Cuba não deve temer nem os EUA e nem sua própria população, diz Obama em Havana

Do UOL, em São Paulo

  • Carlos Barria/Reuters

Diante do líder cubano, Raúl Castro, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse em discurso transmitido pela TV estatal cubana nesta terça-feira (22) que o regime em Cuba precisa aceitar as opiniões dos cidadãos sem retaliá-los.

Dirigindo-se diretamente a Castro, que estava na plateia no Grande Teatro Alicia Alonso, em Havana, Obama afirmou: "Acho que minha visita simboliza que Cuba não precisa olhar os Estados Unidos como uma ameaça, e também não precisa temer as opiniões do povo cubano".

Obama alternou o tom conciliador, ressaltando o restabelecimento das relações entre os dois países e reforçando sua posição de que o Congresso americano precisa derrubar o embargo econômico a Cuba, com falas em que citou a falta de liberdade de expressão na ilha.

"Liberdade é o direito de cada homem de ser honesto, de dizer o que pensa sem hipocrisia. Cada pessoa deve ser igual perante a lei. Os cidadãos deveriam ser livres para falar sem medo e poder criticar seu governo. Acredito que os eleitores podem escolher seu governo em eleições democráticas. Nem todo mundo concorda com isso, mas acho que esses direitos são universais."

"Para atingir prosperidade sustentável e educação, é necessário ter livre troca de ideias e acesso online a outras fontes de informação para atingir seu potencial máximo." O presidente, no entanto, ressaltou que os EUA não podem impor mudanças. "Isso depende do povo cubano."

"Como diria Martin Luther King, não devemos temer a mudança. Acredito no povo cubano. Não estamos normalizando as relações com o governo cubano, mas também com o povo cubano. Temos um monumento construído por cubanos nos EUA, chamado Miami. Quero que os jovens daqui entendam que possam olhar o futuro com esperança, sem otimismo cego."

"Nas mãos do povo cubano"

Na fala, que durou cerca de 45 minutos, Obama disse algumas palavras em espanhol e proferiu duas frases de efeito na língua local: "O futuro de Cuba tem que estar nas mãos do povo cubano" e "Todos somos americanos". Além disso, citou personagens notórios cubanos, como as cantoras Celia Cruz e Gloria Stefan e o boxeador Teófilo Stevenson, e afirmou que a população do país, assim como os americanos, possui um "senso de patriotismo e orgulho".

Obama fez dois paralelos com a política americana para explicar a necessidade de o regime cubano se abrir para a democracia. Primeiro, citou a campanha eleitoral americana, lembrando que, do lado republicano, dois cubano-americanos [Marco Rubio e Ted Cruz] e um negro [Ben Carson] se candidataram para enfrentar uma mulher [Hillary Clinton] ou um "democrata socialista" [Bernie Sanders] do lado democrata. "Quem imaginaria isso em 1959?", questionou.

Ele também falou dos problemas da sociedade americana. "Discriminação, pena de morte… são apenas alguns, porque a lista é longa", disse, entre algumas risadas. "Mas os cubanos têm que saber que somos bem-vindos a essas críticas. Nos EUA, é possível acontecer o que aconteceu comigo, um filho de pais pobres que chegou ao cargo mais alto", apontou

Ele também citou a comunidade cubana que se exilou nos EUA e disse entender que eles podem ser vistos como pessoas que decidiram não participar da reconstrução do país após a revolução de 1959, na ascensão de Fidel Castro ao poder.

"Mas eles amam Cuba, e por isso a paixão é tão forte. Para os cubano-americanos, [o restabelecimento] não é só sobre política. É sobre família, sobre o desejo de reconstruir e a esperança de um futuro melhor."

Nesta terça, Obama irá se reunir com líderes da sociedade civil na Embaixada dos EUA como forma de enfatizar seu alerta a Raúl de que a falta de melhorias na questão dos direitos humanos em Cuba irá prejudicar os esforços que podem levar à suspensão do embargo econômico norte-americano, que já dura décadas.

A Casa Branca não divulgou uma lista dos líderes ativistas que Obama pretende encontrar. (Com agências internacionais)

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