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Defesa de Trump acusa ex-diretor do FBI de vazar informação privilegiada

Marc Kasowitz, advogado de Donald Trump, fala sobre o depoimento do ex-diretor do FBI James Comey - Pablo Martinez Monsivais/AP
Marc Kasowitz, advogado de Donald Trump, fala sobre o depoimento do ex-diretor do FBI James Comey Imagem: Pablo Martinez Monsivais/AP

Do UOL, em São Paulo

08/06/2017 15h59

O advogado de Donald Trump, Marc Kasowitz, negou em nome do presidente as acusações que James Comey, ex-diretor do FBI, fez a um comitê do Senado norte-americano nesta quinta-feira (8). Segundo a defesa de Trump, o presidente nunca pressionou Comey para parar de investigar o ex-assessor de Segurança Nacional Michael Flynn sobre suas ligações com a Rússia.

Kasowitz foi o representante escolhido para rebater as acusações de Comey. Trump chegou a fazer um discurso nesta quinta, quando o ex-diretor do FBI já estava havia duas horas dando depoimento público ao Senado, e não fez qualquer menção às acusações. Além de relatar as pressões de Trump, Comey disse que o presidente mentiu e o difamou publicamente após sua dispensa.

"O presidente nunca, em forma ou substância, orientou ou sugeriu que Comey parasse de investigar alguém, incluindo a sugestão de que ele 'deixasse o Flynn para lá' [conforme a acusação do ex-diretor do FBI]. Como ele afirmou publicamente no dia seguinte, ele disse ao sr. Comey que o 'general Flynn é uma boa pessoa, que passou por muitas coisas' e que perguntou 'como estava [o caso] Michael Flynn'."

Citando frases do almirante Michael Rogers, chefe da Agência Nacional de Segurança, e de Dan Coates, diretor de Inteligência Nacional, que negaram qualquer pressão de Trump sobre esse assunto, o advogado finalizou: "o presidente, da mesma maneira, nunca pressionou o sr. Comey".

Na nota, Kasowitz também nega a afirmação feita por Comey de que Trump havia dito que precisava e esperava de "lealdade".

“É claro, o escritório do presidente espera lealdade dos que estão servindo à administração e, desde antes de o presidente tomar posse até o dia de hoje, está claro que existe e seguirá existindo pessoas no governo que estão ativamente tentando minar a administração com vazamentos seletivos e ilegais de informação classificada e de comunicações privilegiadas. Comey admitiu que é um destes vazadores de informação.”

Vazamento

O advogado também afirmou que Comey vazou informação privilegiada quando decidiu divulgar à imprensa o memorando em que registrou o referido encontro com Trump --o ex-diretor do FBI admitiu ao Senado que enviou o documento, por meio de um amigo, a jornalistas.

"Comey admitiu que ele unilateralmente e de forma ilícita fez revelações não-autorizadas para a imprensa de comunicações privilegiadas com o presidente. O vazamento de informação privilegiada começou o mais tardar em março, quando amigos do senhor Comey disseram que ele revelou conversas que teve com o presidente durante o encontro de 27 de janeiro e o jantar na Casa Branca no dia 14 de fevereiro. Hoje, Comey admitiu que vazou informações de seus memorandos com estas conversas privilegiadas para seus amigos, um [memorando] dos quais ele revelou que seria secreto."

"Deixaremos que autoridades apropriadas determinem se estes vazamentos deveriam ser investigados juntamente com os outros que já estão sob investigação", disse o advogado.