Onde estão enterrados os grandes ditadores?

Do UOL, em São Paulo

  • Juan Medina/Reuters

    Flores sobre o túmulo do ditador espanhol Francisco Franco, no Vale dos Caídos

    Flores sobre o túmulo do ditador espanhol Francisco Franco, no Vale dos Caídos

O governo da Espanha aprovou nesta sexta-feira (24) a exumação dos restos mortais do ditador Francisco Franco, enterrado na abadia do Vale dos Caídos, localizada a cerca de 50 km de Madri.

A proposta do premiê espanhol, o socialista Pedro Sánchez, é transformar o local em um espaço democrático onde se possa explicar o que foi vivido durante a ditadura. Por outro lado, opositores da proposta afirmam que mexer na abadia após 40 anos da morte de Franco apenas irá reabrir antigas feridas. A medida agora tem de passar por votação do Parlamento, ainda sem data marcada.

O mausoléu levou 18 anos para ser construído e foi erguido com os esforços de prisioneiros de guerra, por isso é tido como uma apologia às décadas de ditadura franquista e aos crimes cometidos durante a violenta Guerra Civil Espanhola.

Como forma de tentar uma reconciliação com o passado, Franco posteriormente permitiu que ali também fossem enterradas as mais de 33 mil vítimas de ambos os lados da guerra.

Em 20 de novembro de 1975, o corpo de Franco foi sepultado no local, que virou palco de manifestações e peregrinação de apoiadores da ditadura franquista, principalmente no aniversário de sua morte. Em 2007, o então primeiro-ministro, José Luis Rodríguez Zapatero, proibiu manifestações políticas no local.

No anúncio da aprovação da exumação, a vice-premiê do governo do socialista Pedro Sánchez, Carmen Calvo, declarou que "a presença da tumba de Franco naquele lugar significa falta de respeito e de paz para as vítimas que ali estão sepultadas".

Essa saia-justa não aconteceu apenas na Espanha. Outros países também tiveram de lidar com os restos mortais de antigos tiranos. Conheça a seguir alguns exemplos.

Wikimedia Commons
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António Salazar

Portugal viveu uma das mais longas ditaduras europeias, de 1926 a 1974. Fruto de um golpe dado por militares, em 1932, o governo do Estado Novo alçou ao poder António Salazar. Ele proibiu greves e censurou veículos de comunicação. Morreu em 1970, em decorrência de um derrame cerebral, mas a ditadura só chegou ao fim em 1974, com a Revolução do Cravos, movimento pacífico organizado por oficiais do Exército. Salazar ganhou um túmulo simples. Em Vimieiro, onde nasceu, há apenas uma lápide com seu nome e os dizeres "Aqui jaz o homem a quem Portugal mais a dever ficou. Ao país tudo de si deu, do país nada para si tirou". O túmulo foi vandalizado algumas vezes e até virou alvo de um suposto ritual de bruxaria, em março de 2018.
Reprodução/KnowYourName
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Joseph Stálin

Um dos principais nomes da Revolução Russa, Stálin foi o dirigente máximo da União Soviética por 26 anos, após a morte de Lênin. Assumindo uma postura rigorosa logo no início de seu governo, Stálin caçou e matou opositores, além de expulsar do partido aqueles que não concordavam com ele. Enquanto governou, a União Soviética cresceu exponencialmente, mas à custa de milhões de pessoas que foram presas e assassinadas. Ele foi enterrado ao lado de Lênin, na praça Vermelha, em Moscou. No entanto, em 1956, seus restos mortais retirados do mausoléu e levados então a um túmulo modesto, aos pés do Kremlin, sede do governo russo. Ainda hoje, o local recebe muitas visitas. Em 5 de março deste ano, apoiadores lá colocaram flores, em homenagem aos 65 anos de sua morte.
Reprodução/Russian7
Reprodução/Russian7

