Trump pede novas condições para acordo com o Irã, mas mantém EUA no pacto

Do UOL, em São Paulo

  • Kevin Lamarque/Reuters

    13.out.2017 - O presidente norte-americano Donald Trump discursa sobre o acordo nuclear iraniano na Casa Branca, em Washington

    13.out.2017 - O presidente norte-americano Donald Trump discursa sobre o acordo nuclear iraniano na Casa Branca, em Washington

O presidente Donald Trump afirmou nesta sexta-feira (13) que o Irã não está cumprindo o acordo nuclear assinado em 2015, mas não retirou os EUA do pacto, fechado entre os dois países junto com China, França, Rússia, Reino Unido, Alemanha e União Europeia.

No anúncio, Trump se recusou a dar certificação presidencial de que o acordo está sendo cumprido, sem aplicar sanções sobre o programa nuclear iraniano - evitando, assim, a dissolução do mesmo e deixando essa decisão nas mãos do Congresso. Em tese, a decisão de "não certificação" dá aos congressistas 60 dias para decidir se voltam a impor as sanções retiradas em 2015 como parte do acordo.

Trump, no entanto, cobrou novas condições para os EUA permanecerem no pacto.

"Como eu já disse tantas vezes, o acordo com o Irã é um dos piores e mais unilaterais que os EUA já assinou", disse Trump. Segundo ele, Teerã é o "principal patrocinador do terrorismo no mundo" e "não está fazendo jus ao espírito do acordo".

Trump também questionou o programa de mísseis balísticos do Irã e afirmou que o país dá apoio financeiro e militar a grupos extremistas no Oriente Médio, acusação que já fez outras vezes e tem sido parte do discurso do republicano contra o governo iraniano desde a campanha presidencial no passado. Ele pediu sanções ao Exército dos Guardiões da Revolução Islâmica, divisão das Forças Armadas iranianas. 

Isolamento internacional

Nos últimos dias, o presidente americano foi alertado por outros signatários - Rússia, China e França, entre outros - sobre as consequências imprevisíveis de mudar o acordo, indicando sua postura isolada em relação ao pacto.

Embora Washington não se retire do acordo assinado em julho de 2015, Trump poderia abrir um período de grande incerteza ao negar-se a "certificar" que Teerã cumpre com seus compromissos - o que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirma que a República Islâmica faz.

O acordo busca garantir o caráter exclusivamente civil do programa nuclear iraniano e a AIEA confirmou até agora o cumprimento por parte de Teerã. Ao não certificar o acordo Trump estaria desvalorizando a agência do sistema das Nações Unidas, outro golpe ao multilateralismo depois de anunciar na quinta-feira a saída do país da Unesco.

O tratado prevê a eliminação dos bloqueios impostos à economia iraniana nos últimos anos. Em troca, o país persa se compromete a limitar suas atividades atômicas, incluindo a interrupção do enriquecimento de urânio na usina de Fordow e a redução de suas centrífugas, que passarão de 19 mil para 6,1 mil em 10 anos. (Com agências internacionais) 

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