Na Venezuela, Maduro precisa escolher entre pagar credores ou alimentar a população

Andrew Rosati

Da Bloomberg

  • Rodrigo Abd/AP

A cesta chega uma vez por mês na porta de Pedro Key com arroz, macarrão, óleo e feijão e ajuda a garantir o futuro do presidente venezuelano Nicolás Maduro. "Se não fosse pelo governo, morreríamos de fome", disse o metalúrgico aposentado de 64 anos após receber a cesta subsidiada, pela qual ele paga centavos. "Se a oposição tivesse poder, tiraria o pouco que temos."

Com as reservas estrangeiras no menor nível em 15 anos após uma condução desastrosa da economia, Maduro tem de escolher entre agradar credores ou eleitores como Key, que não conseguem comprar carne ou leite. As cestas se tornaram tão importantes para a sobrevivência que atrasos desencadeiam protestos violentos.

Na semana passada, Maduro anunciou que vai renegociar a dívida de mais de US$ 140 bilhões do país.

Está mais difícil para ele obter novos recursos, diante da reputação cada vez pior do governo venezuelano e das sanções do governo dos EUA que proíbem americanos de receber novos títulos como parte da reestruturação. Em vez de declarar moratória, Maduro convocou credores para um encontro em Caracas em 13 de novembro para discutir os novos termos. Ao adiar um colapso fiscal, a nação pode manter o controle dos ativos produtores de petróleo e usar US$ 9,7 bilhões em reservas para importações e assegurar a entrada de comida e outros itens básicos.

"É muito mais uma jogada política do que financeira", disse José Guerra, parlamentar da oposição que lidera a Comissão Financeira da Assembleia Nacional. "Eles precisam de algum tipo de alívio, de fluxo de caixa. Não há outra maneira de financiar as importações.''

Desde que assumiram o poder, em 1999, os líderes socialistas contaram com a alta de preços do petróleo para pagar os detentores dos títulos. Mas não foram implementadas reformas para lidar com a queda dramática da cotação do barril e economistas alertam que o governo não tem como cortar mais gastos.

De acordo com a consultoria Datanalisis, de Caracas, as importações caíram de US$ 66 bilhões no auge do petróleo, em 2012, para aproximadamente US$ 15 bilhões neste ano.

A população está literalmente apertando os cintos. Um estudo concluiu que os adultos perderam, em média, quase 9 kg no ano passado por causa da escassez de alimentos.

Diante de tanta privação, os socialistas afirmam que as dificuldades não são causadas por um mau governo e sim por um ataque capitalista armado por empresários e opositores políticos.

Por meio de programas como o que distribui cestas básicas, Maduro tenta manter sua influência sobre a população pobre das cidades e os moradores das áreas rurais, que são as bases de apoio dos socialistas.

Em vez de mandar bens subsidiados a supermercados ou lojas estatais, o governo fornece alimentos a grupos leais nos bairros, que distribuem as cestas diretamente aos moradores para evitar revenda e filas.

"É simplesmente chantagem", disse a vendedora de verduras Noramia Pedraza, 48 anos. "Muita gente aqui vota só por medo de perder a cesta."

O governo afirma ter desembolsado quase US$ 72 bilhões para cobrir empréstimos e pagamentos de principal e juros de títulos desde que Maduro assumiu o cargo, há quatro anos, mas após um pagamento final na semana passada, o presidente sugeriu que esses recursos seriam mais úteis se direcionados a programas sociais.

Segundo Luís Vicente León, responsável pela Datanalisis, não importa se os detentores dos títulos aparecerão ou não na reunião, o governo culpará os EUA que, segundo Maduro, faz "perseguição financeira".

Com a colaboração de Ben Bartenstein

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