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No Paraguai, esforços são para evitar que a crise política atinja a economia

Renata Giraldi

Da Agência Brasil, em Assunção

26/06/2012 08h33

A suspensão do Paraguai do Mercosul gerou um receio generalizado entre as autoridades e a população do país de eventuais sanções e até da adoção de um bloqueio comercial e econômico. Porém, o governo do presidente Federico Franco empenha-se para evitar o agravamento da crise, buscando a reaproximação com a comunidade internacional e negociando com os empresários locais. O objetivo é impedir que a situação piore.

Um dos exemplos é a questão do petróleo. Sem o abastecimento de petróleo da Venezuela, o Paraguai perde cerca de 50% do produto importado. Mas empresários do setor descartaram ontem (25) à noite a possibilidade de desabastecimento. Eles se reuniram com o novo presidente paraguaio, Federico Franco, e disseram que há estoque garantido para os próximos meses.

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  • http://noticias.uol.com.br/enquetes/2012/06/25/voce-concorda-com-o-processo-de-impeachment-no-paraguai.js

Na reunião, o presidente da Copetrol - empresa paraguaia distribuidora de petróleo -, Blas Zapag, disse que 30% do petróleo importado vêm da Venezuela. O presidente da Petrobrar, petroleira estatal paraguaia,  Sergio Escobar, disse que há mais fornecedores e afastou também o risco de desabastecimento.

A questão agrária é considerada um dos temas mais delicados da política interna. Os brasiguaios (produtores rurais e agricultores de origem brasileira que vivem no Paraguai) são responsáveis pela maior parte da produção agrícola do país e praticamente todo o plantio de soja. As restrições a eles, ocorridas nos últimos anos, gerou disputa de forças e violência. Nesta terça (26), o grupo se reúne com Franco na sede do governo, para expor a atual conjuntura deles.

O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Luis Almagro, disse ontem (25) que a suspensão temporária do Paraguai do Mercosul não interfere nos direitos comerciais e econômicos do país no bloco. Segundo ele, a suspensão não é bloqueio. Na nota, emitida anteontem (24) pelo Mercosul, os países se comprometem a manter tratamento fraterno ao Paraguai. 
   
Por decisão do Mercosul, o Paraguai foi suspenso do bloco provisoriamente porque desrespeitou a democracia ao aprovar, sem conceder o tempo necessário para defesa, o impeachment do então presidente Fernando Lugo, no último dia 22. O governo Franco nega que houve transgressão à Constituição, pois o chamado julgamento político (equivalente ao impeachment) está na legislação paraguaia.

Apesar da suspensão do Paraguai, Lugo participará da cúpula do Mercosul, a ser realizada amanhã (27) em Mendoza, na Argentina. Lá, ele irá explicar sua situação. Ontem (25), o ex-bispo declarou que não reconhece a autoridade política de Franco e anunciou a criação de um gabinete paralelo para "monitorar" o novo governo.

"Federico Franco -- não o chamo de presidente -- não tem autoridade para convocar o presidente Lugo para ser o mediador dos conflitos internacionais”, afirmou Lugo, referindo-se às declarações de Franco, que disse que o procuraria para tentar resolver os problemas diplomáticos pós-destituição.

Segundo analistas, a validade desse gabinete é apenas simbólica. O novo chanceler paraguaio, José Félix Fernández Estigarribia, rebateu que a iniciativa de Lugo é uma “piada” e que, se ele levar adiante sua decisão, poderá responder judicialmente.

 

 

 

Veja as cinco acusações que levaram ao impeachment de Lugo

Mau uso de quartéis militaresA primeira acusação é o ato político ocorrido, com a autorização do Lugo, no Comando de Engenharia das Forças Armadas em 2009. Grupos políticos da esquerda se reuniram no local, usaram bandeiras e cantaram hinos ideológicos. Segundo o deputado José López Chávez, no ato, as Forças Armadas foram humilhadas, além de terem sido hasteadas outras bandeiras, num desrespeito a um símbolo nacional.
Confronto em CuruguatyNum dos piores incidentes sobre a disputa de terras no Paraguai, Lugo mandou 150 soldados do Exército para desocupar uma propriedade rural numa área de fronteira com o Brasil. No confronto com agricultores, ocorrido na última sexta-feira (15), ao menos 17 pessoas morreram. Das vítimas, sete eram policiais.
ÑacundayOutro ponto está relacionado às invasões de terras na região de Ñacunday, distrito localizado no departamento (equivalente a Estado) do Alto Paraná, a 95 quilômetros da fronteira do Brasil com o Paraguai. O deputado Jorge Avalos Marín acusa Lugo de gerar instabilidade entre os camponeses na área ao incentivar os próprios “carperos”, como são chamados os que acampa sob lonas pretas, as ditas “carpas”, encarregados da demarcação de terras.
InsegurançaOs parlamentares acusaram ainda o presidente Lugo de não ter sido eficaz na redução da insegurança que assola o país, embora o Congresso Nacional tivesse aprovado mais recursos financeiros. Além disso, eles criticam os gastos com a procura por foragidos do grupo criminoso EPP (Exército do Povo Paraguaio). Segundo o deputado, nunca na história o EPP (Ejercito del Pueblo Paraguayo), o braço armado do Partido de Izquierda Patria Libre, fez tantas vítimas entre integrantes da Polícia Nacional. Apesar disso, a conduta do presidente teria permanecido inalterada, o que teria dado mais poder ao grupo.
Protocolo de Ushuaia 2A assinatura do polêmico documento Protocolo de Usuaia 2 é visto como um atentado contra a soberania da República. Segundo a acusação dos parlamentares, o presidente não foi transparente sobre a assinatura desse documento já que até a presente data não havia encaminhado uma cópia do Congresso. A oposição a Lugo afirma que a assinatura do protocolo poderia resultar no corte do fornecimento de energia ao Paraguai, além de atentar contra a população e ter um claro perfil autoritário. Eles alegam ainda que Lugo tentou incluir medidas para fechar as fronteiras.

 

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