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Internacional

Bento 16 critica 'hipocrisia religiosa' em sua última missa de Quarta-Feira de Cinzas como pontífice

Do UOL, em São Paulo

13/02/2013 15h36

O papa Bento 16 denunciou nesta quarta-feira (13) durante a homilia da missa da Quarta-Feira de Cinzas "a hipocrisia religiosa" e a busca por "aplausos e aprovação". A cerimônia é uma das últimas comandadas pelo pontífice, que anunciou nessa segunda-feira (11) a renúncia marcada para o próximo dia 28.

ENTENDA O PROCESSO SUCESSÓRIO DO PAPA

Quando o chefe da Igreja Católica renuncia a sua função ou morre, seu sucessor é eleito pelos cardeais reunidos em conclave na Capela Sistina, onde ficam isolados do mundo exterior.

Cinco cardeais brasileiros deverão participar do conclave que se reunirá para eleger o sucessor do papa Bento 16. Segundo a última lista do Vaticano, há um total de 116 cardeais aptos a votar no conclave.

Para poder votar na escolha do papa, o cardeal precisa ter menos de 80 anos. O Brasil tem um total de nove integrantes no Colégio Cardinalício do Vaticano, mas quatro deles já ultrapassaram a idade limite.

As palavras do papa foram pronunciadas durante aquela que também é a última missa de Quarta-Feira de Cinzas comandada por Bento 16, no trono, na Basílica de São Pedro. A celebração marca o início da Quaresma -período de 40 dias da Igreja Católica que serve de preparação para a Páscoa.

Ainda no sermão, Bento 16 defendeu que o "caminho penitencial" da Quaresma não deve ser feito pelo cristão sozinho, mas "juntos, irmãos e irmãs, na Igreja". Em seguida, citou as "divisões no corpo eclesial", a necessidade de fortalecimento da Igreja e defendeu que "viver a Quaresma numa mais intensa e evidente comunhão eclesial, superando individualismos e rivalidades, é um sinal humilde e precioso para aqueles que estão distantes da fé ou indiferentes".

Em referência ao apóstolo Paulo, lembrou que ele "denuncia a hipocrisia religiosa, as atitudes que buscam aplauso e aprovação" e pediu que o testemunho mais incisivo do cristão é o de quem "não serve a s mesmo e ao público, mas ao Senhor". Ao final da homilia, Bento 16 pediu que os católicos iniciem a Quaresma "confiantes e alegres".

Disputa de poder também motivou renúncia, diz jornal

Uma disputa interna de poder praticada por ex-aliados nos últimos meses pode ser uma das razões para a renúncia do papa Bento 16. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (12) pelo jornal "O Estado de S.Paulo".

O pontífice anunciou a decisão alegando fragilidade por conta da idade avançada, 85 anos. Segundo o jornal, porém, a partir de relatos de fontes próximas ao Vaticano, a renúncia de Bento 16 seria, na realidade, uma reação extrema ao que, nos bastidores, é classificado como governo paralelo formado à sombra do pontífice e comandado pelo cardeal Tarcisio Bertone.

Bertone era amigo pessoal de Bento 16 e foi quem mais recebeu poder na Igreja em 2005, ano em que o papa assumiu o trono.  Desde então, porém, segundo o jornal, em alianças com membros da Cúria, ele teria criado situações que colocaram Bento 16 contra cardeais da Santa Sé.

Um desses casos, relatados na reportagem, foi a nomeação do cardeal Carlo Maria Vegano como núncio dos Estados Unidos, por parte de Bertone, a despeito de suspeitas de corrupção nos contratos do Vaticano que acabaram desembocando na imprensa italiana.

De acordo com o ?Estado?, fontes do jornal nas embaixadas estrangeiras junto à Santa Sé garantiram que Bento 16 renunciou por livre e espontânea vontade, mas certo de que, diante de forças paralelas a seu pontificado, não conseguiria implementar as mudanças que pretendia.

