Investigação critica decisões do Reino Unido na guerra do Iraque

Do UOL, em São Paulo

  • Bruce Adams/AFP

O diplomata John Chilcot divulgou nesta quarta-feira (6) o relatório sobre a Guerra do Iraque, elaborado a partir da análise de milhares de documentos e interrogatórios de militares e políticos britânicos, entre eles o ex-primeiro-ministro Tony Blair, responsável da invasão do Reino Unido no Iraque ao lado dos Estados Unidos, em 2003.

Em entrevista para a emissora britânica "BBC", Chilcot disse que em seu relatório há críticas contra indivíduos e instituições.

"A principal expectativa que tenho é que não será possível no futuro participar de um empenho militar e diplomático de semelhante nível e de tal gravidade sem aplicar uma verdadeira análise cuidadosa, uma avaliação e um julgamento político coletivo", afirmou.

O ex-funcionário do governo britânico acrescentou que seu relatório de 12 volumes explora as decisões tomadas e que levaram o Reino Unido a intervir militarmente no Iraque para derrubar o então presidente Saddam Hussein.

Chilcot observou que na elaboração do documento levou em conta o sofrimento das famílias daqueles que perderam suas vidas e seu desejo de conhecer toda a verdade sobre a guerra.

Sobre as críticas aos responsáveis da decisão de entrar na guerra, Chilcot disse que seu objetivo não era processar ninguém porque ele não preside um "tribunal".

"Eu deixei muito claro desde o princípio, quando iniciei esta investigação, que se encontrasse coisas que mereciam críticas a indivíduos ou instituições, não iria fugir disso", afirmou.

Blair foi interpelado em duas ocasiões por Chilcot e pediu desculpas sobre a controvertida informação de inteligência que argumentou para intervir no Iraque, como a existência de armas de destruição em massa, o que eventualmente provou ser falsa.

Esta investigação foi organizada em 2009 pelo ex-primeiro-ministro Gordon Brown, após intensa pressão de políticos e das famílias dos 179 militares britânicos que morreram no conflito.

O objetivo de Chilcot foi avaliar as decisões tomadas antes e durante a guerra, as medidas adotadas e determinar o que se pode aprender do episódio mais controverso do mandato de Blair. (com as agências internacionais)

EFE
EFE

Reino Unido foi à guerra de maneira prematura

Reino Unido foi à guerra no Iraque antes de esgotar as opções de um desarmamento pacífico do regime de Saddam Hussein. "Chegamos à conclusão de que o Reino Unido escolheu unir-se à invasão do Iraque antes de esgotar as opções de um desarmamento pacífico", disse em Londres o diplomata John Chilcott, que coordenou a investigação sobre o conflito iniciado em 2003.
Stefan Wermuth/Reuters
Stefan Wermuth/Reuters

Blair prometeu seguir Bush independente do que acontecesse

O então primeiro-ministro britânico Tony Blair prometeu ao presidente americano George W. Bush segui-lo "aconteça o que acontecer", revela uma investigação oficial sobre a participação britânica na guerra do Iraque. "Em 28 de julho (de 2002), Blair escreveu ao presidente Bush dando a garantia de que estaria com ele 'aconteça o que acontecer'", afirmou o diplomata John Chilcott, que coordenou a investigação.
Patrick Baz/AFP
Patrick Baz/AFP

Planos "inadequados"

Os planos britânicos para administrar a situação no Iraque após a invasão de 2003 eram "totalmente inadequados". "Apesar das advertências explícitas, as consequências da invasão foram subestimadas. O planejamento e os preparativos para o Iraque pós-Saddam foram totalmente inadequados", afirmou em Londres o diplomata John Chilcott, que coordenou a investigação sobre o conflito iniciado em 2003.

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