Dez características que fazem de Trump um verdadeiro hater

Do UOL, em São Paulo

Donald Trump é o nome das eleições dos Estados Unidos para 2016 até agora. Vencedor das primárias republicanas, ninguém apareceu mais do que ele na imprensa norte-americana e mundial desde o início da corrida pela Casa Branca.

Para figurar nas manchetes e simpatizar com seu público, Trump usa artifícios de grande apelo. Muitas vezes, tanto nas redes sociais quanto nos discursos e entrevistas, parece muito um hater da internet, um comentarista mais preocupado em atacar os outros a qualquer custo do que contribuir com o debate de um assunto. O UOL listou dez comportamentos típicos que fazem de Trump um verdadeiro hater.

Kena Betancur/AFP
Kena Betancur/AFP

O catastrófico

A coisa está ruim no país? Para o hater catastrófico, sim, sempre, em qualquer momento. E Trump gosta desse pessimismo: até na capa do próprio livro "Crippled America: How to Make America Great Again" ("América Aleijada: Como Tornar os EUA Grandes Novamente"), ele está com cara de tédio. Por quê? Porque vê poucos motivos para estar contente hoje com os EUA, segundo ele mesmo explica. Ele também acha as eleições de 2016 uma das mais importantes da história dos EUA. Porque o país está simplesmente "indo para o inferno".
DON EMMERT/AFP
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O genérico

Por que se aprofundar em assuntos complexos e que exigem análises longas, como a imigração e o terrorismo, se é possível resumir colocando tudo genericamente em uma única ideia? Haters costumam simplificar bastante as questões em seus comentários. Trump também, como mostra sua proposta de impedir a entrada de mexicanos (muitas vezes ladrões e estupradores, segundo ele) com a construção de um muro de mais de 3.000 km na fronteira entre os países. E quanto ao terrorismo? É só proibir temporariamente a entrada de qualquer muçulmano no país, segundo o magnata.
Nancy Wiechec/Reuters
Nancy Wiechec/Reuters

O espertão

Trump está convencido de que já sabe lidar com qualquer problema que possa aparecer na sua frente, como o hater espertão que tem resposta para tudo. Será que é difícil sentar à mesa de negociações com ditadores, por exemplo? Bom, Trump já até "ferrou" o líbio Muammar Gaddafi, conforme contou em 2011. "Aluguei para ele um pedaço de terra [em Nova York]. Gaddafi me pagou, por uma noite, mais do que aquela terra valia por dois anos, e aí eu não o deixei usar aquele espaço. Não quero usar essa palavra, mas eu 'ferrei' ele." E sobre sua habilidade em negócios? "Qual foi a última vez que batemos a China em um negócio? Eu bato a China o tempo inteiro", disse ele, em junho de 2015. Para finalizar, um tuíte de 2013 resume: "Desculpem, perdedores e haters, mas meu QI é um dos mais altos, e vocês sabem disso! Por favor, não se sintam estúpidos ou inseguros, não é culpa de vocês."

O descontextualizador

Com um bom hater, Trump usa as informações a seu favor, mesmo que elas estejam deslocadas de seu contexto, para sustentar um argumento. Como em dezembro de 2015: duas semanas depois dos atentados que aterrorizaram Paris, a capital francesa sediou a COP-21, Conferência Mundial do Clima, em que os países fecharam um novo acordo climático (tema que não agrada muito a Trump). No evento, o presidente Barack Obama comentou sobre alguns assuntos, inclusive terrorismo, mas o primeiro deles foi aquecimento global --o tema da conferência, por sinal. Trump aproveitou e já disparou, em vídeo (veja acima): "Enquanto o mundo está em turbulência e caindo aos pedaços de diferentes maneiras, especialmente com o Estado Islâmico, nosso presidente está preocupado com aquecimento global. Que situação ridícula", disse Trump, em um comentário tipicamente hater.
Richard Drew/AP
Richard Drew/AP

O polêmico com orgulho

"Acho que o grande problema desse país é as pessoas serem politicamente corretas. Não tenho tempo para isso e, honestamente, acho que o país também não", resumiu Trump em um dos debates entre os republicanos. Suas propostas mostram que isso não é só uma frase de efeito. A postura tipicamente hater do "politicamente incorreto" é também estratégica, como ele assume em seu livro. "Sou um homem de negócios com uma marca para vender", escreveu, afirmando que às vezes faz "comentários indignantes" para dar à mídia "o que ela procura".
Stephen B. Morton/AP
Stephen B. Morton/AP

O cético

Não é fácil fazer haters acreditarem nas coisas. Para Trump, o aquecimento global que o diga. Em 2012, ele o classificou como um "conceito criado pelos chineses" para que os EUA perdessem força na produção industrial. Recentemente, chamou o aquecimento global de "hoax", uma farsa que justificaria novas (e altas) taxas. Para Trump, não importa muito se as mudanças climáticas têm embasamento científico. "Ficará mais frio, ficará mais quente. Isso se chama tempo", disse o candidato recentemente, resumindo seu conceito de mudança climática.
Reprodução/Twitter @realDonaldTrump
Reprodução/Twitter @realDonaldTrump

O boateiro

Um hater muitas vezes também não se preocupa em comprovar o que está falando. Trump tampouco. Ele, por exemplo, foi um dos que questionou se Obama, nativo do Havaí e de ascendência queniana, realmente havia nascido em território norte-americano. Para isso, deu até "provas", em um tweet de 2012: "Uma 'fonte extremamente confiável' me ligou e disse que a certidão de nascimento de Obama é uma fraude". A acusação não foi para frente. Ele também já reclamou de campanhas de vacinação com argumentos pra lá de duvidosos. "Uma criança saudável vai ao médico, é injetada por um monte de vacinas, não se sente bem e muda --AUTISMO. Muitos casos!", escreveu no Twitter, em 2014.
Stephen B. Morton/AP
Stephen B. Morton/AP

O conselheiro

Donald Trump não fala somente de coisa séria. Pelo menos na época em que ainda não era candidato a presidente. Em 2012, por exemplo, resolveu dar seu pitaco público nada gentil após a história de que a atriz Kristen Stewart havia traído seu então namorado Robert Pattinson. "Robert Pattinson não deveria aceitar Kristen Stewart de volta. Ela o traiu e fará de novo --apenas observem. Ele consegue algo muito melhor", disse o Trump, que também já "aconselhou" a cantora Katy Perry a largar o comediante Russel Brand, seu desafeto. "Katy, o que diabos você pensava quando casou com o perdedor Russel Brand? Está aí um cara que não tem nada, um desperdício."
Brian Snyder/Reuters
Brian Snyder/Reuters

E, é claro, o briguento:

Talvez a postura mais hater de todas é a capacidade de brigar com todo mundo, e nisso Trump é exemplar. Ele bate de frente com a comediante Rosie O'Donnell, por exemplo, desde 2006 e já a chamou de "nojenta", "burra" e um "desastre", entre outros adjetivos. Recentemente, ele arranjou uma nova desafeta: a âncora da Fox News Megyn Kelly, que fez perguntas duras a Trump em um debate no ano passado. Em relação à apresentadora, o magnata disse que "o sangue saía de seus olhos e de outros lugares", o que muitos entenderam ser uma insinuação de que Kelly estava menstruada.
Reprodução/Twitter @realDonaldTrump
Reprodução/Twitter @realDonaldTrump

Para encerrar, nada melhor do que uma mensagem dele

"Gostaria de desejar a todo mundo, incluindo todos os haters e perdedores (os quais, infelizmente, são muitos), um feliz Memorial Day!"

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