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Itamaraty ouve hoje diplomata pivô de vinda de opositor boliviano ao Brasil

Da Agência Brasil, em Brasília

26/08/2013 14h52

O Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty, ouve nesta segunda-feira (26) o diplomata Eduardo Saboia, apontado como principal responsável pela retirada do senador Roger Pinto Molina, 53 anos, da capital boliviana, La Paz, e o transporte para o Brasil. Ao longo da manhã, houve reuniões conduzidas pelo secretário-geral do Itamaraty, embaixador Eduardo dos Santos, que deverá conversar com Saboia na tarde desta segunda-feira.

O clima no Itamaraty é de tensão, pois é a primeira vez na história recente que, em uma carreira guiada pela disciplina e hierarquia, um profissional tem sua conduta investigada por supostamente não seguir orientações de superiores, em uma questão envolvendo dois Estados – Brasil e Bolívia.

Entenda o caso envolvendo o senador boliviano Roger Pinto

  • Arte/UOL

    28.mai.2012 - Durante encontro com embaixador, o senador boliviano Roger Pinto, da oposição ao presidente Evo Morales, pede asilo político ao Brasil
    8.jun.2012 - O governo brasileiro concede asilo e é criticado por Evo Morales dias depois
    19.jul.2012 - Governo boliviano sobe o tom e acusa o embaixador brasileiro de fazer "pressão"
    2.mar.2013 - Um acordo bilateral decide criar uma comissão para analisar o caso de Roger Pinto
    17.mai.2013 - O advogado do senador pede que o Supremo Tribunal Federal pressione o Itamaraty
    23.ago.2013 - Por volta das 15h, saem da embaixada brasileira em La Paz Roger Pinto, o diplomata brasileiro Eduardo Sabóia e dois fuzileiros navais, em dois carros diplomáticos oficiais. Eles percorrem mais de 1.500 km por terra em uma viagem de mais de 22 horas
    24.ago.2013 - Na tarde deste sábado, os carros chegam a Corumbá, no Mato Grosso do Sul e, à noite, pegam um jatinho de um empresário amigo do senador brasileiro Ricardo Ferraço (PMDB-ES) rumo a Brasília
    25.ago.2013 - Roger Pinto, Ferraço e Sabóia chegam a Brasília

Após nota divulgada pelo Itamaraty, informando que o Ministério das Relações Exteriores abrirá inquérito e tomará as medidas administrativas e disciplinares cabíveis, o assunto é tratado com o máximo de sigilo pelos diplomatas. A ideia é que Saboia chegue ao ministério de forma discreta, sem chamar a atenção da imprensa, para evitar entrevistas.

Perfil

Com mais de 20 anos de carreira, Saboia é apontado como um profissional disciplinado, competente e dedicado. No entanto, desde que assumiu como encarregado de negócios (substituto temporário do embaixador) na Bolívia, há dois meses, Saboia reitera ao Itamaraty as dificuldades vividas por Pinto Molina, que ficou 455 dias abrigado na representação diplomática.

Saboia esteve duas vezes em Brasília relatando que o senador boliviano sofria de depressão e estava com problemas renais. Na última ocasião em que esteve no Itamaraty, o diplomata pediu para ser removido (deixar o posto) de La Paz para outro posto no exterior ou mesmo no Brasil.

No Itamaraty, os diplomatas não informam ao certo como será um eventual inquérito envolvendo Saboia. As punições, em geral, vão desde uma simples advertência oral até a exoneração da carreira profissional. Porém, há os defensores de uma sanção intermediária que é a da suspensão (provisória) da carreira, considerando que seus antecedentes são todos positivos e que tem um histórico de bons serviços prestados.

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