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Polícia da Catalunha se vê entre ordens para impedir referendo de independência e pressão local

29.set.2017 - Polícia catalã, conhecida como Mossos d"Esquadra, tenta impedir a entrada de pessoas que tentavam ocupar uma das escolas que seriam usadas na votação de domingo - PAU BARRENA/AFP
29.set.2017 - Polícia catalã, conhecida como Mossos d'Esquadra, tenta impedir a entrada de pessoas que tentavam ocupar uma das escolas que seriam usadas na votação de domingo Imagem: PAU BARRENA/AFP

Do UOL, em São Paulo

30/09/2017 04h00

A Catalunha conta com sua própria força policial, os Mossos d'Esquadra. Desde a sua origem, no século 17, a polícia catalã se converteu em uma moderna agência de segurança europeia com 17 mil integrantes. Agora este grupo se vê dividido entre a ordem do governo de Madri de impedir a realização do referendo de independência e a vontade do governo autônomo catalão de realizar a votação.

O temor de confrontos na votação programada para este domingo é grande, ainda que o chefe da polícia catalã tenha insistido para que os confrontos sejam evitados.

Os Mossos se comprometeram a obedecer a constituição espanhola, que diz que o país não pode ser separado, mas também prometeram lealdade aos líderes das administrações locais que querem estabelecer uma república independente. O grupo ganhou destaque no mês passado, quando sua rapidez foi elogiada durante a contenção dos atentados realizados na Catalunha, onde uma célula local jihadista realizou ataques em Barcelona e em Cambrils.

Os atentados, reivindicados pelo grupo extremista Estado Islâmico, tirou a vida de 16 pessoas na rambla central da cidade, um dos lugares mais turísticos de Barcelona, e na cidade ao sul da província.

O governo central da Espanha e as autoridades regionais catalãs chegaram a debater sobre quem teria o controle dos Mossos d'Esquadra, força considerada fundamental para o sucesso do referendo. Madri chegou a enviar reforços policiais da Guarda Civil e da Polícia Nacional para a Catalunha.

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Sindicatos e integrantes das forças policiais nacionais há muito tempo criticam os Mossos por não tomar medidas fortes o suficiente contra os apoiadores do referendo, consulta que o governo espanhol considera ilegal.

Uma juíza, que investiga o governo regional por desobediência, desfalque e prevaricação, ordenou na quarta-feira que a polícia fechasse diferentes espaços (escolas, clubes e até centros de saúde) designados como pontos de votação. A polícia regional catalã se mostrou reticente a cumprir esta instrução, alegando o "mais que previsível risco de alterações na ordem pública que poderia derivar" dessa ação.

O comandante da polícia catalã, Josep Lluís Trapero, pediu que os oficiais evitem o uso da força durante a votação. “O uso da força, diante do comportamento de resistência passiva, não pode ir além do acompanhamento das pessoas para fora dos centros ou para abrir caminho que permita o acesso de policiais para checagens e ações ordenadas judicialmente”, diz a nota. Foi pedido ainda que eles evitem o enfrentamento generalizado.

Com seus uniformes azuis, eles patrulham as ruas da Catalunha, uma das 17 comunidades autônomas da Espanha –todas com amplos direitos e autogestão. Os Mossos também contam cum unidades de forças especiais.

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Durante atos públicos importantes, como partidas de futebol ou as gigantescas manifestações nas ruas, os Mossos fazem a vigilância a partir de um helicóptero equipado com câmeras potentes que podem identificar uma pessoa a até 1.500 metros de altura. Eles também têm uma unidade de desativação de explosivos.

Seus efetivos percorrem os subterrâneos das cidades para verificar os esgotos e encontrar possíveis esconderijos. Eles têm formação para desativação de cinturões explosivos, como os usados em atentados terroristas –esta é uma das equipes que foi mobilizada durante o mês passado em Cambrils, onde os terroristas usavam coletes com falsas bombas.

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