Conclave começa a partir de 15 de março

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, afirmou nesta quarta-feira (13) que o conclave para escolha do papa que sucederá Bento 16 começará entre 15 e 20 de março

O conclave, quando cardeais se reúnem para eleger o novo papa, vai começar de 15 a 20 dias após o cargo papal ficar vago em 28 de fevereiro, informou Lombardi, hoje, em entrevista coletiva.

Bento 16 surpreendeu a Igreja Católica e o mundo, na última segunda-feira (11), ao anunciar sua renúncia, a primeira de um papa em vários séculos. Lombardi disse que os católicos não devem ficar desorientados pela decisão de Bento 16.

Em audiência, papa defende renúncia

Também hoje, Bento 16 fez sua primeira aparição pública desde o anúncio de que irá renunciar no dia 28 de fevereiro e disse que está renunciando "pelo bem da igreja". Bento 16 agradeceu pelo "amor" e apoio dos fieis.

Milhares de católicos são esperados mais tarde na praça de São Pedro, para as cerimônias da Quarta-Feira de Cinzas.

"Queridos irmão e irmãs, como sabem, decidi renunciar ao ministério que o Senhor me confiou em 19 de abril de 2005. Faço isso em plena liberdade pelo bem da igreja, depois de ter rezado muito e após examinar minha consciência diante de Deus, ", declarou Bento 16 diante de um salão lotado com cerca de 10 mil pessoas no Vaticano, onde foi ovacionado.

O papa afirmou ainda que está "consciente da importância da decisão, mas que também é consciente de que não é capaz de dar sequência ao ministério petrino [como sucesso de São Pedro, o primeiro papa] com a força física e espiritual necessária".

"Me dá apoio e me ilumina a certeza de que a igreja é de Cristo, ao Qual não lhe faltará seu guia e seu cuidado. Obrigado a todos pelo amor e pelas orações com que vocês me acompanham. Continuem rezando pelo papa e pela igreja", concluiu Bento 16.

Os milhares de fiéis presentes responderam com uma grande ovação, ainda maior do que a feita quando Bento 16 entrou na sala Paulo 6º para a tradicional audiência das quartas-feiras.

O pontífice entrou na sala por volta das 10h44 no horário local (7h44 horário de Brasília), enquanto os fiéis aplaudiam de pé agitando bandeiras de diversos países, incluindo o Brasil.

A renúncia

Leia mais sobre a renúncia

  • Filippo Monteforte/AFP

    Raio atinge a basílica de São Pedro no mesmo dia em que Bento 16 anunciou a renúncia

O papa Bento 16 anunciou sua renúncia na última segunda-feira (11) em um discurso pronunciado em latim durante um encontro de cardeais no Vaticano. Ao justificar sua decisão, o pontífice de 85 anos alegou fragilidade por conta da idade avançada.

"Após ter examinado perante Deus reiteradamente minha consciência, cheguei à certeza de que, pela idade avançada, já não tenho forças para exercer adequadamente o ministério petrino", disse o papa.

O pontífice afirmou ainda que "no mundo de hoje (...), é necessário o vigor tanto do corpo como do espírito, vigor que, nos últimos meses, diminuiu em mim de tal forma que eis de reconhecer minha incapacidade para exercer bem o ministério que me foi encomendado". "Por esta razão, e consciente da seriedade deste ato, em completa liberdade, eu declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro", acrescentou Bento 16.

Esta é apenas a segunda vez que um papa da Igreja Católica renuncia ao pontificado. Antes, no ano de 1294, Celestino 5º abdicou antes de ser consagrado. Ele, que havia vivido como um ermitão antes de ser designado papa, não se sentia preparado para assumir o comando da Igreja.

Cinco cardeais brasileiros deverão participar do conclave. Segundo a última lista do Vaticano, há um total de 116 cardeais aptos a votar no próximo papa. Para participar da papa, o cardeal precisa ter menos de 80 anos. O Brasil tem um total de nove integrantes no Colégio Cardinalício do Vaticano, mas quatro deles já ultrapassaram a idade limite. (Com agências internacionais)

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