Após vitória, Macron promete defender a Europa e lutar contra o terrorismo

Do UOL, no Rio e em Brasília

  • Christian Hartmann/Reuters

    Emmanuel Macron comemora a vitória com sua mulher, Brigitte Trogneux, em ato do lado de fora do Museu do Louvre, em Paris

    Emmanuel Macron comemora a vitória com sua mulher, Brigitte Trogneux, em ato do lado de fora do Museu do Louvre, em Paris

Após todas as projeções indicarem sua vitória no segundo turno das eleições francesas, o social liberal Emmanuel Macron fez dois discursos em Paris pregando a união entre os franceses e afirmando que irá defender a Europa.

"Vou proteger e defender a França, seus interesses, a sua mensagem. Vou proteger e defender a Europa, o nosso futuro comum, como escolheram os franceses", afirmou, na primeira fala, em tom mais sério, no comitê de campanha.

Macron também disse que irá fazer o possível para lutar contra o terrorismo dentro e fora do país e pediu aos franceses que deixem de lado a divisão causada pela eleição e olhem juntos pelo futuro do país. "É minha responsabilidade promover a solidariedade, a segurança e a união da nação."

O centrista falou ainda do momento de divisão que o país vive e prometeu trabalhar por uma França unida. "Combaterei as divisões que nos minam", assegurou ao lembrar que esta ciente "da ira, da ansiedade e das dúvidas" dos franceses.

O presidente eleito, centrista e pró-europeu, afirmou também que trabalhará para "reconstruir a relação entre a Europa e os cidadãos", durante um discurso em seu quartel-geral de campanha, em Paris.

Por volta das 21h (horário de Brasília), a apuração chegou ao final. Macron teve 66,06% dos votos, contra 33,94% de Marine Le Pen.

'Prodígio' Emmanuel Macron é o novo presidente da França

Discurso no Louvre

No segundo discurso após sua vitória no segundo turno, Macron falou a uma multidão que o esperava do lado de fora do Museu do Louvre. Macron chegou a som do "Hymne à la joie", de Beethoven, considerado o hino informal da União Europeia, e fez uma fala mais emocionada aos seus apoiadores.

O centrista voltou a falar em união do país. "Eu vou protegê-los frente às ameaças, combaterei por vocês contra a mentira, o imobilismo, a ineficácia, para melhorar a vida de cada um", disse Macron, agradecendo várias vezes aos eleitores pelos votos.

Quero a unidade, a união de nosso povo e de nosso país. Enfim, meus amigos, eu vou servi-los com a humildade, com força. Eu vou servi-los em nome de nossa bandeira: igualdade, liberdade, fraternidade. Vou servi-los na fidelidade, na confiança que vocês depositaram em mim. Vou servi-los com amor. Viva a República, viva a França!"

Em seguida, acompanhado da mulher, Macron ouviu a Marselhesa, hino da França, e abraçou correligionários.

Thibault Camus/AP
Apoiadores de Emmanuel Macron comemoram do lado de fora do Museu do Louvre, em Paris

Marine reconhece derrota

Mais cedo a candidata derrotada, Marine Le Pen, felicitou o candidato e agradeceu os votos que recebeu. Segundo ela, apesar do resultado, seu partido, a Frente Nacional, conquistou um resultado histórico nas urnas.

O ex-ministro de Economia se torna, aos 39 anos, o presidente mais jovem da 5ª República.

Pascal Rossignol/Reuters
Marine Le Pen reconheceu derrota, mas fala em votação histórica do partido

Quase 12% dos votos no segundo turno das eleições presidenciais da França neste domingo foram nulos e brancos, segundo as primeiras projeções dos institutos de pesquisas após o fechamento das urnas, o que representa um recorde nos pleitos do país durante a 5ª República.

De acordo com o Instituto Ipsos, os votos brancos e nulos - que são contabilizados na participação, mas não no resultado - totalizaram 4,2 milhões de pessoas.

Os quase 12% registrados hoje ficam muito acima dos 5,82% do segundo turno das eleições presidenciais de 2012, quando o socialista François Hollande venceu o conservador Nicolas Sarkozy.

Segundo as projeções dos institutos de pesquisa, o nível de participação no segundo turno hoje foi o menor desde as eleições presidenciais de 1969, ficando entre 74% e 75%.
 

Macron vence na França em eleição com recorde de abstenção

Como foi o segundo turno


O dia da eleição ocorreu em meio a fortes medidas de segurança, já que na França continua em vigor o estado de emergência decretado após os atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris e Saint-Denis.

Cerca de 50 mil policiais e gendarmes, além de 7.000 militares foram designados como reforço de segurança durante as eleições.

Macron votou neste domingo na localidade de Le Touquet, no noroeste do país. Acompanhado de sua esposa Brigitte, ele deixou sua casa nessa localidade turística por volta das 10h45 (5h45) para dirigir-se à Câmara municipal, onde votou 15 minutos mais tarde.

Christophe Ena/AFP
Emmanuel Macron vota ao lado de sua mulher, Brigitte

Centenas de pessoas rodearam o casal quando deixaram seu domicílio, na busca de um aperto de mãos ou de uma "selfie".

Após votar, o candidato cumprimentou aos vários moradores que tinham ido ao lugar, muitos mais do que os que se reuniram no mesmo local no primeiro turno.

Le Pen votou em seu reduto eleitoral de Hénin-Beaumont, no norte da França.

Gong Bing/Xinhua
A candidata ultradireitista Marine Le Pen vota neste domingo

A candidata da extrema-direita cumprimentou os eleitores do colégio no qual depositou seu voto. Aos 48 anos, Marine se tornou a segunda mulher a passar para o segundo turno de uma eleição para a Presidência, depois da socialista Ségolène Royal em 2007.

Vazamentos

A reta final da campanha foi marcada pelo vazamento de e-mails de campanha do líder da disputa Emmanuel Macron. O país buscou impedir que o episódio influenciasse o resultado da eleição, com um alerta de que a republicação das informações poderia ser uma infração criminal.

A equipe de Macron disse que uma invasão "maciça" havia baixado e-mails, documentos e informações de financiamento de campanhas online antes da campanha ter terminado na sexta-feira e a França entrou em um período de silêncio que proíbe os políticos de comentar sobre o vazamento.

"Às vésperas das eleições mais importantes para as nossas instituições, a comissão convida todos os presentes nos sites da internet e nas redes sociais, principalmente os meios de comunicação, mas também todos os cidadãos, a mostrar responsabilidade e não transmitir esse conteúdo, para não distorcer a sinceridade da votação", disse a comissão eleitoral francesa em um comunicado.

O vazamento de dados surgiu em meio a pesquisas indicando que Macron estava a caminho de uma confortável vitória sobre Le Pen, com os últimos levantamentos mostrando seu aumento de liderança. (*Com agências internacionais)

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