Ataque a igreja na França deixa padre morto e religiosa ferida; EI reivindica autoria

Do UOL, em São Paulo

  • Charly Triballeau/ AFP

    Policiais e bombeiros chegam à igreja atacada por terroristas no norte da França

    Policiais e bombeiros chegam à igreja atacada por terroristas no norte da França

Pelo menos três pessoas morreram após um ataque realizado na manhã desta terça-feira (26) em uma igreja em Saint-Etienne-du-Rouvray, nas proximidades de Rouen, na França. Uma das vítimas é o padre Jacques Hamel, de 84 anos, que foi feito refém e depois degolado.

As outras duas vítimas são os agressores, que foram "neutralizados" pelas forças de segurança, de acordo com o Ministério do Interior francês. Além disso, uma religiosa foi hospitalizada em estado grave e um policial ficou ferido durante a operação.

O Estado Islâmico reivindicou a autoria do ataque. Em comunicado, os jihadistas disseram que o atentado foi realizado por "dois soldados" do grupo.

Terrorista usava tornozeleira eletrônica

Segundo o promotor antiterrorismo François Molins, um dos responsáveis pelo ataque chama-se Adel Kermiche, cidadão francês de apenas 19 anos. Kermiche era monitorado pelas autoridades por meio de uma tornozeleira eletrônica depois de ter tentado ir para a Síria duas vezes, uma delas com a identidade de um primo. O agressor tinha sua casa vigiada e horários restritos para sair da residência.

O outro responsável pelo atentado ainda não foi identificado. Um irmão de Kermiche, menor de idade, também teria sido preso.

De acordo com o promotor, os criminosos invadiram a igreja portando facas e fizeram, além do padre, três freiras e dois fiéis como reféns. Uma das freiras conseguiu fugir e chamar a polícia. 

Molins afirmou que integrantes de forças especiais de segurança tentaram negociar a libertação do grupo. A dupla de terroristas tentou deixar a igreja com três dos reféns à frente e gritando "Alá é grande", momento em que policiais "neutralizaram" os criminosos, nas palavras de Molins.

O promotor informou também que os agressores carregavam explosivos falsos amarrados ao corpo e em uma mochila. Segundo Molins, o padre Hamel morreu devido a ferimentos provocados por facadas no peito e na garganta.

Hollande: 'A ameaça é muito elevada'

O presidente francês, François Hollande, nascido na vizinha cidade de Rouen, foi a Saint-Étienne-du-Rouvray e declarou que os sequestradores eram "terroristas" do Estado Islâmico.

"Estamos mais uma vez enfrentando um teste, a ameaça é muito elevada", disse Hollande, acrescentando que se trata "de uma guerra para ser conduzida por todas as frentes, no âmbito do respeito aos direitos". "Os terroristas querem nos dividir." 

Hollande rejeitou os apelos da oposição de direita e de extrema-direita para endurecer ainda mais a legislação antiterrorista. Para o presidente, as leis votadas desde 2015 dão "capacidade para agir".

"Restringir nossas liberdades não trará eficácia à luta contra o terrorismo", declarou. "O governo aplica e aplicará com a mais extrema firmeza as leis que nós votamos e que dão à Justiça, aos administradores regionais, às forças da ordem, a capacidade de agir, amplificada pela prolongação e pelo reforço do estado de emergência."

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, disse que o "bárbaro ataque na igreja, que "fere todos os franceses". Segundo Valls, "quando se ataca um padre, a Igreja Católica, vemos bem qual é o objetivo: jogar os franceses uns contra os outros, atacar uma religião para provocar uma guerra de religiões".

O papa Francisco lamentou o episódio e, segundo o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, está rezando pelas vítimas. O pontífice condenou "esta violência absurda" e "toda forma de ódio".

A França está em estado de alerta desde 13 de novembro do ano passado, quando ataques jihadistas deixaram 130 mortos e centenas de feridos na capital, Paris. A medida de segurança foi estendida depois do último dia 14, quando um homem ligado ao EI fez outras 84 vítimas na cidade litorânea de Nice. (Com agências internacionais)

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