Benito Mussolini

Líder máximo da Itália entre 1922 e 1943, Mussolini foi o criador do movimento fascista que influenciou governos por todo mundo. Pregava o nacionalismo extremo e o militarismo. Prestes a perder a Segunda Guerra, em 27 de abril de 1945, tentou fugir, mas foi capturado por membros da Resistência Italiana e foi fuzilado com sua amante. Seus corpos ficaram expostos, por vários dias, numa praça em Milão. O "Duce", como era conhecido, foi enterrado em um túmulo sem identificação até que, em 1946, seu corpo foi roubado por neofascistas. Após recuperá-lo, o governo manteve secreto o novo local de sepultamento por dez anos, quando ele então foi enterrado na cripta de sua família, em Predappio, onde continua sendo visitado.
Reprodução/La Casa de La Historia
Reprodução/La Casa de La Historia

Mao Tsé-tung

Quem visita a praça da Paz Celestial, em Pequim, vê, diante dos muros da cidade proibida, um retrato gigantesco com a imagem do então líder do Partido Comunista chinês, Mao Tsé-tung. Estima-se que, durante seu governo, foram mortos 70 milhões de chineses. Mao comandou a Revolução Cultural entre 1966 e 1976, quando incentivou o culto à sua personalidade. Mesmo após sua morte, em 1976, e com a ascensão de opositores dentro do partido, como Deng Xiaoping, sua imagem permanece viva e forte, já que o partido continua com as rédeas do governo. Seu corpo está embalsamado em um mausoléu majestoso na capital, dentro de um caixão de cristal, servindo como ponto turístico.
Reprodução/Band/UOL
Reprodução/Band/UOL

Adolf Hitler

Outros ditadores também tiveram o paradeiro de seus túmulos escondidos, alimentando algumas lendas sobre seus paradeiros. Adolf Hitler, por exemplo, líder da Alemanha nazista, se suicidou pouco antes de Berlim ser tomada por soldados soviéticos. Ele temia que seu corpo fosse encontrado e exposto como troféu, por isso exigiu ser queimado. Há quem acredite, no entanto, que Hitler poderia ter conseguido fugir, se refugiando em algum país na América do Sul, o que nunca foi comprovado.
AP Photo/Dusan Vranic
AP Photo/Dusan Vranic

Nicolae Ceausescu

Então integrante do Bloco Soviético --conjunto de países comunistas na época da Guerra Fria--, a Romênia teve como líder entre 1967 e 1989 o ditador Nicolau Ceausescu, que comandou um regime de terror, com uma repressora polícia política, espionou opositores. O estopim para sua queda aconteceu em 17 de dezembro de 1989, quando forças de seu governo mataram dezenas de manifestantes na cidade de Timisoara. Manifestações se espalharam pelo país. Ceausescu e sua mulher, Elena, tentaram fugir, mas foram capturados. No Natal daquele mesmo ano, foram condenados por crimes contra a humanidade e fuzilados. Seus corpos foram enterrados num cemitério perto de Bucareste, sob nomes falsos. Em 2010, foram exumados. Testes comprovaram que os restos mortais pertenciam ao casal. Atualmente, a lápide de Ceausescu recebe visitas principalmente de romenos descontentes com a atual crise que vive o país.
AP
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Rudolf Hess

Braço direito de Hitler e um dos seus generais, Hess foi condenado em Nuremberg à prisão perpétua pelos crimes cometidos na guerra, como a participação no extermínio de milhões de judeus, ciganos e outras etnias. Morto em 1987, teve seu corpo enterrado em Wusindel, na Bavária. Seu túmulo se transformou em ponto de peregrinação para neonazistas. Visando evitar essa recorrente situação, o governo alemão optou por exumar o cadáver e cremá-lo. Suas cinzas foram espalhadas em local desconhecido.
Reprodução/YouTube
Reprodução/YouTube

Augusto Pinochet

Na América Latina, Pinochet foi responsável pela sangrenta ditadura chilena, suspeita de ter assassinado mais de 3.000 pessoas e torturado 28 mil. Após sua morte, em 2006, foi cremado e teve as cinzas levadas à casa de sua família, em Los Boldos. Em defesa da atitude, os familiares disseram temer que o túmulo fosse depredado.
REUTERS/Zohra Bensemra
REUTERS/Zohra Bensemra

Muammar Gaddafi

O ditador líbio Muammar Gaddafi ficou no poder por 42 anos. Foi morto por rebeldes e enterrado em um ponto desconhecido no meio do deserto.

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