José de França, se "reveste de extrema gravidade", visto a violência das agressões do suspeito contra a vítima, disse a juíza Danielle Lima Pires em audiência de custódia na tarde de hoje. A decisão foi obtida pelo UOL.

A juíza também destacou o uso de arma branca, que tem "alto potencial lesivo", para matar a vítima. Florencia foi morta com 18 facadas, sendo a maioria delas no pescoço, e tentou lutar com o agressor, segundo o laudo obtido pelo jornal O Globo. Uma das facadas atingiu a artéria carótida e a veia jugular direita. As lesões provocaram a hemorragia, causando a morte..

"Trata-se de crime de extrema gravidade, em que o custodiado [Carlos], por motivo torpe e mediante recurso que impossibilitou defesa da vítima, e matou a vítima com facadas", escreveu a magistrada na decisão. Ela também argumentou que testemunhas ainda não foram ouvidas e a soltura do suspeito poderia comprometer a investigação.

Pires destacou que Carlos já tem anotação criminal. "Seu constante envolvimento com o aparato policial e judicial demonstra sua dedicação a atividade criminosa, fazendo dela seu meio de vida, o que torna necessária a custódia cautelar para evitar a reiteração delitiva." O UOL mostrou que Carlos já foi condenado por roubo e estupro de uma adolescente em Pernambuco.

Na audiência, o Ministério Público pediu a conversão da prisão de Carlos "para garantia da ordem pública, diante da prova da existência do crime e indício suficiente de autoria". Já a defesa do suspeito, representada por membro da Defensoria Pública, pediu a liberdade do mesmo.

A reportagem tenta contato com a Defensoria Pública, que representa o suspeito. A matéria será atualizada tão logo haja manifestação.

Homem foi reconhecido por cachorro da vítima e criou versão falsa

Invasão de condomínio. A decisão aponta que policiais foram chamados após Carlos invadir um condomínio e alegar ter sido assaltado na quarta-feira (6) em Búzios, no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, os agentes foram informados do encontro do corpo de Florencia.

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Suposto ataque. No condomínio, o suspeito disse que teria ido até a Praia de José Gonçalves, por volta das 7h, quando dois homens saíram do mato e um deles deu uma pancada na parte de trás de sua cabeça, fazendo-o cair no chão. Ele estava sem camisa, descalço, com bermuda e boné branco.

Já o outro homem, segundo o relato do suspeito, teria partido em direção a uma mulher (que seria Florencia), que estava com o cachorro na coleira. Ao fugir de um dos supostos criminosos, Carlos disse que saiu pela mata até pular o muro do condomínio.

PMs notaram que o suspeito estava com a bermuda limpa e molhada e seus pés estavam sujos de barro seco. Ao ser questionado sobre onde estava sua camisa, Carlos alegou que estava no ombro dele, mas perdeu durante o ataque e a fuga.

Os policiais foram até o local do crime com Carlos e o cachorro da vítima, Tronko, que estava quieto, começou a latir e tentar avançar no suspeito, além de tentar se soltar da coleira. Neste momento, os policiais notaram que a cueca e o boné do preso estava com pequenas manchas que pareciam sangue.

Ao ser conduzido à delegacia, Carlos teria dito duas vezes: "EU NUNCA MAIS VOU FAZER ISSO". E ao ser chamado de "assassino" pela população teria entrado em "surto", aponta a decisão judicial.

Família pede justiça

A irmã de Florencia, Mariana Aranguren e seu marido, Roberto Slowak, foram até o velório da argentina, ocorrido na manhã deste sábado no Cemitério Memorial do Rio, em Cordovil, na zona norte do Rio.

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Amigos da estrangeira e o cachorro Tronko também participaram da cerimônia, segundo o jornal O Globo. O animal ficou ao lado do caixão da tutora durante a cerimônia. As cinzas da vítima serão levadas para Buenos Aires esta noite.

O pai de Florencia, de 80 anos, ficou em Buenos Aires aos cuidados de outra filha mais velha, informou ao jornal Letícia Lins e Silva, advogada da família da vítima no Brasil.

Me sinto muito abalada, mas tentando encontrar forças em honra a Flor. Será um processo longo, e temos que empenhar muito esforço para que haja justiça e o assassino receba a pena máxima.
Mariana Aranguren, irmã de Florencia, ao jornal O Globo

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