Guerra do Iraque foi de boa fé e no interesse do Reino Unido, diz Blair

Do UOL, em São Paulo

  • Getty Images

    O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair

    O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair

O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair afirmou que levou o país à guerra do Iraque de boa fé e pensando nos melhores interesses britânicos, ao defender-se das acusações de um relatório oficial sobre o conflito divulgado nesta quarta-feira.

"Se as pessoas concordam ou discordam da minha decisão de executar uma ação militar contra Saddam Hussein, eu a tomei de boa fé e no que acreditava que eram os melhores interesses do país", afirma Blair em um comunicado.

O ex-funcionário do governo britânico John Chilcot divulgou nesta quarta-feira (6) o relatório sobre a guerra do Iraque, elaborado a partir da análise de milhares de documentos e interrogatórios de militares e políticos britânicos, entre eles o ex-primeiro-ministro Tony Blair, responsável da invasão do Reino Unido no Iraque ao lado dos Estados Unidos, em 2003.

O objetivo de Chilcot foi avaliar as decisões tomadas antes e durante a guerra, as medidas adotadas e determinar o que se pode aprender do episódio mais controverso do mandato de Blair.

Blair foi interpelado em duas ocasiões por Chilcot e pediu desculpas sobre a controvertida informação de inteligência que argumentou para intervir no Iraque, como a existência de armas de destruição em massa, o que eventualmente provou ser falsa.

Chilcot disse que seu objetivo não era processar ninguém porque ele não preside um "tribunal".

"Eu deixei muito claro desde o princípio, quando iniciei esta investigação, que se encontrasse coisas que mereciam críticas a indivíduos ou instituições, não iria fugir disso", afirmou.

Blair renunciou ao cargo de primeiro-ministro em 2007, mas sua credibilidade nunca se recuperou após a invasão de 2003. Grande parte dos britânicos acredita que ele nunca deveria ter enviado o país à guerra.

Um relatório de 2004 sobre as informações dos serviços de inteligência utilizadas na época descobriu que as evidências haviam sido exageradas, mas o autor, Robin Butler, afirmou na segunda-feira (4) que Blair "acreditava realmente" que estava fazendo o correto.

Os críticos do ex-premiê aguardavam o documento com impaciência. O ex-primeiro-ministro escocês Alex Salmond está buscando apoio no Parlamento para abrir um processo de impeachment ou para levar Blair aos tribunais.

O impeachment, que pode ser retroativo, foi utilizado pela última vez no Reino Unido em 1806 e é considerado obsoleto, mas poderia ser retomado para punir Blair de maneira simbólica, porque ele não ocupa nenhum cargo. Salmond disse no domingo que "é necessário prestar contas política ou judicialmente". (com as agências internacionais)

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